Roteiros Pastorais Homilética
18/06/2019 Dom Emanuel Messias de Oliveira Edição 3913 18º Domingo do Tempo Comum - 4/08/2019
" Tomai cuidado contra todo o tipo de ganância! [Lc 12,15]"

18o Domingo do Tempo Comum - 4/08/2019

 

Leituras: Ecl 1,2;2,21-23; Sl 89[90]; Cl 3,1-5.9-11; Lc 12,13-21

Destaque: “Tomai cuidado contra todo o tipo de ganância!” [Lc 12,15]

 

  1. Tudo é vaidade. A Palestina do Séc. III a.C. vivia dominada e explorada pelo império grego e o povo era obrigado a pagar pesados impostos, usufruindo pouco do fruto do seu trabalho. O autor faz uma análise crítica e realista desta situação opressora que parece destruir o futuro do povo. A vida do povo, na realidade, estava insuportável, por isso o autor acha que tudo é “vaidade”.

A palavra “vaidade” não traduz tudo o que o termo hebraico “hebel” pode significar. Significa vaidade, fugacidade, ilusão, mais precisamente, sopro, hálito, fumaça. Ele quer dizer que tudo é como uma bolha de sabão: bonita, reluzente, mas não dura nada, não serve para nada. Assim é a vida do povo, quando é explorado na sua força de trabalho.

Mas, diante desta análise realista, o autor nos deixa uma mensagem: a felicidade neste mundo é poder usufruir plenamente dos frutos do trabalho, pois esse é o dom que Deus dá para todos (cf. vv. 24ss). O Novo Testamento dá um passo em frente, não colocando a felicidade do homem neste mundo. Convida-nos à partilha e a sermos ricos para Deus.

 

  1. Como a semente. O autor da Carta aos Colossenses considera o cristão como um homem já ressuscitado. Todo aquele que foi batizado recebe a circuncisão de Cristo, que consiste em ser sepultado com ele no batismo e em ressuscitar com ele pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou da morte (cf. 2,12). Assim, pelo batismo já fomos ressuscitados com Cristo. O cristão deve aspirar, desejar e procurar as coisas do alto, não as da terra (v. 1).

Enquanto corpo de Cristo, os cristãos ainda lutam neste mundo pela justiça, pela paz, contra os vícios, contra o pecado; a cabeça (o Cristo) já está no céu. Assim a vida do cristão está escondida em Cristo com Deus (v. 3).

Quando é que a vida do cristão vai aparecer? A vida do cristão é Cristo. Só quando Cristo se manifestar na parusia a vida do cristão vai aparecer junto com Cristo na glória (v. 4). Nós somos, na terra, como a semente, já temos tudo, mas só nos será revelada toda a beleza da novidade cristã, com toda a riqueza da ressurreição e da glória, quando do encontro com Cristo, quando Cristo se manifestar totalmente em nós e no mundo.

 

  1. Rico para Deus. Jesus não quer ser árbitro da partilha de bens entre irmãos (v. 14). No v. 15, Jesus deixa entrever que, realmente, o pedido do v. 14: “Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança”, supõe um caso de ganância, de egoísmo, de apropriação indevida dos bens do pai por parte de um irmão em detrimento do outro.

De fato, Jesus fala de ganância, de cupidez, de abundância e aproveita para exortar a uma precaução cuidadosa sobre os bens materiais, pois eles não asseguram a vida do homem. Além disso, Jesus explica sua posição através de uma parábola sobre o fim inesperado de um rico ganancioso e egoísta que só pensava em acumular para si. O v. 21 vai arrematar tudo, dizendo que quem ajunta tesouros para si e não é rico para Deus, tem a trágica sorte desse rico ganancioso e seus bens ficam para outrem.

O que está por trás do texto? Uma ideia do que está por trás do texto ajuda a entender a posição de Jesus. No tempo de Jesus havia duas propostas de sociedade, ou dois modelos econômicos. O do campo e o da cidade. O do campo se fundamentava na partilha, através da solidariedade, da troca de produtos etc. Isso impedia que os endividados caíssem na desgraça e tivessem que emigrar para a cidade, tornando-se mendigos ou bandidos.

O modelo econômico da cidade, ao contrário, é fundamentado na ganância, no acúmulo, na lei do mais forte. Isso, naturalmente, é fonte de exclusão e marginalidade, gera mendicância, violência, roubo etc.

Sem dúvida, o texto de hoje reflete uma situação do modelo econômico da cidade e não do campo, reflete a ganância e a exploração, não a partilha. Jesus toma posição em favor da partilha, não da cobiça, mas sem se colocar como árbitro entre os contendentes. A posição de Jesus está clara na sua exortação (v. 15) e na parábola que contou (vv. 16-21). Jesus é contra qualquer cobiça, pois a cobiça não garante a vida de ninguém.

A parábola traz o monólogo de um homem rico, ganancioso e egoísta, cujo ideal de vida é apenas comer, beber e desfrutar (v. 19; cf. Ecl 2,24; 3,13; 8,15). Este homem não pensa nos seus empregados, não pensa nos pobres; é profundamente ganancioso e egoísta. Jesus o chama de insensato, afirmando sua morte naquela mesma noite.

Isso significa que acumular bens não garante a vida. O importante é ser rico para Deus, através da justiça, da partilha e solidariedade para com o próximo, pois “quem se compadece do pobre empresta a Deus” (cf. Pr 19,17; Eclo 29,8-13). Eclo 29,12 diz expressamente: “Dê esmola daquilo que você tem nos celeiros, e ela o livrará de qualquer desgraça”.

 

Leituras da semana

dia 5: Nm 11,4b-15; Sl 80[81],12-17; Mt 14,13-21

dia 6: Dn 7,9-10.13-14; Sl 96[97],1-2.5-6.9; Lc 9,28b-36

dia 7: Nm 13,1-2.25; 14,1.26-30.34-35; Sl 105[106],6-7a.13-14.21-23; Mt 15,21-28

dia 8: Nm 20,1-13; Sl 94[95],1-2.6-7.8-9; Mt 16,13-23

dia 9: Dt 4,32-40; Sl 76[77],12.16.21; Mt 16,24-28

dia 10: 2Cor 9,6-10; Sl 111[112],1-2.5-9; Jo 12,24-26

 

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