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24/12/2020 Antônio Carlos Santini Edição 3931 7. O SOL
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"Enquanto estou no mundo, eu sou a luz do mundo. (Jo 9,5) Sua face era como o sol, quando brilha com todo o seu esplendor. (Ap 1,16b)"
  1. SOL

“O seu rosto resplandeceu como o sol

e suas vestes tornaram-se alvas como a luz.” (Mt 17,2b)

 

Desde os primeiros séculos do cristianismo, a liturgia aplicou a Cristo o título de “sol da justiça”, inspirado na passagem de Malaquias 3,20: “Mas para vós que temeis o meu nome, brilhará o sol da justiça, que tem a cura em seus raios”. O cântico de Zacarias (Lc 1,68-79) atribui à misericórdia do Senhor a visita do “Astro das alturas” para iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte. No texto grego, lemos a palavra “anatolê”; em latim, “oriens”: referências claras ao sol nascente.

Encaixa-se nesta simbologia a definição que o próprio Jesus fez de si mesmo: “Enquanto estou no mundo, eu sou a luz do mundo”. (Jo 9,5) A mesma imagem se manifesta na visão do apóstolo na ilha de Patmos, quando descreve o Filho do Homem (Cristo): “Sua face era como o sol, quando brilha com todo o seu esplendor”. (Ap 1,16b)

Segundo o Gênesis, o sol foi criado por Deus no 4º dia (cf. Gn 1,14-19) com a função de “governar o dia”. Sua irradiação canta para o universo a glória do Criador (cf. Eclo 42,16). Na linha das religiões primitivas, também o AT usa a imagem do sol para falar de Deus: “Porque Yahweh é sol e escudo, Deus concede graça e glória”. (Sl 84,12) As duas metáforas apontam para Deus como fonte de vida e proteção.

À medida que o fiel se aproxima de Deus, manifesta-se nele a “luz” irradiada por Deus. Jesus revelou que, no fim dos tempos, por ocasião do Juízo, “os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai”. (Mt 13,43) Não admira que as imagens litúrgicas tenham envolvido a Mãe de Deus em nimbos de luz e coroas de ouro, apoiadas em Apocalipse 12, onde a Mulher aparece “revestida de sol”.

Vale lembrar que os templos cristãos tinham até recentemente os seus edifícios orientados para o leste, ou seja, para o nascer do sol, como referência a Cristo ressuscitado.

Em flagrante contraste, no momento da morte de Jesus, o sol foi velado: “Era já mais ou menos a hora sexta quando houve treva sobre a terra inteira, até a hora nona, tendo desaparecido o sol”. (Lc 23,44a)

Enfim, como imagem do amor divino, o Pai “faz nascer o seu sol sobre maus e bons”. (Mt 5,45)

Alguns textos bíblicos:Jz 5,31b; Sl 19,5b-7; Sl 136,7-8; Ct 6,10; Is 60,20.

 

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