Roteiros Pastorais Palavra de Vida
31/12/2019 Antônio Carlos Santini Edição 31/12/2019 – A Luz brilha nas trevas... (Jo 1,1-18)

PALAVRA DE VIDA

31/12/2019 – A Luz brilha nas trevas... (Jo 1,1-18)

            A liturgia de hoje nos traz o Prólogo do 4º Evangelho: magnífica página da mais profunda teologia, em que o apóstolo João nos fala da comunicação divina que ocorreu na pessoa de Jesus Cristo, o Filho feito homem, que estendeu a sua tenda (cf. v. 14) no meio da humanidade.

            De um lado, as perfeições divinas: luz, glória, graça e verdade; de outro, a profunda escuridão em que mergulhara o homem desde a Queda original. E Deus veio a nós que, como escreve São Paulo, pudemos contemplar sua glória com o rosto descoberto (cf. 2Cor 3,18).

            Louis Bouyer comenta: “Assim nós podemos acompanhar o processo de salvação como São João, ao seguir esta linha, a compreendeu: em Deus, a Vida cuja essência é o amor, sendo a Luz a irradiação desse amor; em nós, a visão dessa Luz trazida até nós pela encarnação do Verbo, e que reproduz em nós o amor que a fizera nascer: ‘Ninguém jamais viu a Deus’, diz São João, mas ‘nós atestamos que o Pai enviou seu Filho como Salvador do mundo... e nós conhecemos o amor que Deus tem por nós e por isso cremos’. (1Jo 4,12.14.16.7-8)

            Nunca nos cansaremos de admirar essa espécie de tropismo que se verifica na atração de Deus pelo pecador, apesar de todas as nossas resistências. Nas palavras de fogo deste Prólogo, evidencia-se o pecado da humanidade, que consiste em uma permanente luta das trevas contra a mesma Luz que vem iluminá-las.

            Para Bouyer, “o contraste se manifesta claramente entre a riqueza infinita de Deus, que não põe limites em seu dom, e o nada da criatura que pretende possuir a si mesma. A Vida divina é a Luz, mas aquilo que os homens chamam vida e a que se apegam tão asperamente, estas são as trevas”.

            Em seus desígnios, Deus escolheu um homem especial para dar testemunho da Luz: João Batista. Consagrado inteiramente ao Senhor desde o ventre de sua mãe, ele atinge o ponto mais elevado ao alcance de um homem (cf. Mt 11,11). Seu testemunho faz dele um canal privilegiado de comunicação entre as duas Alianças, mas também entre Deus e os homens, na função do pedagogo que conduz à Verdade, que é Jesus.

            E sua morte violenta, nas mãos de Herodes, é apenas a prova definitiva de que as trevas resistem a ser iluminadas...

Orai sem cessar: “Na tua luz, Senhor, nós veremos a luz!” (Sl 36,10)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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