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15/11/2019 VATICAN NEWS Edição 3917 Alemanha: o êxodo dos fiéis
F/ Vatican News
"Em 2018, 200 mil católicos abandonaram a Igreja."

De fato, a situação envolve toda a sociedade cristã. Segundo dados da Conferência dos Bispos da Alemanha, 430 mil católicos e protestantes cortaram os vínculos com suas respectivas Igrejas em 2018: a Igreja Católica perdeu 216.078 membros, enquanto nas Igrejas protestantes a perda foi de cerca 220 mil membros.

Na Alemanha, os católicos somam 23.002.128, ou seja, 27,7% da população alemã. As estatísticas falam de uma Igreja que, nas 27 dioceses e arquidioceses em que está subdividido o país, conta com 10.045 paróquias (em 2017, eram 10.191).

Os sacerdotes são 13.285 (13.560 no ano anterior), dos quais 6.672 são diocesanos. Para auxiliá-los no ministério pastoral, existem 3.327 diáconos permanentes (mais 19 do que em 2017), 3.273 assistentes pastorais (dos quais 1.495 são mulheres e 1.778 homens) e 4.537 assistentes de comunidades. Já os religiosos são 3.668 religiosos e as religiosas 14.357.

Segundo informa o portal Vatican News, o número daqueles que decidiram "deixar" a Igreja foram 216.078 pessoas em 2018, contra as 167.504 no ano anterior.

 

Por que eles estão saindo?

Reportagem de Fabian Klask e Hannes Leitlein, publicada pelo periódico Zeit [16/02/2018], informa que pela primeira vez uma pesquisa tenta entrar nos detalhes das motivações dos "infiéis". E, surpreendentemente, resulta que não é a taxa paga para a Igreja a principal motivação.

A diocese de Essen - há décadas abaladas pela queda do número de fiéis e por dificuldades financeiras - decidiu fazer uma séria consulta: através de uma iniciativa não convencional, a diocese encomendou uma pesquisa a um grupo de estudiosos de diferentes faculdades teológicas. Em seguida, alguns meses antes do Katholikentag, apresentou os resultados da avaliação que poderão ser discutidos na reunião em Münster. Os resultados não serão muito diferentes das experiências de outras regiões.

Um ponto importante surpreendeu os pesquisadores em sua análise: o dinheiro, ou seja, a taxa para a Igreja, não é a principal razão pela qual as pessoas se afastam da Igreja, mas um conjunto de motivações de natureza e conteúdo pessoais: a moral representada pela Igreja já não corresponde mais à concepção do mundo das pessoas, e a arrogância dos eclesiásticos de alto nível incomoda há bastante tempo.

De acordo com os autores do estudo, também a pertença à Igreja hoje é considerada do ponto de vista da relação custo-benefício. Muitos ex-católicos estariam dispostos a pagar os impostos para a Igreja se padres e bispos oferecessem a eles algo diferente. As razões para o abandono mais importante pode ser resumidas nestes quatro pontos: um momento específico da vida, os escândalos, o sentimento de alienação, a própria concepção do mundo.

 

Um momento específico na vida

Faculdade, primeiro emprego, primeira progressão na carreira ou primeiro insucesso no trabalho, casamento, filhos. A fase que os sociólogos definem como "hora do rush da vida" é emocionante, porque justamente nela acontecem, ao mesmo tempo, muitas coisas. E para a relação com a Igreja é uma fase particularmente crítica: no momento do planejamento da própria carreira e família, o número daqueles que escolhem não ser membros da Igreja é superior ao dos que tomam essa decisão em qualquer outro momento da vida, escrevem os autores do estudo.

Dos 4.300 católicos que deixaram a diocese de Essen em 2016, 40% pertencia à faixa etária entre 23 e 35 anos. Claro que também incide o nível de salário: quem de repente se dá conta de que precisa pagar algumas centenas de euros para a Igreja, avalia antes os custos o e benefícios. De acordo com os pesquisadores, no entanto, o dinheiro é apenas o último empurrão.

 

Os escândalos e a sensação de alienação

Um total de 10% dos entrevistados indicou como motivo do abandono os numerosos casos de abusos sexuais ou o escândalo de gastos absurdos para a residência do ex-bispo de Limburg, Tebartz Franz-Peter-van Elst. Na avaliação dos escândalos dentro da Igreja, os pesquisadores notaram uma mudança: o desejo de transparência e de renovação tornou-se mais forte. Os escândalos não seriam mais visto como indicadores do atraso da Igreja e relativizados. Isso teria como possível consequência a escolha de sair de uma Igreja que não é mais vista como íntegra, mas repetidamente manchada por escândalos.

Após as taxas caras, a razão mais citada para o abandono é a falta de laços emocionais e práticos com a Igreja, muitas vezes combinados com dúvidas pessoais sobre a fé ou para a motivação de querer separar a fé pessoal da pertença à Igreja.

Também a imagem da mulher, o celibato, a atitude em relação à homossexualidade – ou seja, as tradicionais linhas de ruptura entre a sociedade liberal e a doutrina moral católica, estão entre as principais razões indicadas para a saída da Igreja.

Mas o que emerge da análise das razões não dá elementos para uma mudança de atitude.

 

O que poderia ser mudado?

Os autores do estudo recomendam os seguintes primeiros passos para refrear, de alguma forma, a tendência de saída: transmitir a mensagem, criar entes de contato para reclamações, entrar em contato e dialogar, cuidar da tradição, formar o pessoal, construir credibilidade.

Considerando que a moral (sexual) católica dificilmente pode ser superada, os pesquisadores recomendam uma atitude mais ofensiva. As posições sobre a homossexualidade e os divorciados recasados devem ser formuladas de uma maneira tão clara e compreensível, que também os leigos possam apresentá-las. Além disso, não deveriam ser propostas apenas proibições, mas apresentar o valor da moral. Em um mundo pluralista, tais posicionamentos poderiam não ser compartilhados por todos, mas esclareceriam a linha da Igreja, na esperança de que, explicando francamente a própria atitude, se angarie pelo menos o respeito das pessoas.

De acordo com as pesquisas, a saída da Igreja é uma decisão bem ponderada, no final de um longo processo. Esse último passo poderia ser evitado, dizem os pesquisadores. Por exemplo, se houvesse um lugar para entrar em contato para reclamações, que poderia fornecer melhores orientações. Com boas experiências, os momentos negativos poderiam ser superados.

Um grande número de fiéis é apenas formalmente parte da Igreja. Não participam nunca ou só muito raramente na missa, não conhecem seu pároco. Até mesmo um mínimo de atenção poderia ajudar a fortalecer o vínculo. Concretamente: acolher os recém-chegados com uma carta, ou aproveitar a ocasião dos funerais ou batismos para entrar em diálogo. A Igreja deveria estar presente nos lugares que são importantes para as famílias jovens, tais como as escolas primárias, creches e escolas maternais.

 

Cuidar da tradição

Uma coisa que surpreendeu os pesquisadores é que, para alguns, a Igreja não é suficientemente tradicional, suficientemente espiritual. O conselho é, portanto, sugerir para essa "meta" ofertas específicas, como formar o pessoal e construir credibilidade.

Muitas pessoas deixaram a Igreja por causa de decepções pessoais pela atitude pastoral, algo que poderia ser evitado com um melhor planejamento e formação do pessoal.

Até agora tem faltado frequentemente às Igrejas a coragem de uma narrativa forte que desperte o interesse na opinião pública. Os pesquisadores, portanto, aconselham os bispos a posicionarem-se mais como figuras significativas de sua região.

 

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