Roteiros Pastorais Homilética
22/04/2019 Dom Emanuel Messias de Oliveira Edição 3911 5º Domingo da Páscoa - 19/05/2019 “Como eu vos amei, amai-vos uns aos outros.” [Jo 13,34]
Jesus com os discípulos
F/ Tela de Duccio
"Leituras: At 14,21b-27; Sl 144[145]; Ap 21,1-5a; Jo 13,31-33a.34-35"

 

1. Firmes na fé. É o final da 1ª viagem missionária de Paulo e Barnabé. Na ida, eles foram evangelizando e fundando comunidades. Agora, na volta, eles vêm confirmando a fé dos discípulos, fazendo recomendações, exortações e organizando comunidades.

As palavras de exortação a permanecerem na fé assustam um pouco: “É necessário entrarmos no Reino de Deus por muitas tribulações” (v. 22). Jesus fala de “porta estreita”. As comunidades eram perseguidas externamente por judeus e pagãos, e internamente sofriam também o desejo de colocar em prática a novidade evangélica.

O v. 23 faz alusão a um mínimo de organização na comunidade. Um dirigente é indispensável. A palavra “presbítero” significa mais velho; é alguém mais experiente que é colocado na frente. É importante salientar o ritual da constituição dos presbíteros. Tudo é feito com muita seriedade: com orações, jejuns, recomendações e com a imposição das mãos.

O v. 27 salienta a prestação de contas que os missionários fazem à comunidade. Eles saíram encomendados à graça de Deus. É Deus que os acompanha e age através deles com sua força e gratuidade do seu amor. Agora, eles contam o que Deus tinha feito com eles e através deles, e como Deus tinha aberto a porta da fé aos pagãos. Lucas frisa que é Deus o agente principal na atividade apostólica e missionária.

Como encaramos as tribulações em nossa vida como agentes da Palavra? Temos consciência clara de que é Deus que trabalha em nós?

 

2. Deus está conosco. Aqui vemos a novidade de Deus para as comunidades perseguidas. Lágrimas, luto e morte já não existem mais. É a vitória total, mas vista como dom de Deus. Tudo é recriado, renovado. Uma nova Jerusalém desce do céu, vestida de noiva.

João tem a visão de um novo céu, uma nova terra. Desaparecem o primeiro céu e a primeira terra. O mar, como símbolo do mal, devorador de vidas, também desapareceu. Agora só existe o bem, o bonito, a vida. A nova geração baniu a maldição do pecado e da morte.

O v. 2 parece uma cerimônia de casamento: a esposa, Jerusalém renovada e santa, desce do céu ao lado do esposo – o próprio Deus. Esta simbologia matrimonial é cara aos profetas e também ocorre no Novo Testamento. A voz do trono é a grande voz do próprio Deus. Ele declara uma nova aliança sob a imagem da tenda. O namoro íntimo do tempo do deserto é refeito. A imagem da tenda aqui é ampliada para todo o povo de Deus, e o próprio Deus habitará na mesma tenda, pois Deus se tornou íntimo do seu povo, numa nova aliança de amor.

Deus vem abolir toda espécie de mal: as lágrimas e o choro que representam a dor, a fadiga, talvez relembrando a maldição original; o luto, símbolo da morte, e até mesmo a própria morte; tudo que é mal será abolido. É o paraíso projetado por Deus que, no início, foi destruído pelo pecado. Agora só haverá bênção, só haverá vida.

 

3. Amar como Jesus. Os capítulos 13-17 de João são “discursos de despedida”, uma espécie de testamento de Jesus. Os vv. 31 e 32 trazem o verbo glorificar quatro vezes. Quando Judas sai para entregar Jesus à morte, Jesus fala da glorificação.

“Glorificar”, para João, está ligado a revelar. A glória de Deus e de Jesus é a revelação do seu projeto de vida para todos. Isto vai acontecendo através dos sinais de Jesus, a começar em Caná (Jo 2,11), e encontra sua plenitude no maior gesto de amor de Deus para com os homens que é a entrega total de seu Filho na cruz.

Outro termo que nos leva à cruz é o “agora”, pois este tem referência direta com a hora (cf. 13,1) de Jesus que se realiza na plenitude no alto do Calvário. O v. 32 faz referência à ressurreição de Jesus operada pelo Pai

Os vv. 33-35 tratam do amor. A emoção parece levar Jesus a um carinho maior para com o seus discípulos, chamando-os de “filhinhos”. O v. 33 é uma alusão ao caminho da cruz. É ali que a revelação do amor acontece plenamente. O novo preceito de Jesus é o preceito do amor. É novo porque está acima da Lei, superando-a. É expresso através de uma ordem, mas Jesus quer que essa ordem brote do coração do discípulo do mesmo jeito que brotou no coração do Mestre.

No fundo, o mandamento é um jeito novo de viver que Jesus ensinou com sua própria vida. Jesus não pede amor para si, mas entre os discípulos o modelo é o amor do próprio Jesus, pois “ninguém tem maior amor do que quem dá a própria vida pelos amigos” (cf. 15,13). Não há outro modo de sermos reconhecidos como discípulos senão através do amor.

 

Leituras da semana

dia 20: At 14,5-18; Sl 113b[115],1-2.3-4.15-16; Jo 14,21-26

dia 21: At 14,19-28; Sl 144[145],10-11.12-13ab.21; Jo 14,27-31a

dia 22: At 15,1-6; Sl 121[122],1-2.3-4a.4b-5; Jo 15,1-8

dia 23: At 15,7-21; Sl 95[96],1-2a.2b-3.10; Jo 15,9-11

dia 24: At 15,22-31; Sl 56[57],8-9.10-12; Jo 15,12-17

dia 25: At 16,1-10; Sl 99[100],2.3.5; Jo 15,18-21

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