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14/01/2022 Pedro Casaldáliga Edição 3944 4. Uma nova visão de nós mesmos As 7 atitudes fundamentais para viver a Ecologia Integral
F/ Pixabay
"Não somos seres celestiais, mas terrestres, telúricos: somos Terra, a própria Terra que culminou conosco sua aventura evolutiva e a faz mais consciente. Somos Terra, somos como sua própria alma, ela é como nosso corpo. Em nós ela chegou a sentir, refletir e ter responsabilidade."

Em uma perspectiva integral, a ecologia afeta a forma de nos entendermos. Ha milhares de anos nos vimos como “outra coisa”, algo diferente de tudo o que existe no mundo, seres infinitamente superiores, e por isso com direito ao domínio absoluto sobre tudo o que existe na Terra.

Para compreender e expressar isso, criamos crenças e mitos religiosos com fins de “justificação”: teríamos sido criados por Deus separada- mente, no sexto dia da criação, “a sua imagem e semelhança”; apenas nos. Viemos de cima (de Deus), não de baixo (da Terra); de fora deste mundo (somos espirituais e imortais), não de dentro. Porem, as modernas ciências cosmológicas veem as coisas de outro modo:

Somos Terra

* Não viemos de fora, mas de dentro: ou seja, viemos da terra. Nosso corpo e feito de átomos, de elementos que não são eternos, com data de fabricação, elaborados pelas estrelas, na explosão das supernovas, que permitiram a aparição – pela primeira vez – do cálcio para nossos ossos, do ferro para nosso sangue, do fósforo para nosso cérebro. Todos os átomos tem bilhões de anos, desde que explodiu a supernova (Tiamat), que deu origem ao sol. Tudo o que aconteceu ao longo de bilhões de anos de evolução da Terra, e que nos fez possíveis, e a própria “historia sagrada”, não apenas os 4 mil anos de relatos sagrados das religiões.

* Não viemos de cima, não caímos como um pacote pronto e preparado, mas somos uma espécie emergente, formada por evolução a partir de outras que nos antecederam. Somos primatas, da família dos grandes símios, e somos a espécie que permaneceu das varias do gênero homo que percorreram o itinerário evolutivo de ampliação do encéfalo e cérebro, com o qual atingimos um nível de consciência e autoconsciência único no conjunto da Comunidade da Vida.

* Nossa reflexão, nossa espiritualidade, e talvez a atual secularidade e pós-religiosidade são a evolução da Terra e da Vida alem da evolução biológica e genética, alem da evolução cultural. E a Terra e a vida que lhe dão alento, que vivem e se expressam em nos e nos transcende.

Questionarmos tudo isso e requestionarmos a velha forma de nos percebermos separados do mundo, superiores a ele, alheios a tudo o que e cósmico e ecológico significa que estamos voltando a nossa casa, ao nosso lar ecológico, de onde nunca deveríamos ter partido. E voltar a por os pés na Terra, no solo da Vida.

Nós vermos de forma diferente

A partir do modo integralmente ecológico de observar o mundo, vemo-nos de um modo diferente:

* Não fomos criados em um momento dado, mas somos o resultado da evolução de espécies anteriores. Somos uma espécie emergente.

* Não somos seres celestiais, mas terrestres, telúricos: somos Terra, a própria Terra que culminou conosco sua Aventura evolutiva e a faz mais consciente. Somos Terra, somos como sua própria alma, ela e como nosso corpo. Em nos ela chegou a sentir, refletir e ter responsabilidade.

* Não somos o centro do cosmos, nem da Terra e nem do Universo. O antropocentrismo (ver tudo a partir da perspectiva dos interesses humanos) foi uma miragem e um erro o qual a Terra, a Comunidade da Vida e nos próprios estamos pagando caro.

* Somos a evolução da Terra e da Vida alem da evolução biológica e genética. Pertencemos ao Cosmos, ao Universo, a Terra, a Comunidade da Vida. Somos parte do mistério. Acreditamos que estamos separados ou desligados do Cosmos ou somos dele independentes; ser diferentes foi um erro nefasto ainda muito resistente.

 Fonte: Fundação Pedro Casaldáliga

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