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13/03/2020 Minist. Saúde Edição 3921 Automóvel mata mais que as armas de fogo…
F/ Diário do Nordeste
"Os acidentes de trânsito no Brasil provocaram a morte de 35,3 mil pessoas, em 2017"

 

No período entre os anos 1998 e 2018, foram registrados no Brasil 734.938 óbitos por acidentes de trânsito. Para avaliar quão comum se tornou esse tipo de desastre, em média, no espaço de 15 minutos alguém morre nas ruas e estradas do país. Este número ultrapassa até mesmo o de homicídios por armas de fogo, que chegou a 726 mil no mesmo período. O perfil da vítima fatal do trânsito brasileiro é jovem: 40% dos mortos tinham até 29 anos.

O site do Ministério da Saúde registra que são homens os que mais morrem de acidentes no trânsito. Nos acidentes de trânsito, em 82% dos casos, as vítimas fatais são do sexo masculino.

Os acidentes de trânsito no Brasil provocaram a morte de 35,3 mil pessoas, em 2017. É o que mostram os dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade - SIM. Os números são preocupantes, e um detalhe chama a atenção: a maior parte das vítimas fatais é do sexo masculino, jovens em idade produtiva, entre 20 a 39 anos (36,75%). São milhares de mortes prematuras, ocorridas todos os anos, com forte impacto social, econômico, no setor saúde e para as famílias.

Segunda maior causa de mortes externas no país, os acidentes de trânsito geram uma grande sobrecarga nos serviços de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde (SUS) com números crescentes de internações. Em 2017, foram 182.838, gerando gastos de aproximadamente R$ 260,7 milhões. Deste total de internação, 78,2% ocorreram no sexo masculino.

Nas últimas duas décadas, o SUS arcou com 2,8 milhões de procedimentos médicos relacionados ao trânsito. O custo total, corrigido pela inflação, fica em R$ 5,3 bilhões – bem acima do total gasto com o programa Mais Médicos no ano passado (R$ 3,5 bi).

No acumulado do período, as maiores vítimas fatais foram os pedestres (24,7%). Mas desde 2009, eles têm sido substituídos pelos motociclistas no topo do ranking de óbitos. A frota de motos quase triplicou em 13 anos. Em 2018, as ocorrências envolvendo motociclistas já respondiam a 55% dos gastos do SUS com esses acidentes. Em 2017, eles representavam 34% das vítimas fatais.

O levantamento foi feito pelo jornal O Globo, que também conversou com especialistas que temem piora nesse cenário caso as alterações no Código de Trânsito propostas pelo governo sejam aprovadas no Congresso. O mesmo jornal informa que acidentes de trânsito causam 5 mortes no Brasil a cada 1 hora, segundo relatório divulgado pelo Conselho Federal de Medicina - CFM. Entre 2008 e 2016, 368.821 pessoas morreram vítimas de transporte nas estradas e ruas do país.

Os dados são os mais recentes compilados pelo Ministério da Saúde, visto que o processo de registro de óbito é demorado, levando até dois anos para contabilizar todos os casos.

De acordo com o Conselho Federal de Medicina, um balanço feito separadamente dos últimos 10 anos, de 2009 a 2018, aponta que os acidentes de trânsito deixaram mais de 1,6 milhão de feridos. Isso levou ao custo de quase R$ 3 bilhões ao Sistema Único de Saúde - SUS.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde - OMS, o uso da cadeirinha reduz as mortes em até 60%. Já segundo o SOS Estradas, houve redução de 34% nos acidentes envolvendo caminhões nas rodovias federais após a instituição do exame toxicológico, em 2015. Abolir a obrigatoriedade do exame é um dos itens da agenda do governo, que também quer aumentar o limite de pontos da carteira e diminuir a quantidade de radares – o que deve estimular os motoristas a excederem os limites de velocidade, principal fator dos acidentes de trânsito.

O governo também quer flexibilizar a punição para motociclistas que andam com capacete sem viseira ou óculos de proteção e transportam mercadorias em desacordo com as normas.

No Brasil, os órgãos de trânsito trabalham constantemente para avaliar a situação dos motoristas e realizar campanhas que protejam os cidadãos. Um dos últimos projetos foi a implementação da Lei Seca, que proíbe as pessoas de dirigirem tendo ingerido bebida alcoólica. Grande parte da diminuição de acidentes e mortes no trânsito dos últimos anos é considerada efeito dessa lei, já que substâncias psicoativas interferem no senso de direção dos motoristas, aumentando consideravelmente o risco de problemas.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes - DNIT é quem acompanha mais de perto as estatísticas em relação a acidentes de trânsito. Segundo o órgão, as ocorrências mais frequentes são:

- colisão no mesmo sentido ou transversal;

- saída de pista;

- batida em objeto fixo;

- capotagem;

- colisão frontal;

- atropelamento.

As pesquisas sobre o trânsito deixam claro que o grau de inconsciência dos motoristas é fator de grane parte dos acidentes. Por exemplo, um em cada cinco brasileiros afirma dirigir usando o celular. Pessoas com nível superior são as que mais se comportam dessa forma, assim como as que mais recebem multas por excesso de velocidade.

Além do uso do celular associado à direção, pesquisa do Ministério da Saúde aborda também outros importantes indicadores para a ocorrência de acidentes de trânsito: direção e consumo de qualquer dose de álcool e excesso de velocidade.

A proporção de adultos que informaram conduzir veículos motorizados após consumo de qualquer quantidade de bebida alcoólica foi de 5,3%, sendo maior entre homens (9,3%) do que mulheres (2%). A associação entre consumo de álcool e direção ocorreu principalmente em indivíduos de maior escolaridade (8,6%) e com idade entre 25 e 34 anos (7,9%).

 

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