Roteiros Pastorais Palavra de Vida
25/03/2020 Antonio Carlos Santini Edição 25/03/2020 – Eis a escrava do Senhor...(Lc 1,26-38)

PALAVRA DE VIDA

25/03/2020 – Eis a escrava do Senhor...(Lc 1,26-38)

                Na solenidade litúrgica da Anunciação do Senhor, exatamente nove meses antes do Natal, a liturgia celebra o momento da Encarnação do Filho de Jesus. Deus pede a cooperação da Mulher para que o Filho, o Verbo Eterno, possa assumir a natureza humana para nossa salvação.

                Artistas de todas as épocas se inspiraram nesta passagem de Lucas para suas pinturas, ícones, mosaicos, tapeçarias, peças musicais etc. Ali aparecem, frente a frente, o Anjo Gabriel e a Virgem Maria. Ele, em nome de Deus. Ela, em nome da humanidade. Ele, espírito celeste. Ela, filha de Adão, o terroso. Gabriel traz uma proposta: ser a mãe do Messias prometido.

E Maria dá a resposta: “Eis aqui a escrava do Senhor!” Algumas traduções optam por “serva”, mas não é o que está no texto latino de S. Jerônimo (ancillaDomini) nem no grego de São Lucas (doúlekyriou). A palavra “serva” faz pensar em uma empregadinha doméstica, com avental e dragonas nos ombros, com carteira assinada, direitos trabalhistas e horário de trabalho. Ora, escrava é outra coisa!

                A resposta de Maria de Nazaré tem um sentido existencial que toca o profundo de seu ser. É como se Maria dissesse: “Se você acaba de me revelar qual é o desígnio de Deus a meu respeito, quem sou para ter vontade própria e escolher diferentemente? Abro mão, livremente, de minha vontade para aderir de modo pleno àquilo que o Senhor me diz. Deixo de lado qualquer projeto pessoal, pois Deus me diz o que fazer”. Este é o alcance da palavra “escrava”: obediência pronta e incondicional sem levar em conta possíveis prejuízos pessoais. Não se veja nisto uma forma de humilhação, pois os escravos sempre se orgulharam de servir a senhores distintos e merecedores de honra. E ninguém é mais honrado que o Senhor!

                O Salmo 123 retrata fielmente a atenção dos escravos, prontos à obediência e ao serviço: “Como os olhos dos escravos para a mão dos seus amos, / e os olhos de uma escrava para a mão de sua dona, / assim nossos olhos estão voltados para o Senhor, nosso Deus...” (Sl 123,2.) Em geral, os escravos vinham de outros povos, presas de guerra ou adquiridos de mercadores; por isso mesmo, não entendiam o idioma do patrão e deviam prestar atenção às ordens dadas por gestos das mãos e indicação dos dedos. Olhar a mão do dono mostra a utilidade e prontidão do escravo.

                Sei que a simples palavra “escravo” provoca alergias. E que muitos preferem um “deus” que lhes preste serviços, qual gênio da lâmpada. Mas não é assim com a Toda Santa: cheia do Espírito, ela sabe que não há maior glória que servir a Deus...

Orai sem cessar: “Meu Deus, quero fazer o que te agrada!” (Sl 40,9)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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