Roteiros Pastorais Homilética
18/09/2021 Marcelo Barros   Edição 3940 25 Dom. Tempo Comum 19/09/2021 - Qual o Cristo queremos seguir  
F/ GT Art. Minas
"Não compreendem que Jesus aceite ser um messias sofredor e que morre na cruz. Por isso, neste evangelho de hoje, insiste em dar nova formação ao seu pequeno grupo. Pela segunda vez anuncia que vai a Jerusalém onde sofrerá muito e será morto."

 

Neste XXV domingo do ano (B), o evangelho Marcos 9, 30 a 37 nos traz uma nova instrução de Jesus aos discípulos e discípulas. O evangelho diz que Jesus e os discípulos caminhavam pela Galileia, mas Jesus estava clandestino. Não queria que ninguém soubesse e o evangelho explica que a razão era que ele se dedicava ao grupo mais íntimo: instruía os discípulos (e discípulas). Esse relato mostra dois momentos: o primeiro se passa no caminho e Jesus revela aos discípulos o caminho da cruz como caminho que ele aceitou como missão e o segundo em casa em Cafarnaum onde ele escuta, faz perguntas e responde à questão dos discípulos.

Na conclusão da primeira parte do evangelho, que ouvimos no domingo passado, em nome de todos os discípulos e discípulas, Pedro reconhece que Jesus é o Messias, o Cristo de Deus. Jesus pede segredo e começa a explicar como ele se sente chamado a viver essa missão de salvador: enfrentando os poderes vigentes do mundo e se identificando com os últimos até a morte e morte como condenado pelo poder religioso e pelo poder político. O evangelho deixa claro que Pedro e os discípulos querem que Jesus exerça a sua missão de Messias como chefe religioso e político. Não compreendem que Jesus aceite ser um messias sofredor e que morre na cruz. Por isso, neste evangelho de hoje, insiste em dar nova formação ao seu pequeno grupo. Pela segunda vez anuncia que vai a Jerusalém onde sofrerá muito e será morto. Não porque goste de sofrer, nem porque Deus precise que o seu filho morra para salvar o mundo. Jesus não tinha uma visão sacrificial da cruz. A perspectiva era de um profeta que sabia o que lhe esperava e não tinha como fugir. O evangelho conclui dizendo que os discípulos continuavam não compreendendo nada, mas tinham medo de interrogar ou de questionar Jesus.

A segunda parte do evangelho se passa na casa e Jesus pergunta o que os discípulos vinham discutindo pelo caminho. Eles ficaram em silêncio porque a discussão deles era exatamente o contrário da proposta de Jesus. O interesse deles era saber quem ocuparia o primeiro lugar quando Jesus tomasse o poder. Na sociedade da época, essa ambição era normal e até positiva. Só que Jesus revela a contradição profunda. Enquanto ele opta pelo último lugar e toma as decisões de viver a entrega total de sua vida, os discípulos discutem como conseguir a posição mais alta. Jesus é intransigente e diz que quem quiser ser o mais importante seja quem serve aos outros. No lugar do poder, a comunidade de Jesus só terá o serviço.

Quando o evangelho contou essa história nos anos 70, os apóstolos Pedro e os outros eram as pessoas mais importantes para as comunidades. Eram a referência de fé e de autoridade das comunidades. Entretanto, o evangelho não hesita em criticá-los e dizer que eles não compreendiam nada da proposta de Jesus. Será que era para fazê-los pensar que mesmo nos anos 70, os apóstolos continuavam a ter um modelo de Igreja e Jesus tinha outro?

Jesus toma uma criança, coloca-a nos braços, portanto deveria ser uma criança pequena e diz: “Quem receber uma criança como essa por causa do meu nome é a mim que recebe e quem me recebe, recebe Aquele que me enviou”. Receber uma criança pequena é se responsabilizar por ela. É cuidar dela em todos os aspectos. Quem é pai ou mãe sabe o que isso significa.

Não há muito tempo, um rapaz que se preparava para o ministério de padre vivia uma crise e procurou um amigo casado para desabafar. E o amigo o ouviu, mas lhe respondeu: Na noite passada, eu passei a noite toda acordada velando por meu filho de dois anos que estava com febre. E agora estou falando aqui com você, mas estou com o pensamento dividido preocupado em saber se a febre não volta. Você acha que se você estivesse se dedicando a alguém assim, estaria angustiado com os problemas que você me contou?

Para nós, em nossas Igrejas, é preciso termos mais claro quem é o Cristo que seguimos. Se o Cristo que os apóstolos e suas comunidades tinham em mente ao instituir o Cristianismo como comunidades rituais e centradas no poder de Jesus, ou o Cristo pobre e servidor no caminho da cruz que nos chama para vivermos hoje a mesma disposição de entrega e doação reinvertendo a cultura do mundo. Na história, ao instituir ministérios e compreender esses ministérios como sagrados e vindos do próprio Jesus, as Igrejas foram mais no sentido da compreensão messiânica de Pedro e dos discípulos ou no sentido do desejo original de Jesus?

Neste dia, há cem anos, nascia em Recife, Paulo Freire. Fazemos hoje sua memória e recordamos a sua proposta de uma educação libertadora e a partir do diálogo e do confronto com o mundo como ele é. O evangelho de hoje nos mostra que foi isso que Jesus viveu no seu modo de conviver e de dialogar com o grupo dos discípulos e discípulas.

Agora, em nossos dias, o papa Francisco nos propõe refletirmos e aprofundarmos a sinodalidade como caminho normal da Igreja e como modo de sermos discípulos e discípulas de Jesus. Não seria esse o modo atualizado e concreto de vivermos o chamado de Jesus para o serviço e para a cruz? 

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