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18/02/2020 Consuelo Vélez Edição 3921 A propósito do filme “Os dois Papas”: Um novo ano para reformar a Igreja
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"No filme, os dois modelos eclesiais que o filme apresenta não são simplesmente um "pluralismo""

 

 

2019 termina e começa 2020. Em nossa fé, um novo ano começa afim de continuar promovendo e "aguardando" a tão anunciada reforma eclesial promovida pelo Papa Francisco. Sabemos que, desde o início de seu pontificado, ele constituiu um grupo de cardeais para ajudá-lo e que enfrenta realidades diferentes, como o escândalo (e a dor) da pedofilia, a necessidade de transparência nas finanças do Vaticano, a reestruturação da Cúria romana, etc. [...]

Quase toda a reforma pretendida segue em boas intenções, sem ver uma mudança efetiva na parte estrutural. E é aqui que o filme "Os Dois Papas" serve como referência, não para comentá-lo como um filme (sobre o qual foram feitos comentários muito bons e precisos), mas como uma realidade eclesial que, em grande parte, se reflete, mas é reduzida no filme, duas pessoas que conseguem dialogar e se aproximar em suas diferentes posições - o que causa uma sensação agradável nos espectadores - mas que não enfrenta os problemas reais e urgentes que precisam ser resolvidos na igreja e não mostra de que maneira ou por onde continuar caminhando.

Pessoalmente, acredito que os dois modelos eclesiais que o filme apresenta não são simplesmente um "pluralismo" que deve ser aceito, mas um imenso desafio a ser resolvido. O desejo de uma igreja “pobre e para os pobres” com a qual Francisco iniciou seu pontificado não é simplesmente um desejo seu, pessoal, mas recorda a intencionalidade de João XXIII em convocar o Concílio Vaticano II e a recepção criativa e fiel que as conferências de Medellín e Puebla fizeram dele em solo latino-americano. Esse acontecimento conciliar supos um movimento forte de conversão, um novo paradigma teológico e eclesial, um olhar para as origens e reorientar a direção que a passagem de séculos e as circunstâncias históricas foram desviando por tantas causas que muitas vezes era quase impossível evitar. Mas, se cumpriu, como o próprio Jesus viveu em sua encarnação histórica, que os profetas são perseguidos e mortos. O Vaticano II e sua recepção, de diferentes maneiras criativas, foram perseguidos, caluniados, afogados, desacreditados a ponto de fazer muitos acreditarem, com sinceridade, que o Vaticano II havia exagerado e até entendido errado e, portanto, era necessário retornar à "segurança" da doutrina prévaticana.No entanto, como o Espírito não cessa de soprar (Jo 3,8), Francisco voltou a colocar, na linha de frente, a urgência de uma conversão ao evangelho, ao verdadeiramente essencial, à realidade humana atingida por tantas situações particulares.

Uma conversão à misericórdia, à encarnação, à defesa dos mais pobres e excluídos de cada tempo presente, sem negligenciar a criação - a casa comum -, hoje também sobrecarregada e em perigo de destruição que afeta a todos nós .Para mim, portanto, o filme "Os dois papas" não me deixa com o conhecimento alegre de duas pessoas que acabam compartilhando o cotidiano da música ou do futebol, mas com a profunda questão de quando daremos esse passo institucional de profunda conversão ( e digo "institucional" porque, no nível "pessoal", a história é cheia de fidelidade e mártires, especialmente em nosso continente).Não. Não aspiro ao pluralismo de dois modelos eclesiais que parecem coexistir, mas ao pluralismo de realidades diferentes - culturais, religiosas, sociais, ecológicas, genéricas etc. -, mas todas assumidas pelos valores do evangelho que forma aquela comunidade. de irmãos e irmãs onde os pastores têm cheiro de ovelha e ninguém passa necessidade porque a fé e, é claro, os bens são compartilhados.O filme "Os dois papas" entretém como muitos outros filmes (embora aqueles que não são tão envolvidos no eclesial não entendam algumas coisas e até pareça pesado o excessivo diálogo), mas o compromisso cristão vai além do entretenimento: não deixa de vigiar como as virgens prudentes esperando o noivo chegar com as lâmpadas acesas (Mt 25, 1-13).

Uma igreja pobre e para os pobres não é o desejo de um papa, mas uma exigência do evangelho que a prodigalidade e o poder da estrutura eclesial em muitos casos não permitem realizar. Mas um novo ano convida a um novo começo e, no caso eclesial, para continuar impulsionando uma verdadeira reforma ou conversão eclesial, onde os pobres estão no centro e a libertação que traz as boas novas do reino se faça realidade (Lc 4:18-19). (Tradução DM)

 

Fonte: Ameríndiaenlared

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