Roteiros Pastorais Palavra de Vida
23/05/2020 Antônio Carlos Santini Edição 23/05/2020 – Eu saí do Pai... (Jo 16,23b-28)

PALAVRA DE VIDA

23/05/2020 – Eu saí do Pai... (Jo 16,23b-28)

                Ao longo dos evangelhos, aqui e ali alguém levanta interrogações a respeito de Jesus de Nazaré, diante da dificuldade em conciliar a simplicidade do aprendiz de carpinteiro com o poder do taumaturgo e a autoridade do mestre.

                Ora, se ainda havia alguma dúvida a respeito da pessoa de Jesus Cristo e de sua natureza, esta frase do Evangelho constitui a sua plena revelação. “Revelação” no sentido estrito de “retirar o véu” que cobria o mistério e, até então, impedia nosso acesso a ele: “Eu saí do Pai e vim ao mundo”. Sem meias palavras, é a declaração formal de sua divindade, que situa Jesus infinitamente acima de qualquer profeta, ou reformador social, ou dos curandeiros de seu tempo.

                São bem conhecidas as clássicas perguntas acerca da natureza do homem: quem sou? De onde vim? Para onde vou? Neste Evangelho, Jesus quis declarar-se sem reservas, mostrando sua origem (o Pai) e seu alvo (o mundo). É assim que ele manifesta aos discípulos a sua Páscoa (= passagem) desde o seio da Trindade até o encontro direto com a humanidade, quando ele pode ser visto, ouvido e apalpado (cf. 1Jo 1,1). Como escreveu o apóstolo João, “a Vida se manifestou, nós a vimos e testemunhamos, estava junto de nós e se tornou visível para nós”.

                Fortalecida por esta inesperada revelação, a fé dos discípulos consegue agora compreender que Jesus lhes foi enviado como o sinal definitivo do amor do Pai (cf. Jo 3,16). Isto, porém, não impede que eles ouçam com certa angústia a frase seguinte: “Agora eu deixo o mundo e vou para o Pai”. Bem próximo do momento culminante de sua missão, o sacrifício cruento do Calvário, quando leva ao extremo o seu despojamento [kênosis], ao ponto de experimentar em sua humanidade a ausência do Pai, Jesus tem consciência de seu regresso à condição original.

                Diante disso, os discípulos se animam a fazer um ato de fé: “Agora nós sabemos que saíste de Deus”. Frágil declaração, logo posta à prova nos momentos cruciais da prisão e crucificação de seu Mestre! E Jesus sabe disso: “Vós me deixareis sozinhos. Mas eu não estou só. O Pai está sempre comigo”. (Jo 16,32)

                Esta é a fé que a Igreja sustenta ao longo dos séculos: “Tendo feito a purificação dos pecados, [o Filho] sentou-se à direita da majestade divina, nas alturas”. (Hb 1,3c) Mas ele voltará...

 

Orai sem cessar: “No princípio, o Verbo estava junto de Deus.” (Jo 1,1)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Compartilhe este artigo:
Nome:
E-mail:
E-mail do amigo:
DEIXE UM COMENTÁRIO
TAGS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS