Roteiros Pastorais Homilética
18/06/2019 Dom Emanuel Messias de Oliveira Edição 3913 17º Domingo do Tempo Comum - 28/07/2019
"Pai, santificado seja o teu nome. [Lc 11,2]"

17o Domingo do Tempo Comum - 28/07/2019

 

Leituras: Gn 18,20-32; Sl 137[138]; Cl 2,12-14; Lc 11,1-13

Destaque: “Pai, santificado seja o teu nome.” [Lc 11,2]

 

  1. Em favor do povo. Abraão é apresentado como modelo de oração que brota de um relacionamento íntimo com Deus, relacionamento aberto, confiante, e ao mesmo tempo franco, sincero, mas profundamente humilde. Abraão reconhece a grandeza do ser de Deus, o tamanho do seu coração justo e misericordioso, como também, da sua parte, reconhece a pequenez do seu ser; ele tem consciência de que é pó e cinza (v. 27).

O v. 20 insinua que o pecado de Sodoma e Gomorra é a injustiça. Em 19,5, percebemos que a injustiça no campo social destrói e perverte o relacionamento entre as pessoas, conduzindo-as às aberrações de todos os tipos. Deus está disposto a destruir as cidades de Sodoma e Gomorra. Abraão intercede questionando a justiça de Deus. Deus iria destruir o justo juntamente com o injusto? Deus é capaz de salvar a cidade toda por causa de alguns justos.

Abraão conseguiria obter de Deus a salvação da cidade através de apenas 10 justos. Em sua oração de intercessão, conseguiu do coração misericordioso de Deus abaixar o número de 50 para 10. Mas por que parou? Abraão quis descobrir o tamanho da misericórdia de Deus, mas pôs limites à misericórdia do Onipotente.

Ele não sabia que Deus procurava por um único justo para justificar a salvação da cidade dos homens. Isto os profetas vão intuir (cf. Jr 5,1; Ez 22,30). Mas só um homem conseguirá reunir a justiça e agradar o coração misericordioso de Deus: seu Filho, Jesus Cristo (Jo 3,16-17). Através desse único justo, Deus salva a humanidade inteira.

 

  1. A vida em Cristo. Fora da comunidade, a influência de vãs filosofias pagãs atribuía a forças intermediárias o mesmo valor de Jesus Cristo, como se Jesus fosse um entre tantos mediadores entre Deus e os homens. Do lado de dentro, era a imposição da Lei por parte dos cristãos judaizantes, como se a Lei tivesse poder salvífico. Mas a porta de entrada para a religião da liberdade é o batismo. A religião é fundamentada não na Lei, mas na graça, no amor de Cristo. O batismo cristão é morte para o pecado e ressurreição para uma vida nova. Nós estamos mortos pelo pecado, mas Deus nos concedeu a vida juntamente com Cristo.

O que Cristo fez por nós? Jesus fez o que a Lei não tinha capacidade de fazer. A Lei apenas apontava transgressões. Jesus, ao contrário, perdoou as nossas faltas. Contra nós havia um título de dívida. Jesus anulou esta dívida, pregou este título na cruz, fazendo-o desaparecer. Tudo que devíamos a Deus foi pago por Jesus Cristo, e a Lei que nos fazia devedores perdeu o sentido. Vivemos agora não uma religião de méritos, mas a gratuidade do amor de Deus em Cristo.

 

  1. Perdoai as nossas dívidas. Estamos diante de uma catequese sobre a oração. Lucas quer ensinar a oração ao povo convertido do paganismo, que não estava habituado a rezar ao Pai misericordioso. Ele usa os ensinamentos de Jesus de um modo adequado à sua comunidade, por isso sua catequese sobre a oração é diferente da de Mateus.

Jesus não pretende nos ensinar uma oração, mas sobretudo um novo modo de rezar. Os mestres daquele tempo (como João Batista) ensinavam a seus discípulos uma oração como síntese dos seus ensinamentos. Jesus vai na mesma linha e mostra como síntese da vida cristã um relacionamento novo com o Pai e com os irmãos.

Primeiro, Jesus mostra o relacionamento com o Pai: “Pai, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino”. O Nome expressa a identidade da pessoa. Deus é para nós um Deus de amor, um Deus que é Pai; mais ainda, um Deus que é papai, paizinho, Pai querido. Jesus nos mostra um Deus íntimo de nós. Ele é santo e quer ser o Pai de uma família unida, fraterna e solidária. É neste Reino que Deus quer reinar.

Em seguida, Jesus mostra como deve ser o relacionamento entre os filhos: “Dá-nos a cada dia o pão de amanhã”. Este pão de amanhã é aquele dom de Deus que preenche a vida do homem em todos os sentidos. A cada dia, quer salientar que os bens da Criação pertencem a todos. Devemos ter confiança de que este pão não vai faltar na mesa de ninguém, se soubermos partilhar a vida abundante que Deus deu para todos.

O perdão que Deus nos dá está condicionado, de um modo muito claro, ao perdão que damos aos outros. O último pedido: “Não nos deixeis cair em tentação”. É muito mais sério do que parece. No fundo, significa: não nos deixeis perder a fé. Essa é a grande e perigosa tentação para a comunidade cristã, que vive num mundo pagão e injusto estruturalmente, mais voltado para os ídolos e caricaturas de Deus do que para o verdadeiro Deus.

Os vv. 5-13 querem fundamentar a confiança na oração. A confiança deve ser total. A gente deve rezar com a certeza de ser atendido e insistir sem achar que está amolando. Nenhum amigo entre nós nega o que pedimos. Ainda temos uma novidade: o Pai do céu nos dá muito mais do que pedimos, ele nos dá o dom total, o Espírito Santo.

 

Leituras da semana

dia 29: 1Jo 4,7-16; Sl 33[34],2-11; Jo 11,19-27

dia 30: Ex 33,7-11; 34,5b-9.28; Sl 102[103],6-13; Mt 13,36-43

dia 31: Ex 34,29-35; Sl 98[99],5- 7.9; Mt 13,44-46

dia 1º: Ex 40,16-21.34-38; Sl 83[84],3.4.5.6a.8a.11; Mt 13,47-53

dia 2: Lv 23,1.4-11.15-16.27.34b-37; Sl 80[81],3-6ab.10-11ab; Mt 13,54-58

dia 3: Lv 25,1.8-17; Sl 66[67],2-3.5.7-8; Mt 14,1-12

 

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