Roteiros Pastorais Homilética
03/07/2020 Dom Emanuel Messias de Oliveira Edição 3926 16º Domingo do Tempo Comum - 19/07/2020
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" Deixem crescer um e outro até à colheita. (13,30) "

16º Domingo do Tempo Comum - 19/07/2020

 

Leituras: Sb 12,13.16-19; Rm 8,26-27; Mt 13,24-43

 A justiça perfeita. O Livro da Sabedoria é uma tentativa de inculturação da fé judaica na cultura grega de Alexandria, Egito, onde foi escrito por volta do ano 50 a.C.

Nosso texto começa afirmando a soberania de Deus sobre tudo e sobre todos, mas, por causa da sua própria soberania, ele é extremamente justo e misericordioso. Na verdade, ele domina sobre todos os povos com justiça e indulgência. Sua justiça consiste exatamente em sua indulgência e bondade para com todos, sem discriminação. Aos pagãos, ele mostra sua força; aos judeus arrogantes, ele castiga o atrevimento. É um Deus que tem o poder à sua disposição, mas não o usa para oprimir. Ele sabe dominar a própria força, julgando com moderação e governando com grande consideração. O modo de proceder de Deus é um ensinamento constante e universal de que todo o homem justo deve ser amigo dos homens.

Porque possui a plenitude da força e não tem razão alguma para dela abusar, Deus exerce a sua justiça com uma total imparcialidade e liberdade; seu domínio soberano sobre todos os seres igualmente o autoriza e o convida a usar de clemência para com todos (cf. BJ).

 A força de Deus. Se o pecado que prejudicou a humanidade-Adão, prejudicou também a Criação, a graça trazida pelo homem-Deus, Jesus, recuperará também para a glória dos filhos de Deus a criação inteira. É pela força do Espírito que Jesus socorre a nossa fraqueza. O Espírito é a força de Jesus, a força de Deus. Ele atuou nos profetas e os próprios profetas anunciaram essa presença forte e transformadora do Espírito para os tempos messiânicos. Jesus agia na força do seu Espírito Santo, que é o mesmo Espírito do Pai. Estes dois versículos de hoje querem mostrar que a oração é uma das forças sensíveis da presença do Espírito. Sem uma confiança e entrega total ao Espírito Santo, ficamos em situação difícil, pois não sabemos nem mesmo "o que pedir na oração". O Espírito é capaz de aproximar o coração do homem do coração do Pai. E o Pai sabe o que se passa dentro do coração do filho.

 O Reino discreto. O capítulo 13 de Mateus é reservado às parábolas. As parábolas do Reino querem mostrar aos discípulos que o Reino de Deus vai-se implantando devagarzinho, e sempre segundo a paciência misericordiosa de Deus, não segundo as nossas precipitações.

a) A parábola do trigo e do joio. No mesmo campo onde os discípulos plantam a boa semente da Palavra de Deus (= o trigo), o inimigo semeia o joio da maldade, injustiça e discórdia. O inimigo é o "diabo", aquele que divide, cria problemas e sufoca o projeto de Deus, manifestando-se nas pessoas e nas estruturas. Logo que trigo e joio começam a crescer, a gente percebe que a maldade foi misturada com o bem.

Mas o que é joio e o que é trigo? Ainda não se percebe claramente. Convivemos na sociedade entre bons e maus. No fundo, só quem conhece o coração do homem é que tem o direito de julgar. Mas somos impacientes. Pensamos assim: Jesus reina ou não reina? Vamos então acabar com os maus uma vez por todas? Mas como? Não correríamos o risco de na nossa impaciência e ignorância cometermos injustiças? A nós compete semear o trigo. Ao dono da messe compete estabelecer o tempo da colheita.

b) A parábola do grão de mostarda. É uma parábola de contraste: "menor das sementes" e "maior que as outras plantas". O Reino de Deus tem início despercebido, quase insignificante, como a sementinha de mostarda, mas vai crescer muito. Na Palestina, a mostarda chegava a mais de 5 metros de altura. Os pássaros simbolizam as nações pagãs que, buscando segurança e vida, serão acolhidas nos galhos do Reino. Ninguém desanime diante dos trabalhos humildes das comunidades. Devagar a árvore do Reino vai crescendo.

c) A parábola do fermento. Vemos também a contraposição entre o pouco do fermento e o muito da massa. Um pouco de fermento é capaz de levedar 3 porções (42 kg) de farinha. É o pouco influenciando e transformando o muito. O Reino começa com apenas um punhado de gente, mas sua mensagem vai devagarzinho revolucionando o mundo.

d) A explicação da parábola do joio e do trigo. Parece uma aplicação da parábola de Jesus à comunidade de Mateus. A comunidade que pertence ao Reino é a boa semente. Os que praticam o mal pertencem ao maligno. A explicação da parábola aponta para o fim - o dia da colheita -, quando haverá o julgamento: inferno para os maus e céus para os bons.

 

Leituras da Semana

dia 20: Mq 6,1-4.6-8; Sl 49[50],5-6.8-9.16bc-17.21-23; Mt 12,38-42

dia 21: Mq 7,14-15.18-20; Sl 84[85],2-4.5-6.7-8; Mt 12,46-50

dia 22: Ct 3,1-4a; Sl 62[63],2.3-4.5-6.8-9; Jo 20,1-2.11-18

dia 23: Jr 2,1-3.7-8.12-13; Sl 35[36],6-7ab.8-9.10-11; Mt 13,10-17

dia 24: Jr 3,14-17; (Sl) Cânt. Jr 31,10.11-12ab.13; Mt 13,18-23

dia 25: 2Cor 4,7-15; Sl 125[126],1-2ab.2cd-3.4-5.6; Mt 20,20-28

 

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