Roteiros Pastorais Palavra de Vida
26/09/2020 Antônio Carlos Santini Edição 26/09/2020 – Não compreendiam estas palavras... (Lc 9,43b-45)

PALAVRA DE VIDA

26/09/2020 – Não compreendiam estas palavras... (Lc 9,43b-45)

            Pela segunda vez, Jesus anuncia aos discípulos o desfecho de sua missão na terra: a morte violenta. E aqueles mesmos seguidores que o identificavam como Messias (cf. Mt 16,16) e se dizem dispostos a morrer por ele (cf. Jo 13,37) têm a mente completamente fechada a essa possibilidade. Um Messias derrotado não cabe nas expectativas deles.

            Para Helmut Gollwitzer, “a insistência com que Jesus lhes faz esta advertência acentua a incompreensão de seus discípulos. O evangelista parece querer lembrar aos leitores a extrema dificuldade deles em se representar um Messias sofredor. Os evangelistas mencionam que os discípulos não possuem nenhuma categoria de pensamento preparada para captar esses anúncios, nenhum sistema teológico relativo à cruz e à ressurreição, a reconciliação e a morte expiatória”.

            A cruz de Jesus foi uma surpresa na vida de seus seguidores. Também em nosso itinerário pessoal, a cruz sempre terá o aspecto de surpresa, com seu caráter de inesperado, capaz de gerar interrogações como estas: “Por que eu? Por que meu filho?” Mas sempre com o caráter de uma proposta, aliás, essencial no seguimento do Mestre.

            Mesmo previamente anunciados – e por três vezes, registram os evangelhos! -, os sofrimentos de Jesus permanecem incompreensíveis. “Ainda que prevenidos, os discípulos são abalados pela realidade da cruz, como somente o julgamento de Deus abala os homens. Desmorona no Gólgota toda especulação humana, toda tentativa de explicação. É que a cruz se opõe à razão. Ela confunde todas as soluções às quais o homem poderia chegar por si mesmos e mergulha todo pensamento em total escuridão.” (H. Gollwitzer)

            Não admira que essa mesma cruz fosse vista como escândalo pelos judeus, e como loucura pelos gregos (cf. 1Cor 1,23). Este cegueira diante dos desígnios de Deus deixa entender a que ponto os próprios discípulos tiveram dificuldade em crer na ressurreição de Jesus, a tal ponto foram surpreendidos por ela.

            Não deixa de ser curioso que os discípulos ouvissem o anúncio da Paixão, não o entendessem, mas também não pedissem esclarecimentos (cf. Lc 9,45c), como se temessem entendê-lo.

            Poderíamos afirmar que os seguidores atuais de Jesus já compreendem?

Orai sem cessar: “Senhor, na tua luz veremos a luz!” (Sl 36,10)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Nova Aliança.

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