Formação Espiritualidade
16/12/2019 Dom Paulo Mendes Peixoto Edição 3917 A confiança dos antigos
F/ jw.org
"Abraão, enfatizado pela sabedoria divina, fez um caminho bonito de fé."

 

Dom Paulo Mendes Peixoto - Arcebispo de Uberaba, MG

 

O Papa Francisco, na Exortação “Gaudete et Exsultate”, cita dois inimigos sutis da santidade que, por sua vez, ferem também o sentido real da verdadeira fé: o gnosticismo e o pelagianismo. São heresias do início do cristianismo, mas alarmantes também nos dias de hoje, porque apresentam propostas enganosas sobre a verdade, impondo uma roupagem que impede a ação da graça de Deus.

Abraão, enfatizado pela sabedoria divina, fez um caminho bonito de fé, legando-nos uma confiança incondicional em Deus. Enfrentou situações conflitantes de prova e não se deixou levar pelos males de seu tempo. O seu modo autêntico de agir não ficou preso a uma vazia racionalidade e aos sentimentos superficiais, dentro daquilo que propõem o gnosticismo e o pelagianismo modernos.

O transcurso da história das pessoas tem marcas profundas de desmotivação da fé. A Palavra de Deus, contida na Bíblia, passa por outro caminho, porque ali encontramos, no meio de dificuldades, grandes motivações que conduzem a uma verdadeira confiança em Deus. Muitos personagens bíblicos confirmam essa realidade: além de Abraão, Moisés, os profetas, várias mulheres, os apóstolos etc.

A fidelidade de Deus na realização de suas promessas é motivadora de fé para as pessoas. Para aqueles que seguem e têm intimidade com Jesus Cristo, a fé é uma identidade em suas vidas, inclusive com capacidade de abertura para o encontro com o outro na comunidade. Fé, talvez mais do que confiança, que proporciona ao indivíduo “buscar o Reino de Deus” acima de todas as coisas.

Os antigos tinham uma visão de Deus com características de pastor. Eram imbuídos de confiança e consciência de estarem sob sua proteção. Jesus mostra que as coisas e os bens do mundo são efêmeros e passageiros. Para Ele, a vocação do ser humano, como gesto de responsabilidade e permanente vigilância, tem sua plena sustentação e firmeza na confiança e na fé em Deus.

O que servia mesmo de base para preservar a confiança das pessoas antigas, principalmente do Velho Testamento, era a espera da manifestação do Reino, conforme as promessas de Deus. Assim, podemos definir a fé, nas palavras de Sagrada Escritura, como sendo “um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se veem”. (Hb 11,1.) Fé, que é eficaz no cristão.

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