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15/08/2019 Pe. Gedeir e Ir. Dione Edição A VOCAÇÃO DOS COROINHAS É UM SERVIÇO À COMUNIDADE CRISTÃ
F/ARQ.SDN
"São Tarcísio acolheu o chamado do Pai e foi libertar os presos de uma escuridão sem Deus, sem fé. Tarcísio através de seu trabalho pastoral levou Cristo a quem não poderia ir até Ele. Que todos os Coroinhas hoje sejam também bravos e corajosos discípulos capazes de levar Jesus a quem não consegue ir ao encontro d’Ele."

A VOCAÇÃO DOS COROINHAS É UM SERVIÇO À COMUNIDADE CRISTÃ

 

Pe. Gedeir Vieira Gonçalves, SDN*

Ir. Dione Afonso, SDN*

 

 

No dia 15 de agosto a Igreja celebra a festa de São Tarcísio, patrono dos acólitos e coroinhas. Um adolescente fervoroso, Tarcísio foi um exemplo de fidelidade à Vocação à Vida Cristã e ainda hoje continua inspirando crianças, adolescentes e jovens no serviço do altar e da caridade.

 

Vocação à Vida Cristã

Todo ser humano, ao nascer, é convidado por Deus à vocação a vida cristã, ou seja, a crescer e a se desenvolver espiritualmente, com a ajuda dos pais, na fé em Jesus Cristo. Em tempos de Iniciação à Vida Cristã, a Igreja em suas mais simples e diversas comunidades paroquiais, de base e missionárias pretende resgatar a inspiração catecumenal e fazer da catequese um caminho de seguimento a Jesus Cristo possibilitando que cada criança, adolescente, jovem faça o seu encontro com Jesus Cristo.

Ser cristão consiste em ter a atitude espiritual, no cotidiano da vida, de professar a fé nos mistérios pascais de nosso Senhor Jesus Cristo. É ter a consciência de acreditar em tudo o que Ele falou e ensinou nos santos Evangelhos contidos na Sagrada Escritura, como verdades da fé em Deus e no mistério do seu Reino eterno. É ter a disposição de colocar a vida em comunhão íntima com Deus, através do recebimento dos sacramentos da Iniciação à Vida Cristã: Batismo, Eucaristia e Confirmação. É ter a coragem de colocar a vida a serviço de Deus e da sua Igreja para a realização do trabalho missionário de evangelização da humanidade, principalmente junto às pessoas mais pobres e necessitadas, dando assim continuidade à missão de Jesus e seus apóstolos; por fim, é a atitude de viver unicamente para Deus, realizando sua vontade e, se preciso for derramar o próprio sangue pelos mistérios da fé em Cristo.

Ser cristão é ser um Ser humano de bem, bondoso, generoso, honesto e caridoso. Hoje a Igreja sofre a cada dia perseguição, exclusão, e todo tipo de forma de violência, forma de desrespeito e intolerância religiosa, em que a fé do outro nem sempre é respeitada e ou acolhida. A vocação se configura, sobretudo, num chamado de Deus que, ao ‘‘ouvir o clamor, a dor e o sofrimento de seu povo, Ele decide vir até nós, descer e nos libertar’’. São Tarcísio acolheu o chamado do Pai e foi libertar os presos de uma escuridão sem Deus, sem fé. Tarcísio através de seu trabalho pastoral levou Cristo a quem não poderia ir até Ele. Que todos os Coroinhas hoje sejam também bravos e corajosos discípulos capazes de levar Jesus a quem não consegue ir ao encontro d’Ele.

 

São Tarcísio e seu Testemunho

Conta-nos a história da Igreja Católica, que São Tarcísio viveu em Roma provavelmente no ano de 258 da era cristã. Sua memória de martírio é celebrada, de maneira facultativa, no dia 15 de agosto de cada ano. Ele é considerado como o padroeiro dos coroinhas, dos acólitos e dos cerimoniaristas.

Acredita-se que Tarcísio fazia parte de uma comunidade cristã em Roma, e nela exercia a função de acólito, auxiliando nas atividades litúrgicas-sacramentais. Numa linguagem atual, podemos afirmar que, ele era um coroinha na Igreja de seu tempo.

Ele viveu num período histórico de muita perseguição aos cristãos, realizada pelo imperador Valeriano. Nesta época, muitas pessoas que professassem ou manifestassem publicamente a fé nos mistérios pascais de nosso Senhor Jesus Cristo, eram presos e condenados à morte. Nessa realidade eclesial, muitas pessoas derramaram seu sangue pela verdade da fé em Jesus Cristo.

Os cristãos aprisionados à espera do martírio desejavam, ardentemente em seu coração, poderem se fortalecer com o recebimento da comunhão eucarística, mas a mesma lhe eram negadas, por proibição do imperador. Praticamente não era possível conseguir entrar nas cadeias para levar a sagrada comunhão aos cristãos.

