Roteiros Pastorais Palavra de Vida
22/11/2020 Antônio Carlos Santini Edição 22/11/2020 – Eu tive fome... (Mt 25,31-46)

PALAVRA DE VIDA

22/11/2020 – Eu tive fome... (Mt 25,31-46)

                Um Rei faminto?! Duro de entender...

                Sim, nosso Rei é um Rei-mendigo. Vive de esmolas. Senhor de tudo, passeia por nossas ruas com as mãos vazias, estendidas em nossa direção. Por que teria assumido esse disfarce?

                Ora, Ele conhece bem a nossa natureza humana. Sabe que somos interesseiros e bajuladores. Se o Rei se manifestasse a nós em todo o seu poder e majestade, logo estaríamos estendendo tapetes vermelhos à sua passagem, dobrando nossos joelhos em salamaleques e rapapés. Logo estaríamos de olho em um ministério ou, quem sabe, uma subsecretaria...

Sim. É duro reconhecer, mas a proximidade dos poderosos desperta em nós aquilo que temos de pior. Logo tentaríamos levar vantagem às custas de nosso Senhor e Rei. Usaríamos seu braço forte para aniquilar nossos inimigos. Assaltaríamos os tesouros de sua graça em benefício próprio. Além da velha tentação de dividir o planeta em dois partidos: o nosso lado e... o outro lado...

                Deve ser por isso que o Rei vem até nós de forma miserável. Ele tem fome e sede. Ele é preso e hospitalizado. Ele veste andrajos e não tem uma pedra onde repousar a cabeça. Assim fraco e deficiente, sem atrativos, até mesmo repulsivo, ninguém se aproximará dele por interesse ou comodismo. Se alguém lhe estender a mão, certamente o fará por amor...

                Ao celebrar Cristo Rei, corremos o risco de cair no velho triunfalismo e insistir em imagens emprestadas das monarquias ocidentais. Será que ainda não percebemos que a coroa de Cristo é uma coroa de espinhos? Ah! O Reino de Cristo não é reino de poder, como aqui se estabelecem os potentados deste mundo! Seu Reino é um “estado de amor”, onde o dinamismo do ser transborda na direção dos mais fracos, dos mais pobres.

                Por que? Porque Deus é assim: pastor de ovelhas abandonadas, ele dá tudo para retomá-las, para salvar suas vidas e curar suas enfermidades. O Rei sempre nivela tudo por baixo, atendendo primeiro aquele que mais necessita. O Rei tem coração mole: logo se derrete diante de nossas dores. Nossa miséria faz cócegas em sua misericórdia...

                Que decepção a daqueles discípulos, cuja mãe apresentou a Jesus um requerimento em três vias, estampilhado, com firma reconhecida, solicitando que os dois se sentassem no Reino, um à direita e um à esquerda do Senhor! Quanta impertinência materna! Afinal, no Reino, não há tempo para se sentar. O Reino é dinâmico, é um movimento de amor. Para entrar no Reino, a primeira condição é caminhar.

                E caminhar depressa! O Rei não tem tempo a perder em sua exigente missão!

Orai sem cessar: “Ele era desprezado, deixado de lado pelos homens...” (Is 53,3)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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