Formação Leigos
24/11/2021 Robson Ribeiro de Oliveira Castro Edição 3942 A hora dos leigos, sua condição e atuação na Igreja
F/ Periodista Digital
"É preciso caminhar e dialogar com a realidade, ser sujeito eclesial e autêntico com a fé que professa, por isso, celebrar a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, onde também se celebra o Dia do Leigo, é um chamado a participar ativamente da vida e da missão da Igreja, na comunidade e no mundo."

Robson Ribeiro de Oliveira Castro

A realidade de uma “Igreja em saída”, um termo utilizado pelo papa Francisco na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, parágrafo 24, se traduz, de forma completa como uma Igreja missionária, capaz de sair de si mesma para chegar a todos.

Assim só se torna possível uma “Igreja em saída” por meio da atuação autêntica e missionária do laicato. A convocação do Papa Francisco para o próximo Sínodo dos Bispos (2023) compromete a todos. Para tanto, o protagonismo do leigo, só se faz coerente quando se coloca em constante atuação e não dá espaços para o clericalismo. Diante desta realidade, esse é o grande problema, um clericalismo laical se esquecendo da sua missão e da sua real condição na sociedade.

Tratando de sociedade e das comunidades, há uma carência na formação, principalmente em temas como Doutrina Social da Igreja, fé e política (envolvimento do cristão na política), além de se aprimorar o desenvolvimento da fé verdadeira, tratando-se de uma fé encarnada e não apenas um recitar de orações prontas.

Para tanto o leigo deve saber, de fato, onde é o seu lugar, onde deve estar e como deve agir, senão, será mais um que preenche os bancos das igrejas e não agrega valor às formações. É preciso resgatar o aspecto de ser um verdadeiro Discípulo Missionário, como nos apresentava o Documento de Aparecida: “O discípulo missionário, a quem Deus confiou a criação, deve contemplá-la, cuidar dela e utilizá-la, respeitando sempre a ordem dada pelo Criador”. (DAp, n. 125).

Cristo, modelo de ser humano e autêntico em suas ações buscava fazer da sua vida um verdadeiro encontro com os que mais precisavam. Desta maneira e para viver o mistério do Cristo, a nossa condição deve ser autêntica pela fé e caminho que professa: é preciso participar, e se fazer parte, da vida da comunidade de fé, ou seja, ser protagonista. É necessário que o cristão compreenda esta condição e se torne uma chama viva, “sal da terra e luz do mundo” (cf. Mt 5,13) em sua família cristã e comunidade paroquial, pois “Sem uma participação ativa na celebração eucarística dominical e nas festas de preceito, não existirá um discípulo missionário maduro”. (DAp, n. 252).

De fato, a fé, principalmente em tempos de incertezas, deve ser o nosso alicerce. Sendo assim, “a fé que se encarnou na cultura pode ser aprofundada e penetrar cada vez mais na forma de viver de nossos povos. Mas isso só pode acontecer se valorizarmos positivamente o que o Espírito Santo já semeou”. (DAp, n. 262) Com esta certeza, conscientes de toda a proposta e caminhada evangélica, devemos nos comprometer em ser anunciadores da Boa Nova em nossa realidades, porém não deixando de lado o caminho percorrido.

É preciso caminhar e dialogar com a realidade, ser sujeito eclesial e autêntico com a fé que professa, por isso, celebrar a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, onde também se celebra o Dia do Leigo, é um chamado a participar ativamente da vida e da missão da Igreja, na comunidade e no mundo.

Destarte, falar que é a hora do leigo e nos colocar ao serviço do Reino. Não podemos nos deixar levar pela clericalização do leigo; para tanto o leigo deve tratar suas metas e objetivos.

Atento a esta condição, devemos colaborar com o que já existe do CNLB (Conselho Nacional do Laicato do Brasil), suas formações, conteúdos e materiais publicados. Assim, devemos atender ao clamor do Documento de Aparecida em seu número 362: “Assumimos o compromisso de uma grande missão […] que de nós exigirá aprofundar e enriquecer todas as razões e motivações que permitam converter cada cristão em discípulo missionário. Necessitamos desenvolver a dimensão missionária da vida de Cristo. A Igreja necessita de forte comoção que a impeça de se instalar na comodidade, no estancamento e na indiferença, à margem do sofrimento dos pobres.”

Robson é eigo, casado, pai da Emília e do Francisco. Mestre em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), em BH. Membro do Conselho Regional de Formação (CRF) – LESTE II do CNLB.

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