Roteiros Pastorais Homilética
13/02/2020 Dom Emanuel Messias de Oliveira Edição 3920 2º Domingo da Quaresma - 08/03/2020 “Este é o meu Filho amado, escutai-o” (Mt 17,5c)
F/ Sacra Galeria
"Este é o meu Filho amado, que muito me agrada. Escutem o que ele diz"

2º Domingo da Quaresma - 08/03/2020

“Este é o meu Filho amado, escutai-o” (Mt 17,5c)

Leituras: Gn 12,1-4a; Sl 32[33]; 2Tm 1,8b-10; Mt 17,1-9

 

  1. A fé abençoada. A Bíblia começa com a história da criação do mundo e da criação do homem e da mulher. Mas a história do povo de Deus só começa em Gênesis 12, com a vocação de Abraão.

Aqui é uma história de bênçãos. Nestes 4 pequenos versículos, o radical da palavra bênção aparece 5 vezes. É a vocação de Abraão, pai do povo de Deus, em quem todas as famílias da terra serão abençoadas (v. 3).

Deus vai mostrar a Abraão a terra que ele lhe dará. Vai abençoá-lo, tornar seu nome famoso, fazer do seu nome uma bênção. Abraão será o ponto de referência para a bênção ou maldição de Deus. Quem amaldiçoar Abraão será amaldiçoado por Deus, quem abençoar Abraão será abençoado por Deus (v. 3).

Mas, por enquanto, é tudo promessa. Em que consiste a promessa de Deus, carregada de bênçãos? Consiste naquilo que Abraão mais aspirava. Terra para morar e filhos para cultivar a terra. Abraão não questionou sua idade avançada, a esterilidade de sua mulher, a distância do caminho. Apenas acreditou, desinstalou-se e botou o pé na estrada da fé.

 

  1. Sofrer pelo Evangelho. Timóteo não deve se envergonhar nem do Evangelho nem de Paulo, que sofre as prisões por causa do Evangelho. Timóteo é convidado a ser solidário com os sofrimentos do apóstolo. A raiz do cristianismo é, de fato, a solidariedade com os que sofrem.

Paulo sofre por causa do anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo. A força e a coragem da solidariedade cristã brotam da confiança no poder de Deus (v.8). O cristão, o líder, o apóstolo, não confia em sua própria força e capacidade, mas no poder de Deus.

O v. 9 mostra o mistério do poder, do amor, da graça de Deus em nós. Deus tem sobre nós um projeto de amor que não depende de nossa obediência e aceitação (cf. 1ª leitura - a vocação de Abraão). Através desse projeto, outrora escondido, ele nos salvou e nos chamou com uma vocação santa.

A graça da salvação já nos tinha sido concedida, desde a eternidade, em Jesus Cristo. Tudo já estava escondido no coração do Pai. Agora, este projeto salvífico foi realizado com a vida, paixão, morte e ressurreição de nosso Salvador Jesus Cristo. Pelo seu Evangelho, ele venceu a morte e fez brilhar a vida e a imortalidade, para todos os que acolhem o projeto do Pai (v. 10).

 

  1. O sinal da ressurreição. Os privilegiados para presenciar a transfiguração de Jesus foram Pedro, Tiago e João. Provavelmente, precisavam de maior assistência, dado serem de personalidade muito forte. Pedro é pedra (cf. Mt 16,18-23) e Tiago e João são filhos do trovão (Mc 3,17). Jesus sobe com eles para uma alta montanha, lugar da revelação de Deus, como no Sinai.

O que acontece sobre o monte? Jesus se transfigurou. A transfiguração é sinal de ressurreição. Jesus antecipa, em sua vida, o que vai acontecer após sua morte. Jesus dá, assim, uma força nova aos discípulos, decepcionados com as suas últimas palavras (cf. Mt 16,21ss). O rosto de Jesus brilha como o sol, e suas roupas ficam brancas como a neve, como referência à vitória da justiça do Reino, onde os justos brilharão como o sol (cf. 13,43). Jesus aparece, aqui, como o novo Moisés, cujo rosto também brilhou sobre o monte Sinai (cf. Ex 34,29-35).

Moisés e Elias aparecem conversando com Jesus. Lucas vai lembrar que conversavam sobre Sua morte (cf. Lc 9,31). Moisés e Elias representam a Lei e os profetas, quer dizer, o Primeiro Testamento, que vai ceder o lugar para o Segundo. Agora, a voz autorizada não vem de Moisés e Elias, mas de Jesus (v. 5). Pedro queria igualar Jesus aos dois personagens celestes (episódio das tendas), mas Jesus lhes é superior. Ele veio cumprir todas as promessas do Primeiro Testamento.

A nuvem lembra a presença divina. É da nuvem que sai a voz autorizada do Pai: "Este é o meu Filho amado, que muito me agrada. Escutem o que ele diz".

Esta expressão marca o Evangelho de Mateus, pois ela aparece no início (3,17), no meio (17,5) e no fim (27,54). Ela lembra o Sl 2,7, afirmando que Jesus é Rei, e recorda Is 42,1, confirmando que Jesus é o Servo de Deus, que dá a vida. E por fim, Dt 18,15, para mostrar Jesus como o profeta a quem todos deverão escutar.

Diante desta manifestação divina, os discípulos ficam com medo, mas Jesus os encoraja. Quando abrem os olhos veem apenas Jesus. É que para Jesus converge todo o Primeiro Testamento. O v. 9 lembra a ordem de Jesus: só poderão contar o fato após a ressurreição de Jesus. A ressurreição é o fundamento da nossa fé em Jesus - cumpridor das promessas do Primeiro Testamento e de toda a justiça do Reino.

 

Leituras da semana

dia 9: Dn 9,4b-10; Sl 78[79],8.9.11.13; Lc 6,36-38

dia 10: Is 1,10.16-20; Sl 49[50],8-9.16bc-17.21.23; Mt 23,1-2

dia 11: Jr 18,18-20; Sl 30[31],5-6.14.15-16; Mt 20,17-28

dia 12: Jr 17,5-10; Sl 1,1-2.3.4.6; Lc 16,19-31

dia 13: Gn 37,3-4.12-13a.17b-28; Sl 104[105],16-17.18-19.20-21; Mt 21,33-43.45-46

dia 14: Mq 7,14-15.18-20; Sl 102[103],1-2.3-4.9-10.11-12; Lc 15,1-3.11-32

 

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