Roteiros Pastorais Palavra de Vida
06/12/2019 Antônio Carlos Santini Edição 6/12/2019 – Conforme a vossa fé... (Mt 9,27-31)

PALAVRA DE VIDA

6/12/2019 – Conforme a vossa fé... (Mt 9,27-31)

            Jesus, o Filho de Deus que se encarnou e viveu entre nós, tem em suas mãos todo o poder. É o Filho do Onipotente. No entanto, em várias passagens do Evangelho nós o vemos, de certo modo, condicionado em suas ações pela maior ou menor fé dos circunstantes.

            Em sua própria terra, onde era conhecido como carpinteiro, Jesus “não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles” (Mt 13,58). Em outras situações, a ação milagrosa de Jesus está diretamente ligada à fé dos circunstantes, como quando quatro homens desceram um paralítico pelo teto para que Jesus entrasse em contato com ele. E só toma a iniciativa “ao ver a fé que eles tinham” (Mc 2,5)

            No Evangelho de hoje, quando os dois cegos recorrem à compaixão do Mestre, ao tocar os seus olhos ele diz: “Faça-se conforme a vossa fé!” (Mt 9,29) Em outros episódios, Jesus chega a admirar a fé de estrangeiros, como o centurião romano (MT 8,10) e a mulher siro-fenícia (Mt 15,28). Em contraste, quando os adversários cobram de Jesus algum fenômeno à maneira de sinal, ele simplesmente se recusa a dar espetáculo diante de gente incrédula.

            Às vezes, como nesta cura dos dois cegos, Jesus nos dá uma primeira impressão de não estar disposto a atender os clamores dos infelizes, em aparente hesitação, como se quisesse aguçar a fé e a confiança dos suplicantes. De fato, a graça de Deus não é algo automático, uma espécie de magia pronta a acontecer diante de um gesto ou palavra especial. Ao contrário, o Senhor parece esperar que nossa fé – algo que se assemelha menos a um poder pessoal do que um vazio interior, prestes a ser preenchido pelo amor divino – lhe dê a oportunidade de atuar.

            Nas palavras de Hébert Roux, “o Reino e sua justiça devem ser procurados e esperados; é por isso que Jesus quer que peçamos a ele. Além disso, não lhe basta que os dois cegos o honrem com o título de Filho de Davi, pois ele sabe que equívoco pode envolver semelhante expressão no espírito de quem o emprega (cf. Mt 22,41-46). Ele quer também que os que vão até ele como ao Messias prometido e anunciado, reconheçam nele não só o herdeiro do trono terrestre de Davi, mas o Rei do Reino de Deus, cujo poder é o mesmo de Deus”.

            Como seria diferente este mundo se ainda vivêssemos da fé!

Orai sem cessar: “Creio, Senhor, mas aumenta a minha fé!” (Mc 9,24)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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