Roteiros Pastorais Homilética
27/03/2019 Revista O Lutador Edição 3908 8º Domingo do Tempo Comum - 3/03/2019 “Perdoem e serão perdoados.” (Lc 6,37c)
Foto: Wikipedia

Leituras: Eclo 27,5-8; Sl 91[92]; 1Cor 15,54-58; Lc 6,39-45

 

1. A boca e o coração.

A preocupação da 1ª Leitura é com a língua. O homem se revela com sua conversa. O autor apresenta três experiências da sua vida e tira três conclusões: a peneira sacudida que só deixa refugos, os vasos provados ao forno e os frutos das árvores. Assim, “os defeitos de um homem aparecem no falar”, “o homem é provado por sua conversa”, “a palavra mostra o coração do homem”. E a conclusão: “Não elogieis a ninguém, antes de ouvi-lo falar, pois é no falar que o homem se revela”.

Todo mundo tem experiência de sobra sobre o que o autor está falando. Fala-se que Deus nos deu dois ouvidos e uma só boca para escutarmos mais e falarmos menos. É bom conversar com uma pessoa que sabe escutar, que não fala o tempo todo, mas valoriza a opinião da gente. Quem fala pouco, erra menos.

Este texto é do início do séc. II, quando os Selêucidas dominavam a Judeia, impondo o imperialismo cultural e religioso. O povo devia mudar sua religião e seus costumes e adotar a religião, a língua e os costumes gregos. Em outras palavras, o povo corria o risco de perder sua identidade diante da nova ideologia do império.

O objetivo do Livro de Eclesiástico é preservar a identidade do povo, conservar suas raízes culturais e religiosas e manter a fé. Os dominadores queriam destruir tudo isso para unificar o Império.

 

2. A obra do Senhor.

Paulo apresenta o triunfo da vida sobre a morte, graças à ressurreição de Cristo, e tira as consequências práticas de sua doutrina. Em Corinto, uns negavam a ressurreição e desvalorizavam o corpo, pois não acreditavam na vida além da morte; outros só afirmavam a imortalidade da alma, em consequência da mentalidade grega dualista, que ensina que o homem é composto de alma e corpo, a alma é boa e o corpo não presta. Os cristãos estavam deixando-se levar por esta mentalidade e até negando a ressurreição de Jesus.

Paulo mostra a unidade do homem. O homem é um corpo animado, ou o espírito encarnado. Ele nasce assim e ressuscita assim. Paulo afirma a vitória final da vida sobre a morte, quando “este ser mortal estiver vestido de incorruptibilidade”, de imortalidade. O homem todo na sua carne e no seu espírito, corpo e alma, será ressuscitado.

“Portanto os cristãos precisam ser firmes e inabaláveis na fé que receberam, e devem empenhar-se cada vez mais na obra do Senhor”, num agir conforme o espírito de Cristo, traduzido na atividade apostólica e sintetizado no mandamento do amor-serviço.

Trabalho inútil? Não. Paulo faz questão de frisar que é preciso trabalhar na Obra do Senhor, conscientes de que o cansaço do cristão engajado não será em vão. Tudo isso porque Cristo ressuscitou e com ele todos nós ressuscitaremos.

 

3. Ser como o Mestre.

O Discípulo não é maior que o mestre, pode ser no máximo como o mestre. Quem é o Mestre? É o próprio Jesus, e ele não veio para julgar, nem para condenar (v. 37). Uma comunidade sem julgamentos é uma comunidade renovada, segundo o coração do Mestre.

“Cisco no olho” significa um erro, falta ou pecado. Facilmente enxergamos o erro do nosso irmão, mas dificilmente enxergamos o nosso, que muitas vezes é maior (= trave, em contraposição a cisco, graveto). Enxergar e querer corrigir o erro do outro já é um julgamento, e só a Deus cabe julgar. Jesus chama de hipócrita quem pretende corrigir o outro, quando seus próprios erros são maiores.

Na verdade, ele quer que evitemos uma religião de hipocrisia e julgamentos, quando todos nós temos falhas e pretendemos ser guias e juízes dos outros. Ele não ensina que não devemos ajudar o irmão a sair do erro, mas que devemos estar atentos com o nosso proceder correto e misericordioso: ser como mestre.

Quem é bom tem um coração do qual saem coisas boas. Quem é mau tem um coração do qual só saem coisas más. “A boca fala do que o coração está cheio.” Jesus, o Mestre, é a árvore boa, é o homem do coração bom. O discípulo fiel vai agir como um Mestre.

Procuramos imitar o bem que há nos outros e evitar o mal que enxergamos nos outros? Não seria melhor empreendermos um esforço novo de elogiar mais do que criticar?

 

Leituras da semana

dia 4: Eclo 17,20-28; Sl 31[32],1-2.5.6.7; Mc 10,17-27

dia 5: Eclo 35,1-15; Sl 49[50],5-6.7-8.14 e 23; Mc 10,28-31

dia 6: Jl 2,12-18; Sl 50[51],3-4.5-6a.12-13.14.17; 2Cor 5,20 – 6,2; Mt 6,1-6.16-18

dia 7: Dt 30,15-20; Sl 1,1-2.3.4 e 6; Lc 9,22-25

dia 8: Is 58,1-9a; Sl 50[51],3-4.5.6a.18-19; Mt 9,14-15

dia 9: Is 58,9b-14; Sl 85[86],1-2.3-4.5-6; Lc 5,27-32

 

 

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