Roteiros Pastorais Homilética
01/07/2020 Dom Emanuel Messias de Oliveira Edição 3925 15º Domingo do Tempo Comum - 12/07/2020
F/ S. Onipontente
"Outras sementes caíram em terra boa... (Mt 13,8)"

15º Domingo do Tempo Comum - 12/07/2020

“Outras sementes caíram em terra boa...” (13,8)

Leituras: Is 55,10-11; Sl 64[65]; Rm 8,18-23; Mt 13,1-23

 

  1. Na Palavra, a vida. O povo está sofrendo no exílio, sem a Terra Prometida e sem o Templo para os sacrifícios. Sua fé é mantida através do culto da Palavra de Deus. O profeta anônimo pretende consolar e encher o povo de esperança de um breve retorno para a Terra Prometida, que eles perderam por causa das infidelidades à palavra de Javé. Mas Javé permanece fiel e vai trazer o povo de volta. É importante, porém, que o povo mude de vida, acredite de novo na Palavra de Javé e volte a ele, que é fonte de água, de alimento e de vida. O profeta compara a Palavra de Javé com a chuva e a neve que engravidam a terra produzindo frutos. Ele quer mostrar a fonte fecundante e vital da Palavra de Deus capaz de criar vida no seio do povo. A Palavra de Javé é expressão do seu poder criador e libertador. Também por meio dela, ele vai alimentar a esperança do povo e trazê-lo de volta à liberdade e à vida.

 

  1. Promessa de vida. Estes versículos da Carta aos Romanos tratam da solidariedade entre o ser humano e a natureza, mostrando que ambos são destinados à glória. Afinal o ser humano é corpo, alma e espírito (cf. 1Ts 5,23). Seu corpo provém do corpo do universo. É feito do pó da terra. O pecado da humanidade (violação da palavra de Deus) estragou sua vida, trouxe-lhe sofrimento e morte (cf. Gn 3,17) e submeteu o poder do universo ao poder do nada, à escravidão da corrupção. Mas não está tudo perdido. Fica a esperança. Todo esse sofrimento, toda essa agonia mortal do homem e do universo não se compara com a glória que estamos aguardando com ansiedade. São Paulo compara o sofrimento presente, tanto do ser humano quanto do universo, com os gemidos e as dores do parto. A dor é muito grande, mas ao mesmo tempo implica esperança, pois logo que a vida renascer só haverá alegrias.

Nós já temos as primícias do Espírito. As primícias (os primeiros frutos) indicam a qualidade exuberante da colheita. Nós já somos filhos adotivos, já fomos remidos pelo sangue de Cristo, mas ainda vivemos mais na carne do que no Espírito. Quando esta vida no Espírito chegar à plenitude, esqueceremos por completo nossa caminhada de escravidão e dor, e todo o universo entrará conosco na liberdade da glória dos filhos de Deus.

 

  1. A semente de vida. A semente da parábola é a palavra de Deus que Jesus estava semeando. Os discípulos pareciam desanimados por causa do rompimento de Jesus com as lideranças da época. A parábola parece fazer um balanço da atividade de Jesus para reanimar o entusiasmo dos discípulos. Jesus está encontrando muitos obstáculos, muita rejeição.

Afinal, 3/4 da semente se estragam (os pássaros comeram as sementes que caíram à beira do caminho, o sol queimou as plantas sem raízes profundas do terreno pedregoso e os espinhos sufocaram a terceira parte das sementes). Jesus tinha tudo para desanimar. Mas aqui vem o ensinamento da parábola. O que aconteceu com a quarta parte que caiu no terreno bom? Frutificou abundantemente. A soma de 100 + 60 + 30 é igual a 190. Dividido por 3 mostra que a média de produção da quarta parte foi de 63 frutos por semente. Uma ótima produção que compensou a perda dos outros 3/4. A parábola é um incentivo ao trabalho missionário, apesar dos aparentes fracassos. É uma lição de otimismo e esperança.

A parábola é aplicada à comunidade do evangelista. A atenção agora se volta para os quatro tipos de terrenos, e não mais sobre a semente. Por que a palavra não está produzindo frutos? Quais os obstáculos que os corações dos homens estão apresentando?

A - A beira do caminho representa a insensibilidade, a não acolhida da palavra. Os pássaros são o maligno. B - O terreno pedregoso representa o entusiasmo fácil e passageiro. O sol do sofrimento e da perseguição mata a acolhida sem compromisso. C - O terreno cheio de espinhos representa um coração disposto, comprometido, mas dividido com muitas preocupações. Ninguém pode servir a dois senhores. Os espinhos simbolizam as preocupações do mundo e a ilusão das riquezas. Essas coisas sufocam a Palavra e não permitem frutificar. D - A terra boa é o coração acolhedor e cuidadoso que faz frutificar a semente numa produção abundante. Os discípulos são felizes por acolherem os mistérios do Reino. Os judeus são infelizes, porque os rejeitaram.

 

Leituras da Semana

dia 13: Is 1,10-17; Sl 49[50],8-9.16bc-17.21 e 23; Mt 10,34 – 11,1

dia 14: Is 7,1-9; Sl 47[48],2-3a.3b-4.5-6.7-8; Mt 11,20-24

dia 15: Is 10,5-6.13-16; Sl 93[94],5-6.7-8.9-10.14-15; Mt 11,25-27

dia 16: Zc 2,14-17; (Sl) Cânt. Lc 1,46-47.48-49.50-51.52-53.54-55; Mt 12,46-50

dia 17: Is 38,1-6.21-22.7-8; (Sl) Cânt. Is 38,10.11.12.16; Mt 12,1-8

dia 18: Mq 2,1-5; Sl 9B[10],1-2.3-5.7-8.14; Mt 12,14-21

 

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