Roteiros Pastorais Palavra de Vida
13/08/2020 Antônio Carlos Santini Edição 3926 13/08/2020 – Não tinha com que pagar... (Mt 18,21 - 19,1)

PALAVRA DE VIDA

13/08/2020 – Não tinha com que pagar... (Mt 18,21 - 19,1)

            Entre outros ensinamentos, esta parábola de Jesus traça uma síntese de nossa situação diante de Deus, com uma clara alusão à futura passagem de nosso juízo particular, logo após a morte. Nosso balanço estará no vermelho. Somos devedores em situação de insolvência.

            Em seu comentário sobre Mateus, o “Evangelho do Reino”, Hébert Roux observa: “Mesmo fazendo o inventário daquilo que o homem possui de mais precioso, e reunindo todos os valores que representam sua pessoa e seus bens, o servidor bem sabe que não poderá satisfazer as exigências de seu patrão, a despeito de suas próprias promessas. A decisão do Rei é motivada não pelo crédito que ele concede a seu devedor, mas unicamente pelo fato de que ele é ‘movido de compaixão’. O devedor insolvente deve sua liberdade exclusivamente a um decreto de pura graça: “deixou-o ir e perdoou-lhe a dívida’”.

            Certos grupos religiosos ou correntes espirituais acreditam piamente que devem seguir determinadas leis morais e fugir dos erros conscientes para acumular méritos diante do Criador, de tal modo que, de posse desse “capital”, possam ao fim da vida apresentar-se ao tribunal divino com “valores a receber”. O céu (ou o nirvana) seria, pois, simples conquista humana. Ele “mereceram” o céu...

            Ledo engano! Esta passagem para Deus (podem chamá-la de salvação...) custou o sangue de Jesus Cristo, o Filho de Deus. Como assevera o apóstolo, “por alto preço fostes comprados” (1Cor 6,20). Não será o nosso esforço ou o nosso sangue que pagará uma dívida (que, aliás, já foi paga) infinitamente superior aos nossos recursos humanos.

            Nossa esperança consiste apenas na possibilidade (bem real, diz nossa fé...) de ocorrer um movimento nas entranhas de misericórdia de nosso Deus, que se deixa “mover de compaixão”.

            De volta à parábola, fica bem claro que há servidores tão indignos, a ponto de negarem ao irmão mais próximo a mesma misericórdia que esperam encontrar no divino Juiz. Ora, a simples expectativa de ter a própria dívida perdoada deve ser suficiente para me decidir a perdoar, desde já, qualquer dívida que meus irmãos ainda tenham comigo. Qualquer outra decisão seria loucura...

Orai sem cessar: “É eterna a misericórdia do Senhor...” (Salmo 103,17)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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