Roteiros Pastorais Palavra de Vida
17/07/2019 Antônio Carlos Santini Edição 17/07/2019 – Escondeste aos sábios e entendidos... (Mt 11,25-27)

PALAVRA DE VIDA

17/07/2019 – Escondeste aos sábios e entendidos... (Mt 11,25-27)

                Esta verdade vem até nós do coração de uma prece de Jesus ao Pai. E ela é motivo de louvor a Deus: “Eu te dou graças, Pai, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos”. Deus reserva aos “pequenos” deste mundo a compreensão dos mistérios que os “doutores” quiseram transformar em segredos para iniciados. Bem entendido, a reprovação é dirigida à ciência que incha, ao conhecimento que leva alguém a sentir-se superior a “essa maldita gentinha que não conhece a lei” (cf. Jo 7,49).

                Não quer dizer que Deus desaprove o estudo, a busca do conhecimento, tantas vezes elogiada ao longo da Sagrada Escritura. O perigo está em sentir-nos autossuficientes com o conhecimento adquirido, o que levaria a um estado de arrogância e de autonomia, conhecida fonte de desvios e perdição. Se o conhecimento me basta, não preciso de ninguém. Nem de Deus?

                Ora, o conhecimento de Jesus na qualidade de Filho de Deus não pode ser adquirido pela via racional do conhecimento humano. Não é resultado de pesquisa, de reflexão filosófica, de penetração em alguma gnose fora do alcance da maioria, mas, ao contrário, só se obtém pela “revelação”.

                Ao mesmo tempo, Jesus aponta para a vantagem que levam os “pequeninos”. Quem são eles? Hébert Roux procura identificá-los: “Os pequeninos evidentemente não são considerados em sua inocência, mas em sua fraqueza e sua ignorância, e por causa do desprezo que recebem. Aqui, reencontramos um dos temas essenciais do Sermão da Montanha, que será retomado no capítulo 18: o Reino dos céus é dado, revelado não aos grandes, aos poderosos, aos sábios, aos satisfeitos, mas aos pequenos, aos humildes, aos pobres. Mas sua fé não provém de suas virtudes ou disposições naturais, elas lhes é dada por causa daquilo que lhes falta”.

                Isto não deveria chocar a ninguém. Não é natural que o copo cheio não possa mais receber água? E a mão cheia de goiabas não possa mais acolher outra, mesmo mais madura? A sensação de plenitude impede uma nova acolhida; a certeza do próprio vazio abre o espaço para a visita de Deus.

                Quando um sábio e poderoso realiza algo importante, ele mesmo receberá aplausos e louvores. Quando a obra é realizada por uma pessoa aparentemente incapaz, todos os elogios se dirigem a Deus. Isto explica, talvez, a escolha da pequena Maria de Nazaré...

                É minha humana miséria que atrai a divina misericórdia...

Orai sem cessar: “O Senhor ergue o indigente da poeira...” (Sl 113,7)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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