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03/01/2022 Vatican News Edição 3944 22 missionários mortos no mundo em 2021
F/ Vatican News
"Segundo dados da Agência Fides, a África infelizmente lidera no mundo em termos do número de missionários mortos. A seguir, América, Ásia e Europa. De 2000 a 2020, foram assassinados 536 missionários em todo o mundo."

 

São amargas as últimas páginas de 2021, um ano que se encerra com o triste balanço de 22 missionários mortos em todo o mundo. Trata-se de 13 sacerdotes, 1 religioso, 2 religiosas e 6 leigos, segundo o dossiê divulgado, nesta quinta-feira (30/12), pela Agência Fides. O maior número de assassinatos ocorreu na África, onde 11 missionários (7 sacerdotes, 2 religiosas e 2 leigos) foram assassinados. Segue a América, com 7 missionários mortos (4 sacerdotes, 1 religioso e 2 leigos), depois a Ásia, onde foram assassinados 3 missionários (1 sacerdote, 2 leigos), e a Europa, onde foi morto 1 sacerdote. Como nos últimos anos, África e América se confirmam no topo deste dramático ranking que, de 2000 a 2020, contou 536 missionários mortos em todo o mundo.

Testemunhas de fé em contextos de violência e degradação

Os evangelizadores mortos não eram engajados em obras extraordinárias, mas estavam simplesmente dando testemunho de sua fé em contextos de violência, desigualdade social, exploração, degradação moral e ambiental. Talvez eram simples párocos e foram sequestrados, torturados e mortos por criminosos sem escrúpulos, gananciosos por dinheiro, ou silenciados porque suas vozes incomodavam os poderosos. Sacerdotes engajados nos trabalhos sociais e mortos por roubo, como no Haiti, ou mortos por aqueles que estavam ajudando, como na Venezuela, onde um religioso foi assassinado por ladrões na escola onde ensinava os jovens a construírem um futuro; religiosas perseguidas e mortas a sangue frio por bandidos no Sudão do Sul, como a irmã Mary Daniel Abut e irmã Regina Roba, da Congregação do Sagrado Coração de Jesus.

Aumento de assassinatos de leigos

Entre os missionários mortos estão também os católicos engajados de alguma forma no trabalho pastoral, que morreram de forma violenta, não expressamente "por ódio à fé". Está aumentando o número de leigos, catequistas e outros agentes assassinados em confrontos armados entre as comunidades. Aconteceu no Sudão do Sul, onde a Diocese de Tombura-Yambo foi ensanguentada por uma guerra civil que vem assolando todo o país há anos. Aconteceu no México, onde o italiano Michele Colosio, 42 anos, coordenador de projetos para a educação de crianças nas áreas rurais mais pobres, foi morto a tiros. "Temos que doar, temos que ajudar. Temos que nos unir como um povo de irmãos, sem distinção de língua, fronteiras ou cor da pele", dizia ele. Houve também a trágica morte no Peru de Nadia De Munari, uma missionária leiga italiana da Operação Mato Grosso, agredida com um facão durante um roubo, morta em 24 de abril.

O assassinato do padre Olivier Maire

Violento o cenário em Mianmar, onde o conflito civil tomou a forma de uma "atrocidade horrível e desoladora", como o cardeal Charles Maung Bo, arcebispo de Yangon e presidente da Conferência Episcopal, o definiu. Pelo menos 35 civis católicos foram mortos no dia 24 de dezembro na aldeia de Mo So, incluindo mulheres e crianças. Eles estavam fugindo de uma ofensiva do Exército e seus corpos foram queimados. Na Europa, é difícil esquecer o assassinato na França do padre Olivier Maire, superior provincial da Companhia de Maria (Monfortinos), morto em 9 de agosto por um cidadão ruandês de quem ele cuidava há algum tempo.

"Os cristãos não podem guardar o Senhor para si mesmos"

"Como cristãos, não podemos guardar o Senhor para nós mesmos", escreveu o Papa Francisco em sua mensagem para o Dia Mundial das Missões deste ano. "A missão evangelizadora da Igreja expressa seu valor integral e público na transformação do mundo e no cuidado da criação. Um mandato que os missionários mortos cumpriram até o fim, conscientes de que não podiam deixar de testemunhar o Evangelho com a força de suas vidas doadas por amor, lutando todos os dias, pacificamente, contra a prepotência, a violência e a guerra.

 By Isabella Piro/Mariangela Jaguraba – Vatican News

Fonte: Vatican News

 

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