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18/05/2020 Frei Gilberto Teixeira da Silveira, fsma Edição 3924 5 anos da Encíclica Laudato Si’ – O Despertar da Beleza
F/ Arq. Manaus
"É preciso despertar a sensibilidade humana para o mundo que o cerca. Sentirmo-nos parte desse esplêndido livro escrito por mãos divinas. É necessária uma mudança de mente e coração, uma verdadeira conversão ecológica."

Frei Gilberto Teixeira da Silveira, fsma

No dia 24 de maio de 2015, impelido pelo testemunho de São Francisco de Assis, de quem tomou o nome no ato de sua eleição para bispo de Roma, o Papa Francisco publicou a Carta Encíclica “Laudato si’” sobre o cuidado da casa comum.

Um belo canto de amor ao Criador que manifesta todo o seu amor nas criaturas. Em um capítulo que trás o título de “Evangelho da Criação” o papa ressalta a grandeza e beleza de cada criatura que, em sua unicidade, revelam “a riqueza inesgotável de Deus”. Cada ser tem um papel muito importante no conjunto da criação, assim como cada letra em um livro.

Apresenta, no entanto, um clamor que sobe aos céus, pois “entre os pobres mais abandonados e maltratados, conta-se a nossa terra oprimida e devastada” (LS 2). Poluição, aquecimento global, escassez de água, perda de biodiversidade, deterioração da qualidade de vida humana e degradação social, desigualdade planetária, desrespeito aos ritmos da natureza, exploração desmedida dos recursos naturais, são temas abordados pelo papa que nos convoca a reações mais firmes em defesa da vida.

Ao longo do documento, o pontífice insiste que sempre é possível desenvolver uma nova capacidade de sair de si mesmo rumo ao outro. Sem tal capacidade, não se reconhece às outras criaturas o seu valor, não se sente interesse em cuidar de algo para os outros, não se consegue impor limites para evitar o sofrimento ou a degradação do que nos rodeia. A atitude basilar de se auto-transcender, rompendo com a consciência isolada e a auto-referencialidade, é a raiz que possibilita todo o cuidado dos outros e do meio ambiente; e faz brotar a reação moral de ter em conta o impacto que possa provocar cada ação e decisão pessoal fora de si mesmo. Quando somos capazes de superar o individualismo, pode-se realmente desenvolver um estilo de vida alternativo, marcado por uma  ecologia integral e uma espiritualidade viva, tornando possível mudanças relevantes na sociedade.

Mas, para que esse novo irrompa é preciso que algo seja interrompido. Faz-se necessário o despertar da beleza. Resgatar no homem e na mulher a sua capacidade de contemplação e encantamento. Esse deve ser  o princípio da revolução que esperamos. Ao longo de sua encíclica o Papa Francisco se refere à beleza mais de trinta vezes, como gota d’água a bater sobre uma pedra, lampejos de clareza a provocar as “cabeças duras” que insistem em ver a Terra como uma imensa dispensa onde podem usufruir de tudo e com maior rapidez possível.

É preciso despertar a sensibilidade humana para o mundo que o cerca. Sentirmo-nos parte desse esplêndido livro escrito por mãos divinas. É necessária uma mudança de mente e coração, uma verdadeira conversão ecológica.

É hora de fazermos da religião, das artes, das ciências,  da educação, da comunicação, das empresas, organizações e governos, lugares de um despertar de lideranças criativas, dialogais, que busquem na governabilidade acordos que sustente práticas mais saudáveis para todos. Não podemos nos furtar de uma séria crítica ao paradigma tecnocrático, capitalista, consumista no qual estamos imersos.

“A violência que está no coração humano ferido pelo pecado, vislumbra-se nos sintoma de doenças que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos” (LS 2). Assim, o Papa nos chama à consciência nesse tempo de pandemia. A COVID-19 é apenas um sintoma de uma enfermidade maior que temos que enfrentar: o desencanto com o mundo e a ganância desenfreada que tudo transforma em mercadoria.

Imbuídos por uma espiritualidade ecológica, profundamente marcada pela ressurreição, pela capacidade de resiliência e por uma nova consciência planetária, somos chamados  à esperança  e a verdadeiras atitudes fraternas, de seres encantados com a beleza do Criador que se reflete em todas as suas criaturas, num terno canto de amor.

“Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pela firme resolução de alcançar a sustentabilidade, pela intensificação da luta em prol da justiça e da paz e pela jubilosa celebração da vida” (LS 207).

 

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Para comemorar os cinco anos da Laudato Si’ o Papa Francisco convocou uma “Semana Laudato Si’” para os dias 16 a 24 de maio de 2020. Atendendo a esse apelo pontifício os Franciscanos de Santa Maria dos Anjos estão publicando pequenos vídeos intitulados “Minuto Laudato Si’”, nos quais Frei Gilberto Teixeira apresenta, com objetividade e clareza, os principais pontos abordados pelo papa na Encíclica. Você pode acessar tais vídeos na canal da Fraternidade dos Franciscanos de Santa Maria dos Anjos no Youtube, através do endereço:
https://www.youtube.com/channel/UCrO59antvu5kbOMYvZi862A

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Conheça, também, o livro “O sonhos de uma Mãe violentada – Uma leitura da Carta da Terra à Luz da Laudato Si’, de Frei Gilberto Teixeira da Silveira.

Pode ser adquirido com o próprio autor pelo WhatsApp (32) 99965-6766

 

 

 

 

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