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20/01/2020 Dom Emanuel Messias de Oliveira Edição 3919 6º Domingo do Tempo Comum - 16/02/2020 “Não vim para abolir, mas para cumprir” (Mt 5,17b)
F/ Eu sem fronteiras
"Quem precisa de juramento é porque carece de credibilidade. O cristão deve falar apenas a verdade..."

 

Leituras: Eclo 15,16-21; Sl 118[119]; 1Cor 2,6-10; Mt 5,17-37

 

  1. Entre a morte e a vida. O Livro do Eclesiástico foi escrito em hebraico, no início do séc. II a.C., e depois traduzido para o grego. Sua intenção é salvaguardar a identidade do povo judeu e suas tradições contra o imperialismo cultural dos selêucidas que, para unificar o Império, adotaram uma política de assimilação da cultura, religião e costumes gregos.

O trecho de hoje aborda o problema da liberdade. Diante de tantos males que envolvem o ser humano, é fácil ceder ao pensamento dominante de que tudo depende da divindade, tanto o bem quanto o mal. Os vv.11 e 12 refletem o pensamento comum: Não digas: “De Deus vem o meu pecado!”, pois Deus não faz o que Ele próprio detesta. Não digas: “Ele me induziu”, pois Deus não precisa dos ímpios.

O autor contesta este modo de pensar e afirma a liberdade humana. Observar os mandamentos e ser fiel depende da escolha humana. Diante de cada um, Deus colocou o fogo e a água, ou seja, a morte e a vida. A cada um será dado o que cada um escolher.

A responsabilidade do mal está nas mãos dos homens, e não nas mãos de Deus. Na verdade, o que Deus quer é que o homem escolha a vida. Aqui está o uso da liberdade. Escolher o pecado e a morte é abuso da liberdade.

 

  1. As duas sabedorias. Paulo contrapõe a sabedoria dos homens e a sabedoria de Deus. A dos homens é acompanhada da oratória, do brilho, de artifícios para seduzir os ouvintes. Ela é dada por este mundo, pelos letrados e poderosos. A sabedoria de Deus, entretanto, provém do poder de Deus que confunde sábios e poderosos.

É só aos maduros na fé que Paulo fala dessa sabedoria. São aqueles que acolheram Jesus crucificado na globalidade do seu mistério de encarnação, morte e ressurreição. Deus nos ama profundamente e, por isso, pensou em nós desde o início do mundo. Esse projeto de Amor, ele nos revelou pelo seu Espírito, que sonda todas as coisas, até mesmo as profundidades de Deus. A sabedoria de Deus se concretiza e se condensa em Jesus Cristo crucificado. Estas coisas, ocultas aos sábios e prudentes, Deus as revelou apenas aos pequeninos, aos que o amam.

 

  1. O caminho da vida. A tônica do capítulo é a justiça do Reino. Estamos no Sermão da Montanha, que ocupa os capítulos 5-7.
  2. a) Jesus não veio abolir a "Lei e os Profetas", ou seja, não veio acabar com o Primeiro Testamento, mas realizar as promessas de Deus. Realizar a lei nos pequenos detalhes (v. 18) não significa atender a todas as suas minúcias, mas buscar nela inspiração para a justiça e a misericórdia, para cumprir toda a justiça em favor da vida (cf. 3,15). É esse o programa de Jesus.

Na verdade, o núcleo do capítulo está no v. 20: a superação da justiça dos doutores da Lei e dos fariseus. A antítese do v. 19: “maior” e “menor” no Reino significa, simplesmente, estar comprometido com o Reino (= maior no Reino) e posicionar-se fora do Reino (= menor no Reino).

  1. b) A preocupação de Jesus vai além do homicídio. Busca evitar tudo aquilo que conduz à morte: a ira, o insulto, o xingamento, a inimizade. O caminho da vida passa pela reconciliação.
  2. c) Adultério e fidelidade. Não apenas o adultério é proibido, mas até mesmo o desejo de adultério. Na verdade, o adultério começa com o olhar de desejo, por isso o mal deve ser cortado pela raiz. “Arrancar o olho” e “cortar a mão” são expressões metafóricas, não devem ser interpretadas ao pé da letra: significam erradicar a cobiça (= olho) e as ações (= mão) que lhe seguem.

O v. 32 parece favorecer o divórcio! A Igreja, porém, sempre interpretou a palavra "pornéia" (o texto diz: a não ser em caso de "pornéia") como união ilegítima, por causa de grau de parentesco, que trazia impedimento matrimonial segundo a Lei (cf. Lv 18,16-18; At 15,29).

  1. d) Jesus proíbe qualquer juramento. Quem precisa de juramento é porque carece de credibilidade. O cristão deve falar apenas a verdade, doa a quem doer. Ele deve ser coerente com a verdade em relação a si próprio, aos outros e a Deus.

 

Leituras da semana

dia 17: Tg 1,1-11; Sl 118,67-68.71-72.75-76; Mc 8,11-13

dia 18: Tg 1,12-18; Sl 93,12-13a.14-15.18-19; Mc 8,14-21

dia 19: Tg 1,19-27; Sl 14,2-4b.5; Mc 8,22-26

dia 20: Tg 2,1-9; Sl 33,2-7; Mc 8,27-33

dia 21: Tg 2,14-24.26; Sl 111,1-6; Mc 8,34 – 9,1

dia 22: 1Pd 5,1-4; Sl 22,1-6; Mt 16,13-19

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