Roteiros Pastorais Homilética
04/06/2019 Dom Emanuel Messias de Oliveira Edição 3912 14º Domingo do Tempo Comum - 7/07/2019
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"A messe é grande e os trabalhadores são poucos [Lc 10,2]"

14o Domingo do Tempo Comum - 7/07/2019

 

Leituras: Is 66,10-14c; Sl 65[66]; Gl 6,14-18; Lc 10,1-12.17-20

Destaque: “A messe é grande e os trabalhadores são poucos.” [Lc 10,2]

 

  1. Um Deus maternal. O 3o Isaías é o profeta da esperança e da reconstrução. O povo já voltou do exílio babilônico, com muita esperança de reconstruir Jerusalém o mais rápido possível. Mas o povo encontrou só escombros, miséria e fome. Começaram o trabalho, mas o tempo foi passando e as dificuldades aumentando.

Todos nós, diante dos problemas, somos vítimas do imediatismo. Queremos sarar de um dia para o outro, queremos resolver tudo hoje; começou então a haver um desânimo e até dúvida sobre o poder de Deus. É aqui que entra o profeta da esperança, lembrando a força restauradora e o carinho materno do Deus libertador.

O profeta não olha para baixo, partilhando o pessimismo do povo, mas olha para o alto, enxergando longe e vislumbrando uma perspectiva de transformação e glória. Ele levanta o moral do povo abatido convidando a todos para uma festa, partilhando a alegria de uma Jerusalém reconstruída (v. 10). Jerusalém é comparada com uma mãe cheia de vigor amamentando seus filhinhos. Assim como uma criança só tem alegria no colo da mãe, assim todos os filhos de Sião devem regozijar-se (vv. 11-13).

Esta metáfora da mãe, onde o coração materno de Deus é transferido para Jerusalém, quer mostrar a transformação que Deus fará da cidade, trazendo para ela o bem-estar e as riquezas das nações (v. 12). Deus quer trazer vida e consolo para seu povo como uma mãe que amamenta e tranquiliza seu filho (v. 13). Jerusalém vai-se transformando na cidade símbolo da ternura e da justiça de Deus.

 

  1. A cruz que salva. Paulo prega a salvação através da cruz de Cristo. Os judaizantes pregam uma salvação através do rigor da Lei e da necessidade da circuncisão. Eles fogem da perseguição que sofre quem aceita a cruz de Cristo e buscam gloriar-se na carne, ou seja, na circuncisão dos gálatas. A preocupação deles é aparecer.

O trecho de hoje é o final da Carta, a mais brava que Paulo escreveu, pois ele percebe o perigo da destruição de todos os seus esforços e trabalhos de evangelizador. Podemos destacar nestes versos finais três temas: a inutilidade da circuncisão, o valor salvífico da cruz de Cristo e o renascimento cristão como nova criatura.

Aderir à Lei é inutilizar a cruz de Cristo. A Lei não é capaz de gerar vida. Ela teve sua função até a chegada de Jesus (cf. 3,21-25). A única glória do cristão não está nela, mas na cruz de Cristo. Na cruz, Cristo destrói o mal, o pecado, a morte. Da cruz, Cristo faz brotar a vida, a ressurreição, a nova criatura.

Quem adere à cruz de Cristo encontra a paz e a misericórdia, o perdão dos seus pecados para viver como nova criatura reerguida pela graça de Deus e não abatidos pelo peso da Lei. A prova da honestidade, fidelidade e verdade do evangelho de Paulo está nas cicatrizes do seu corpo, maltratado e torturado por causa de Cristo (v. 17).

 

  1. Cordeiros entre lobos. Estamos no contexto da grande viagem para Jerusalém, onde Jesus vai enfrentar a cruz da libertação. Ele vai morrer para trazer a vida para todos.

Os discípulos são pessoas de oração: “rogai ao dono das plantações para mandar operários”. Quem reza acredita na gratuidade do amor de Deus, isto é, que quem cuida da colheita é Deus; a missão é um dom do seu amor. Eles lançam a semente da palavra em meio aos conflitos da sociedade - cordeiros no meio de lobos. Seus métodos se distinguem do método violento dos opressores – os lobos.

Uma condição essencial do missionário é o desprendimento: não deve levar nada. A missão é caracterizada pela urgência (não devem parar), pelo anúncio da paz e da proximidade do Reino, transformando as estruturas, curando e reintegrando as pessoas. A paz significa plenitude dos bens messiânicos, uma condição favorável à vida de todos.

Eles não devem agir visando ao lucro, mas devem contentar-se com o necessário (vv. 7ss). Não devem fazer média com os poderosos que não querem acolher a mensagem; por isso, ao saírem, devem sacudir a poeira dos pés como gesto de ruptura. O julgamento fica para Deus (vv. 10-12).

O regresso dos discípulos significa um contínuo retorno às fontes da evangelização. Nossos trabalhos devem sempre ser avaliados à luz do Evangelho. Nada de triunfalismos, nada de vaidade. A glória compete a Cristo, cujo anúncio do Reino espanta os demônios e é superior a todas as manifestações da morte (como o poder de pisar em serpentes e escorpiões). A alegria dos discípulos reside no fato de os nomes deles estarem escritos no céu.

 

 

 

Leituras da semana

dia 8: Gn 28,10-22a; Sl 90[91],1-4.14-15b; Mt 9,18-26

dia 9: Gn 32,23-33; Sl 16[17],1-3.6-7.8b; Mt 9,32-38

dia 10: Gn 41,55-57;42,5-7a;17-24a; Sl 32[33],2-3.10-11.18-19; Mt 10,1-7

dia 11: Gn 44,18-21.23b-29 – 45,1-5; Sl 104[105],16-21; Mt 10,7-15

dia 12: Gn 46,1-7.28-30; Sl 36[37],3-4.18-19.27-28.39-40; Mt 10,16-23

dia 13: Gn 49,29-32;50,15-26a; Sl 104[105],1-4.6-7; Mt 10,24-33

 

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