Chegando próximo a data da execução de muitos cristãos aprisionados, brotou o desejo apostólico no coração do Papa Sisto II de levar a Eucaristia para aquelas almas, que dela necessitava num momento de dor e de sofrimento em suas vidas, mas não sabia como executar essa missão. Foi então que o acólito Tarcísio, com cerca de 12 anos de idade, se ofereceu para esta piedosa e árdua tarefa, na certeza de que colocaria sua própria vida em risco, mas por uma causa santa e justa. Comovido com esta atitude de bravura, coragem e disposição, o papa entrego-lhe numa caixinha de prata as hóstias consagradas, o Corpo de Cristo, que devia servir como conforto aos próximos mártires e ele seguiu suma missão.

Tarcísio passando pela via Ápia, deparou-se com alguns rapazes que notaram, que seu comportamento estava estranho e começaram a indagar o que ele trazia na caixinha, já suspeitando de algum segredo dos cristãos. Ele, porém, não respondeu. Bateram nele e o apedrejaram. Depois de morto, revistaram o seu corpo e nada acharam como referência ao Sacramento do copo de Cristo. Depois deste trágico episódio, seu corpo foi recolhido por um soldado, ocultamente cristão e, de coração bom e misericordioso, que o levou até às catacumbas, onde o sepultou dignamente.

 

Vocação dos Coroinhas - Serviço

No contexto eclesial do século XXI o testemunho de vida e de fé de São Tarcísio, continua tocando o coração e inspirando muitas crianças, adolescentes e jovens a viverem com radicalidade os mistérios da vocação cristã, seguindo fielmente os passos de Jesus Cristo, buscando assemelhar-se ao mesmo, sendo mansos e humildes de coração, mas ao mesmo tempo, buscam também dedicar sua vida a Deus e a Igreja, na realização do serviço litúrgico prestados ao altar de nosso Senhor nas diversas celebrações sacramentais.   

É bom lembramos que todo coroinha é um vocacionado, recebeu um chamado de Deus, para realizar uma missão específica na vida da Igreja e, ao mesmo tempo, é chamado também a ser instrumento para a edificação do Reino celeste na realidade do mundo, a qual faz parte.

Celebrando o mês de agosto, mês dedicado as vocações, pedimos a Deus, que é Pai Todo-poderoso, que proteja, abençoe e ilumine todos os coroinhas da nossa Igreja, para que eles sejam fiéis, firmes e perseverante na realização da sua missão, que nunca desanimem na caminhada da fé, que receberam pelo sacramento do Batismo e, que assumam cada vez mais a dignidade de serem reconhecidos como filhos e filhas adotivos de Deus, herdeiros do Reino dos céus e contribuintes direto, na realização da missão de Jesus Cristo. Que eles saibam sempre trilhar um caminho espiritual de santidade, colocando-se sempre em comunhão com a realização da vontade de Deus em suas vidas.

O trabalho com os jovens, crianças e adolescentes no serviço do ministério com os coroinhas contribui com uma formação completa e atuante na vida de comunidade:

  1. O serviço em comunidade – deserta no jovem a riqueza de se trabalhar em equipe, de viver em comunidade como uma família que partilha do mesmo objetivo.
  2. O lugar na família – os encontros de formação primam muito do cuidado de se viver em família, o respeito e o cuidado com os pais e, sobretudo, com os idosos, os avós. Um bom coroinha, mesmo numa estrutura familiar complicada e cheia de conflitos aprende a dosar o amor e a misericórdia entre os seus.
  3. O amor pela vida eclesial – grande cuidado e zelo pela liturgia, pelos objetos litúrgicos e pela eucaristia. O coroinha, a imagem de São Tarcísio sabe o valor de cada momento litúrgico que se é celebrado e reconhece também como que isso importa para a vida em comunidade e em sua caminhada social, familiar e pastoral.
  4. A caridade e a vida missionária – o processo formativo de todo agente pastoral, e os coroinhas não ficam de fora disso, sempre apresentam a razão verdadeira da igreja existir. Reconhecem que a eucaristia ultrapassa os limites do altar, e tentam vive-la nos lugares mais remotos, onde Cristo ainda não é conhecido.
  5. A dimensão vocacional e do discernimento – por fim vem o trabalho da uma cultura vocacional. Oportunidade rica em apresentar o chamado de Deus aos jovens que se aproximam do trabalho pastoral mostrando a cada um o caminho pessoal em que possam se encontrar com Jesus e seu projeto.

 

Oração do Coroinha 

Ó Jesus Adolescente, que vivias com o Pai celeste em profunda e filial sintonia, aceita nossa dedicação a serviço da liturgia.

Nosso desejo é tratar com respeito, sem preconceito, as pessoas da comunidade, que contam com teu auxílio na difícil caminhada; dá-nos um coração repleto de amor aos pobres e simples deste mundo.

Alimenta-nos com a tua palavra e com os teus ensinamentos, pois queremos te ajudar, ó Jesus, a transformar a sociedade, e assim celebramos dignamente, com sinais, ritos e movimentos, a salvação que ofereces hoje e sempre em favor da humanidade.

Amém!

 

* Promotores vocacionais.

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