Roteiros Pastorais Palavra de Vida
16/07/2019 Antônio Carlos Santini Edição 16/07/2019 – Minha mãe e meus irmãos... (Mt 12,46-50)

PALAVRA DE VIDA

16/07/2019 – Minha mãe e meus irmãos... (Mt 12,46-50)

                A entrada na Igreja, através do pórtico do Batismo cristão, enxerta o fiel em uma nova família, tornando-o membro do Corpo de Cristo. A partir daí, os laços naturais de sangue ficam realmente em segundo plano, pois a circulação da Graça pelos membros desse Corpo é muito mais forte e mais profunda que o feixe de afetos e sentimentos – cada vez mais frágeis, ao que se vê – tecidos entre pais e filhos, irmãos e irmãs.

                Não admira que, ao longo da História, a opção por Cristo e sua Igreja tenha muitas vezes provocado rupturas definitivas entre os membros da mesma família, confirmando a frase de Jesus, em que ele se apresentava como a espada que separa. Lembrar o jovem Francisco de Assis e seu pai, quando este, comerciante, optava pelo acúmulo de bens, enquanto o filho desposava a Pobreza evangélica.

                Neste Evangelho, contudo, se uma leitura epidérmica parece entender que Jesus rejeita Maria, sua mãe, outra leitura, mais atenta e profunda, verá que se trata, ao contrário, de um elogio para ela. Quando Jesus afirma que sua verdadeira mãe e seus verdadeiros irmãos são aqueles que fazem a vontade de seu Pai, longe de excluir Maria, ele realça o verdadeiro motivo de sua filiação.

                Afinal, na Anunciação, ao se dizer simples escrava do Senhor [ancilla Domini], pronta a aderir ao inesperado desígnio divino para sua vida, Maria se tornava o modelo perfeito daqueles que “ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática”. E ela o realiza em grau tão elevado, a ponto de gerar na carne dos mortais o próprio Verbo-Palavra de Deus. É a Mulher escolhida para ser a Mãe do Filho de Deus.

                Para Hébert Roux, “as palavras de Jesus nesta circunstância deixam compreender claramente que, para ele, não há nenhuma medida comum entre a carne e o sangue, por um lado, e o Reino dos céus, por outro. Ele não pretende aniquilar os laços naturais entre os homens, nem está em questão extrair desta declaração uma palavra anti-humana, destruidora dos vínculos naturais da família”.

                De fato, quem não nascer para uma vida nova no Espírito jamais conseguirá penetrar nos mistérios do Reino de Deus. Pode ser que o mundo pagão continue postado no extremo oposto e não consiga compreender. Mas as mães que entregam seus filhos como sacerdotes, religiosos e missionários, sabem muito bem que existem vínculos muito mais fortes que as ligações do sangue...

                Estamos prontos a fazer a vontade de Deus?

Orai sem cessar: “Importa obedecer antes a Deus que aos homens!” (At 5,29)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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