Roteiros Pastorais Palavra de Vida
25/05/2022 Antônio Carlos Santini Edição 25/05/2022 – Ele vos guiará em toda a verdade... (Jo 16,12-15)

PALAVRA DE VIDA

25/05/2022 – Ele vos guiará em toda a verdade... (Jo 16,12-15)

            Verdade é uma palavra sagrada. Basta dizer que Jesus se define por ela: “Eu sou a verdade” (Jo 14,6). Diante de Pilatos, ele afirmou: “Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz” (Jo 18,37).

            Em tempos de agudo relativismo, muitos repetem a resposta de Pilatos: “Que é a verdade?” E acrescentam na maior cara de pau: “Cada um tem sua verdade”. Como se esta tese subjetivista não fosse absurda, pois considera como “verdades” proposições que se excluem. Afinal, a “verdade” dos terraplanistas merece o nome de verdade?

            Neste Evangelho, Jesus promete aos discípulos o Espírito Santo, que os guiará rumo à verdade total. É o comentário de Hans Urs von Balthasar: “Esta totalidade é o mistério íntimo de Deus, sua natureza, que só ele conhece, pois assim como somente o espírito do homem conhece o interior do homem, assim também – e muito mais! – o interior de Deus está oculto a todos, se ele não o revela por si mesmo e não nos faz participar dele (1Cor 2,10-16)”.

            “Esta abertura de si por parte de Deus – prossegue - é também a “verdade por inteiro”, pois atrás de verdade de Deus ou acima dela não pode existir outra verdade, e toda verdade contida no mundo criado não passa de um reflexo e uma imagem da verdade divina. Mas a verdade interior de Deus é que Deus, enquanto origem e Pai, se comunica desde sempre à sua ‘Palavra’ ou ‘expressão’ ou ‘imagem perfeita’, que é ‘gerada’ nesse dom total. Aí está um ato do amor mais original, ao qual só se pode responder por um amor recíproco igualmente total.”

            Então, a “verdade” de Deus mais profunda é o seu amor, derramado sobre as criaturas? Não seria a verdade uma questão de conceitos, mas de amor?

  1. U. von Balthasar acrescenta: “Quanto mais o amor é incondicionado, mais ele é fecundo: um simples ‘Eu-Tu’ eterno se esgotaria em si mesmo, se o encontro não fosse ao mesmo tempo a produção de um fruto que (como o filho testemunha o encontro dos pais) testemunharia o eterno encontro do Pai e do Filho. Os seres finitos, mesmo quando amam e geram no amor, são seres justapostos, mas o ser infinito que é Deus só pode ser único, e nele os sujeitos amantes só podem existir um no outro”.

            Nem ritos, nem conceitos, nem sacrifícios: a religião é o amor de Deus. O Espírito Santo revela esta verdade...

Orai sem cessar: “Deus é amor...” (1Jo 4,16b)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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