Roteiros Pastorais Palavra de Vida
07/01/2020 Antônio Carlos Santini Edição 7/01/2020 – Para que os distribuíssem... (Mc 6,34-44)

PALAVRA DE VIDA

7/01/2020 – Para que os distribuíssem... (Mc 6,34-44)

            A multidão tem fome. O lugar é deserto. O bom senso manda que o Mestre mande embora o povo: “Despede-os!” (Mc 6,36) Esta parece ser a solução prática, pragmática, de quem está cansado da multidão. Mas não é a solução de Jesus.

            Que faz o Mestre? Toma o pouco alimento disponível – 5 pães e 2 peixes! – e o multiplica. E “ia dando-o aos discípulos para que o distribuíssem”. O dom é de Deus, mas se dirige ao povo.

            Como não recordar o ensinamento do primeiro Papa? “Como bons administradores da multiforme graça de Deus, cada um de vós ponha à disposição dos outros o dom que recebeu”. (1Pd 4,10)

            Pode não ser ouro nem prata, Pedro sabia disso ao acolher o aleijado de Atos 3,6: “Ouro e prata não tenho, mas o que tenho te dou: em nome de Jesus Nazareno, levanta-te e anda!”

            O exemplo de Jesus não pode ser ignorado pela comunidade cristã: toda acumulação de dons – seja o dinheiro ou a terra, o saber ou técnica – deve ser vista como um abuso, como uma rapina contra o necessitado. Paróquias que recebem o dízimo e o acumulam em poupanças são uma negação detestável da mensagem do Evangelho.

            Nossos jovens estudantes são estimulados a estudar para, no futuro, terem um bom emprego e um bom salário. Isto não é uma motivação cristã, mas pagã. Os jovens deveriam ouvir outro tipo de estímulo: - “Estude sério, adquira conhecimentos, habilidades e técnicas que lhe permitam, no futuro, atender às necessidades dos mais pobres e servir aos necessitados”.

            É verdade que muita gente está praticando este Evangelho. Muitos profissionais se gastam em comunidades pobres, lecionam em escolas da periferia, vão em missão a países da África e ali imitam o exemplo de Jesus, mesmo que não sejam “pessoal da Igreja”.

            Lembro-me do amigo italiano que, decepcionado, deixou o sacerdócio nos anos 60, estudou medicina e se especializou nas artes médicas da China. Passava seis meses na Itália, curando os ricos de doenças crônicas, juntava dinheiro e passava seis meses na África, cuidando da saúde dos miseráveis. Distribuía o dom recebido...

            Que dons eu recebi para distribuir aos irmãos?

Orai sem cessar: “Graças a mim é que produzes fruto!” (Os 14,8)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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