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18/08/2022 Antônio Carlos Santini Edição 18/08/2022 – Um homem sem o traje nupcial... (Mt 22,1-14)

PALAVRA DE VIDA

18/08/2022 – Um homem sem o traje nupcial... (Mt 22,1-14)

            Desde o Antigo Testamento, a aliança com Deus é apresentada para nós na figura de um casamento. Este simbolismo chegou a seu ponto culminante nas bodas de Caná (cf. Jo 2), projetando-se elasticamente no livro do Apocalipse, onde se celebra em definitivo o festim nupcial do Cordeiro (cf. Ap 19,17).

            A parábola que lemos neste Evangelho começa em clima bastante aceitável: os convidados ao banquete estão muito ocupados em seus afazeres terrenos e rejeitam o convite privilegiado para o festim. Mas a bondade do Rei é tão grande, que ele manda trazer (ou arrastar?!) pobres, mendigos e aleijados para deixar bem cheio o salão de festa. Até aqui, tudo bem. Inesperadamente, um dos convivas é lançado fora da festa sob a alegação de estar malvestido para a ocasião. Chocante! Como fica a misericórdia cristã?

            O abade cisterciense André Louf nos ajuda a ler esta passagem:

            “Existe uma resposta fácil, muitas vezes ouvida. Que consiste em dizer que a falta da roupa nupcial é sinal de uma negligência, uma infidelidade. Para entrar no Reino, seria preciso estar limpo e bem elevado. Mas a parábola não diz em lugar algum que o convidado expulso estava em roupa de trabalho ou de blue-jeans!

            Não se trata de ter as mãos limpas para entrar no Reino, no qual Jesus diz em outra parte que os pecadores e as prostitutas irão preceder-nos. Ainda temos chance de estar entre os eleitos mesmo sendo pecadores, sob a condição de vestir, não um traje aqui de baixo, mas a única veste nupcial do Reino.

            Qual será, pois, esta veste nupcial? São Paulo já nos disse: é a roupa nova do homem novo, criado em Jesus Cristo. Ela é Jesus Cristo. Necessitamos absolutamente despojar-nos do homem velho e de suas pretensões, tal como uma roupa usada, e revestir-nos, como de uma roupa novinha em folha, do próprio Jesus Cristo, a humildade de sua cruz e a força de sua ressurreição. O rei só tolera entre os convivas – se eles são bons ou maus, pouco importa! – aqueles que apresentam os traços de seu Filho. Aqueles que aceitam ser eleitos e bem-amados no único Eleito e no único Bem-Amado: Jesus.

            E quais são os traços de Jesus? São Paulo os desenha em outra passagem: ‘Como eleitos de Deus e seus bem-amados, revesti-vos de terna compaixão, de bondade, humildade, doçura, paciência; perdoai-vos mutuamente; o Senhor vos perdoou’. (Cl 3,12-13) O semblante de Jesus é a doce piedade, é a misericórdia sem medida para com nossos irmãos. Esta é a veste nupcial, a única que Deus poderá reconhecer na hora do banquete. Esta é a veste que faz estremecer o coração de Deus.”

            Boa festa!

Orai sem cessar: “Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo!” (Rm 13,14)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Com. Católica Nova Aliança.

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