Roteiros Pastorais Homilética
24/05/2019 Dom Emanuel Messias de Oliveira Edição 3911 6º Domingo da Páscoa - 26/05/2019 Dou-vos minha paz!
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"O Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará tudo. [Jo 14,26]"

6o Domingo da Páscoa - 26/05/2019

 

Leituras: At 15,1-2.22-29; Sl 66[67]; Ap 21,10-14.22-23; Jo 14,23-29

Destaque: “O Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará tudo.” [Jo 14,26]

 

  1. Da controvérsia à unidade. Homens da Judeia, sem autorização apostólica (cf. v. 24) ensinavam, em Antioquia, a necessidade da circuncisão para serem salvos. Paulo ensinava que os pagãos, pela fé, são chamados a fazer parte do povo de Deus, e é pela fé, independentemente das obras da Lei, que eles são salvos. Estes dois pontos de vista provocaram grande controvérsia entre eles.

A solução foi apelar para os apóstolos e presbíteros de Jerusalém. As conclusões foram redigidas numa carta e enviadas para Antioquia. Eis os pontos principais:

- Fica claro que os homens da Judéia que ensinavam a circuncisão, perturbando a comunidade, não tinham autorização apostólica (v.24).

- Mostra a dignidade e a confiabilidade dos mediadores do conflito (vv. 25-27). Paulo e Barnabé recebem um grande elogio, são considerados “amados” e expuseram suas vidas pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Diante dos conflitos e novos desafios pastorais, o Espírito Santo está à frente para orientar as comunidades (v. 28).

- Os apóstolos só exigem o necessário. E fica claro que, para se salvar, não são necessárias a circuncisão nem a prática da Lei de Moisés.

 

  1. A nova Jerusalém. Da montanha, o anjo mostrou para João a cidade Santa, a Jerusalém que descia do céu como um dom divino e vinha com a glória de Deus (vv. 10-11). Ela vinha como esposa, ornada para seu esposo, que é o Cordeiro.

Aqui, o texto a apresenta como puro dom, como conquista do Cordeiro. Em outros lugares, sabemos que a nova sociedade se funda a partir do anúncio evangélico e como resultado de sua vivência na luta pela justiça e liberdade.

A cidade vislumbrada por João tem o esplendor de Deus. É uma sociedade perfeita e aberta a todos os povos (muralha com 12 portas – 3 portas abertas para cada um dos quatro pontos cardeais). A perfeição é indicada pelos números perfeitos: o 4 e o 3, e o resultado de sua multiplicação, que é 12. A perfeição da cidade é também indicada pela perfeição de suas medidas e pala qualidade do material de sua constituição.

O Templo, lugar de encontro com Deus através de diversas mediações, foi substituído pelo próprio Deus e pelo Cordeiro a quem o povo contempla face a face. Sol e lua também desapareceram, pois a cidade resplandece com a glória de Deus.

Como transformar a nós mesmos e a nossa comunidade em esposa do Cordeiro? Devemos esperar tudo caindo do céu? Qual é a missão que Cristo nos confiou?

 

  1. Dou-vos minha paz! A pergunta de Judas - não o Iscariotes (v. 22) - implica a manifestação de Jesus como Messias glorioso só na linha política, transformando a sociedade através da violência de um exército imbatível. Jesus responde apontando com a arma do amor. O compromisso do amor vai transformar a sociedade. Esse compromisso do amor a Jesus tem três consequências:

- Quem ama a Jesus guarda a sua palavra e sua palavra é a palavra do Pai (v. 24).

- Quem ama a Jesus é amado pelo Pai.

- Quem ama a Jesus se torna habitação de Deus.

As três podem ser sintetizadas em uma só: quem ama a Jesus assume com ele o projeto do Pai, que é o mesmo projeto do Filho: levar a vida divina a todos, principalmente, aos mais excluídos.

Jesus está se despedindo de seus discípulos, mas a herança que deixou - seus gestos e ensinamentos - não será esquecida. Em nome de Jesus ou junto com Jesus, o Pai enviará o Espírito Santo sobre os discípulos. Sua missão não é ensinar novidades, pois Jesus, como plenitude da revelação do Pai, já ensinou tudo. “Ensinar e recordar tudo” significa trazer à memória dos discípulos o sentido profundo de todas as ações e palavras de Jesus. O Espírito substitui a presença física de Jesus. É sua presença espiritual junto aos discípulos. É mestre e advogado (= Paráclito) para os discípulos. Ele os capacita no discernimento do que constrói e conduz à vida.

Diante da tristeza e medo dos discípulos, Jesus lhes transmite paz (= shalom), uma paz que não é ausência de conflitos, mas uma certeza da presença de Deus na vida deles, dando-lhes serenidade e coragem até mesmo diante da morte, na convicção de que o bem triunfa sobre o mal, a vida será restituída para todos aqueles que amam o Filho e fazem a vontade do Pai.

Eles não precisam ficar com medo; pelo contrário, podem ficar alegres, pois Jesus vai para o Pai, a quem ele se submeteu totalmente. É preciso apenas que eles tenham um amor confiante, pois Jesus retornará a eles através de seu Espírito Santo.

O que significa “força transformadora do amor”? É algo alienante ou revolucionário?

 

Leituras da semana

dia 27: At 16,11-15; Sl 149,1-2.3-4.5-6a e 9b; Jo 15,26 – 16,4a

dia 28: At 16,22-34; Sl 137[138],1-2a.2bc-3.7c-8; Jo 16,5-11

dia 29: At 17,15.22 – 18,1; Sl 148,1-2.11-14d; Jo 16,12-15

dia 30: At 18,1-8; Sl 97[98],1.2-3ab.3cd-4; Jo 16,16-20

dia 31: Sf 3,14-18; (Sl) Is 12,2-3.4bcd.5-6; Lc 1,39-56

dia 1: At 18,23-28; Sl 46[47],2-3.8-9.10; Jo 16,23b-28

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