Roteiros Pastorais Homilética
20/02/2021 Dom Emanuel Messias de Oliveira Edição 3933 2º Domingo da Quaresma - 28/02/2021
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"A nuvem é a presença divina; a voz vem do Pai para mostrar que a autoridade compete, agora, não a Moisés, nem a Elias, mas ao Filho amado. É a ele que todos devem ouvir daqui para frente. Mais uma vez, o evangelista responde à pergunta: - “Quem é Jesus?”"

2º Domingo da Quaresma - 28/02/2021

 

Leituras: Gn 22,1-2.9a.10-13.15-18; Sl 115[116]; Rm 8,31b-34; Mc 9,2-10

Destaque: “Este é o meu filho amado, escutai o que ele diz.” (Mc 9,7b)

 

  1. A montanha da prova. Eis uma grande prova de fé. Fé vivida no silêncio. Confiança, sim. Mas, talvez mais do que confiança, a fé é uma entrega. Deus tirou o chão dos pés de Abraão e ele continuou a acreditar. Prometeu-lhe longa descendência e pede-lhe o único e possível (!) herdeiro em sacrifício. Nós encheríamos Deus de perguntas, arriscaríamos até blasfêmias, pois muitos o fazem por razões menores. Abraão silencia-se e prepara a oferta. É a grande prova.

Por trás do texto está a rejeição por parte de Israel dos sacrifícios humanos (crianças, principalmente) dos cultos cananeus. Deus não quer sacrifícios humanos.

Em silêncio doloroso, Abraão prepara a entrega total. Entregar o filho único é entregar tudo, todo o futuro. É quase devolver a Deus tudo o que Deus prometera. Mas Abraão conservou a fé na providência de Deus. Quando Isaac pergunta sobre a vítima do sacrifício, Abraão responde: “Deus providenciará”. No momento do sacrifício, Abraão revela o trágico desígnio de Deus. A vítima será o filho Isaac. Isaac aceita, obediente.

Momentos de dor, mistura de aceitação e agonia. Caberia uma pergunta nesse momento: “Será que Deus não vai intervir? É isso mesmo que ele quer?” Mas a grandeza da fé do grande patriarca o faz engolir em seco as razoáveis perguntas nesse momento fatal. Abraão não reserva para si nada. Esvaziou-se até mesmo de perguntas. Entregou tudo.

Exatamente neste momento Deus intervém. Abraão superou a grande prova. Isaac é substituído por um cordeiro. Assim a lei mosaica exigia para o resgate do primogênito. Deus recompensa a grande fé do patriarca: abundância de bênçãos, descendência numerosa. “Por tua descendência serão abençoadas todas as nações da terra, porque tu me obedeceste”. Jesus Cristo, descendente de Abraão, é bênção de Deus para todos os povos. O sacrifício de Isaac é prefiguração do sacrifício de Cristo.

 

  1. Deus não poupou seu Filho. O cap. 8º da Carta aos Romanos fala da vida cristã no Espírito. “A lei do Espírito da vida em Jesus Cristo te libertou da lei do pecado e da morte.” Este começo traz-nos um profundo conforto espiritual e anima a nossa esperança de continuar na luta contra tudo que conduz à morte. Nossa certeza, nossa confiança, nossa esperança se fundamentam no amor de Deus. É o que vai dizer o nosso texto: “Se Deus é por nós quem poderia ser contra nós”.

Paulo contempla, extasiado, a grandeza do amor de Deus e sua confiança no seu modo de agir em favor de nós. Recorda o sacrifício de Isaac (Gn 22,6) como expressão máxima da generosidade de Abraão, e afirma que se Deus não poupou nem seu próprio Filho, o que deixaria de fazer por nós? A medida de seu amor é um amor sem medida.

Paulo pergunta, retoricamente: quem acusará os eleitos de Deus? Eleitos são aqueles que recebem o dom de Deus, os cristãos que estão tentando corresponder à sua vocação. É claro que os eleitos de Deus têm acusadores, mas estes estão perdendo tempo.

Se Deus os declara justos, quem os condenará? O único que tem autoridade para isso é Jesus Cristo. Ele nos acusaria? Por nós ele deu a vida e ressuscitou. Sentado à direita de Deus, intercede por nós. Caminhamos tranquilos: Deus é por nós, quem será contra nós?

 

  1. A montanha da luz. A Transfiguração é um oásis para a sede dos discípulos. Os discípulos acompanham Jesus e percebem que o povo não o entende. Nem eles o entendem. Só em Mc 8,29, Pedro, em nome dos discípulos, consegue dizer: “Tu és o Cristo”. Mas isto ainda não significava ainda muita coisa para Pedro, pois em seguida Jesus o repreende severamente, chamando-o de satanás, adversário do projeto de Deus.

Palavras duras! Agora, Jesus os consola. Escolhe os três mais difíceis para subir o monte com ele. Jesus investe mais em Pedro, Tiago e João. Eles precisam mais. Jesus se transfigura. A brancura e o esplendor das vestes vão indicar a vitória de Jesus sobre o mal e a morte. É uma amostra antecipada da sua ressurreição gloriosa.

Moisés representa a Lei. Representa a libertação do Egito. A palavra de Jesus vai substituir a autoridade da Lei. A entrega total de Jesus vai trazer a libertação definitiva. Elias representa os profetas. Como restaurador do javismo, libertou o povo da idolatria que gera opressão. Moisés e Elias (a Lei e os Profetas) sintetizam todo o Primeiro Testamento, mostrando que agora o que vale é o Segundo Testamento em Jesus.

Pedro quer fazer três tendas lá em cima. O povo lá embaixo comemorava a festa das Tendas, que lembrava a caminhada do deserto e esperava o Messias libertador. Pedro se esquece da luta do povo. Lá em cima está tão bem, que até se esquece de si e de seus companheiros. As tendas são para perpetuar a visão de Moisés, Elias e Jesus.

Mas ele não sabe o que fala. O evangelista faz questão de salientar a ignorância dos discípulos em todo o Evangelho. A nuvem é a presença divina; a voz vem do Pai para mostrar que a autoridade compete, agora, não a Moisés, nem a Elias, mas ao Filho amado. É a ele que todos devem ouvir daqui para frente.

Mais uma vez, o evangelista responde à pergunta: - “Quem é Jesus?”

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