Roteiros Pastorais Homilética
07/08/2019 Dom Emanuel Messias de Oliveira Edição 3914 24o Domingo do Tempo Comum - 15/09/2019
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"Era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver. [Lc 15,32]"

24o Domingo do Tempo Comum - 15/09/2019

 

Leituras: Ex 32,7-11.13-14; Sl 50[51]; 1Tm 1,12-17; Lc 15,1-32

Destaque: “Era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver.” [Lc 15,32]

 1. O apelo à misericórdia. Depois que o povo adorou o bezerro de ouro, Deus se inflamou de ira, não reconheceu Israel como seu povo e decidiu exterminá-lo. Deus propõe tirar das costas de Moisés o peso de libertar um povo que não sabe valorizar a liberdade, mas prefere continuar na escravidão. Moisés seria um novo Abraão, pois Deus faria dele uma grande nação.

Moisés recusa a proposta de Deus. Como ficariam as promessas feitas a Abraão, Isaac e Jacó? Através de um diálogo muito humano, ficamos conhecendo a grandeza e dignidade de Moisés, como também a bondade e a misericórdia de Deus. Ao invés de contar com o arrependimento do homem, é o próprio Deus que se arrepende, coloca o perdão à frente e deixa viver o seu povo.

Como vai nossa fidelidade ao projeto de vida deste Deus tão humano e misericordioso?

 

2. Deus me fez misericórdia. Paulo deixa Timóteo em Éfeso e agora lhe escreve diante das filosofias e doutrinas erradas, que estão aparecendo na comunidade, diante dos conflitos e arrogâncias das lideranças. O texto de hoje começa com uma ação de graças (v. 12) e termina com um hino de louvor (v. 17).

Qual é o motivo da ação de graças? É o chamado de Cristo Jesus. Ele confia no pecador. Ele não nos chama para o ministério porque somos santos, mas confia em nós por causa de sua própria bondade, misericórdia e gratuidade. Foi assim que aconteceu com Paulo que, antes, era blasfemo, perseguidor e violento. Fiel mesmo é só Jesus, mas a sua graça transbordou no coração de Paulo. O importante é abrir o coração e acolher a palavra fiel de Jesus: “Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o primeiro” (v. 15).

Paulo não quer se comunicar como modelo de perfeição para os líderes que se afastaram da santidade (v. 6), mas apresenta-se como aquela pessoa que se deixou moldar por Deus. Jesus foi tremendamente paciente para com ele e, graças à sua abertura, ele encontrou misericórdia (v. 16). Aqui, sim, está o exemplo de Paulo. Ele é exemplo da misericórdia de Cristo para quem crê.

 

3. Um Deus que é Pai. O capítulo 15 é o coração do Evangelho de Lucas. São três parábolas de misericórdia ou dos três perdidos: a ovelha perdida, a dracma perdida, o filho perdido. Esta parábola do Filho Pródigo deve ser chamada de parábola dos dois filhos e, melhor ainda, parábola do Pai misericordioso.

A introdução é de fundamental importância. De um lado, Jesus e os pecadores. Quem são eles? São pessoas que tinham conduta imoral (adúlteros, mentirosos, prostitutas) ou exerciam profissões consideradas desonestas ou imorais, (cobradores de impostos, pastores, tropeiros, curtidores). Do outro lado, os que criticavam a misericórdia de Jesus: fariseus, doutores da lei, representando a classe dominante e se considerando justos. Jesus conta as parábolas para perceberem que ele age com a atitude do Pai.

O filho pede sua parte da herança ao pai e depois parte para bem distante. Pecar é distanciar-se da casa do Pai com experiências desligadas da fonte do amor e da vida. Mas ele acaba “na lama”, cuidando de porcos, animal imundo para os judeus. Reconhece na miséria absoluta que na casa do Pai até os empregados tinham de tudo. Ensaia sua confissão e decide voltar. Sua esperança é de ser ao menos um empregado. O importante para ele é o pão, que não falta na casa do pai.

Mas o Pai o aguardava ansioso (v. 20). Vendo-o, enche-se de compaixão, corre ao seu encontro e o restabelece na família com toda a dignidade de filho: o beijo é o sinal do perdão; a veste festiva é para um hóspede de honra; a entrega do anel é a restituição de todos os direitos e poderes na família; os sapatos eram luxo de homens livres, que escravos não usavam. Na casa voltou a alegria: “Vamos fazer um banquete. Porque este teu irmão estava morto e tornou a viver, estava perdido e foi encontrado”.

Já o filho mais velho tem todas as qualidades, mas não é capaz de acolher o irmão que volta, nem quer partilhar da alegria do coração do Pai que insiste com amor e ternura para que ele entre para a festa. Gabando-se de sua conduta justa e irrepreensível, chega a criticar a atitude do Pai. A parábola termina com o Pai justificando a sua conduta misericordiosa.

O filho mais novo são todos os pecadores com quem Jesus faz a festa. O filho mais velho são os fariseus e doutores da lei que se consideram justos, mas são incapazes de acolher os irmãos marginalizados e ainda criticavam a atitude de Jesus.

E você? Qual a sua postura?

 

Leituras da semana

dia 16: 1Tm 2,1-8; Sl 27[28],2.7-9; Lc 7,1-10

dia 17: 1Tm 3,1-13; Sl 100[101],1-3ab.5.6; Lc 7,11-17

dia 18: 1Tm 3,14-16; Sl 110[111],1-6; Lc 7,31-35

dia 19: 1Tm 4,12-16; Sl 110[111],7-10; Lc 7,36-50

dia 20: 1Tm 6,2c-12; Sl 48[49],6-10.17-20; Lc 8,1-3

dia 21: Ef 4,1-7.11-13; Sl 18[19],2-5; Mt 9,9-13

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