Roteiros Pastorais Palavra de Vida
04/07/2020 Antônio Carlos Santini Edição 4/07/2020 – Vinho novo, odres velhos... (Mt 9,14-17)

PALAVRA DE VIDA

4/07/2020 – Vinho novo, odres velhos... (Mt 9,14-17)

            Quando lecionei no Curso Técnico de Química, aprendi que determinado ácido devia ser acondicionado em frascos de barro, pois ele corroía o vidro. Os fabricantes de perfume se esmeram ao escolher o recipiente para suas essências, dando-lhes um ar de nobreza e refinamento.

Também no Oriente, não se guardava o vinho novo em qualquer tipo de odre. O couro ressequido de um odre já usado não resistiria à expansão dos gases de um vinho novo, ainda em fermentação. Acabaria rompido, perdendo-se o vinho e o cantil.

É um sinal de sabedoria encontrar o vaso certo para o conteúdo que vamos guardar. Quando surgiram os primeiros grupos de oração de linha carismática, muitos erros foram cometidos, na sofreguidão de derramar o vinho novo do Espírito, mas sem levar em conta o ressecamento da vida paroquial. Não admira que fossem tantas e tão graves as rejeições experimentadas...

Equívoco semelhante ocorre quando se tenta transmitir a catequese e a doutrina para fiéis (crianças, jovens ou adultos) que ainda não ouviram o querigma, o primeiro anúncio do Evangelho. Que sentido faz para um jovem ouvir falar de sacramentos antes de experimentar em sua vida a presença única de Jesus? Antes de fazer uma opção pessoal pelo único Salvador de nossas vidas?

            É preciso levar em conta a relação entre os vasos e seu conteúdo. Paulo sabia disso, ao contrastar o barro humano e a Graça divina: “Trazemos esse tesouro [a luz em nossos corações] em vasos de barro, para que todos reconheçam que este poder extraordinário vem de Deus e não de nós”, (2Cor 4,7) Ninguém devia iludir-se e superestimar sua própria natureza!

            Olhando à nossa volta, vemos vários setores da Igreja claramente petrificados, mumificados, sem vida e sem movimento. Odres velhos, não? Ao contrário, conheço paróquias vivas, pulsantes, irradiantes, onde foi derramada a água viva do Espírito, renovando previamente os corações que deveriam – depois! – acolher e transmitir a Boa Nova. Ali se experimenta, agora, o vinho novo, borbulhante e capitoso.

            Procissões, novenas, tríduos, cavalgadas, práticas repetidas ao longo de décadas, sem que seus participantes acordem para fome do pobre, para a solidão dos idosos, para a ruína das famílias. Quando virá o fogo do céu?

Orai sem cessar: “Vem, ó Espírito, dos quatro ventos!” (Ez 37,9)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Compartilhe este artigo:
Nome:
E-mail:
E-mail do amigo:
DEIXE UM COMENTÁRIO
TAGS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS