Roteiros Pastorais Homilética
03/06/2020 Dom Emanuel Messias de Oliveira Edição 3924 12º Domingo do Tempo Comum - 21/06/2020
F/ sspx
"“Não existe nada de oculto que não venha a ser revelado” (Mt 10,26)"

12º Domingo do Tempo Comum - 21/06/2020

Leituras: Jr 20,10-13; Sl 68[69]; Rm 5,12-15; Mt 10, 26-33. 

  1. Deus ao nosso lado. Jeremias foi o profeta que anunciou e presenciou o Exílio Babilônico no século VI (586 a.C.). Foi mais do que todos os outros profetas perseguido, caluniado, ameaçado de morte. Sua vida de sofrimento se aproxima muito da do profeta de Nazaré, 600 anos depois.

O profeta prevê a desgraça de todos, mas se sente encurralado, vítima de suas próprias atitudes proféticas. Sua fidelidade a Deus lhe compra brigas e ameaças de todos os lados. Ele tem confiança inabalável em Deus. Deus é para ele como um valente guerreiro. Está do lado dele, como está sempre do lado do justo, apesar das aparências em contrário. Ele sabe que seus perseguidores tropeçarão e serão cobertos de extrema vergonha e de inesquecível infâmia.

O profeta vê a Deus como seu advogado, a quem ele entrega sua causa. Conhece perfeitamente a causa e profundamente seu profeta. Ele sonda os rins, quer dizer, a sua consciência. Deus conhece tudo e, por isso, pode salvar o profeta de seus perseguidores.

O profeta, reabastecido pela sua prece confiante, convida a todos para cantar e louvar ao Senhor. Sua confiança é tão profunda que ele coloca já no passado a vitória futura da vida do pobre. Hinos e cânticos se justificam, pois o Senhor "salvou das mãos dos malvados a vida do pobre".

 

  1. A abundância da graça. Paulo faz um paralelo entre Adão e Cristo, com o que eles trouxeram para a humanidade. O velho Adão é, por contraste, figura de Jesus Cristo, que é visto como Novo Adão. São Paulo diz que onde abundou o pecado superabundou a graça. Se Adão trouxe a morte, Jesus trouxe a abundância de vida.

Adão, o homem velho, trouxe o pecado para o mundo e com o pecado a morte. O pecado de Adão consiste no orgulho e no egoísmo, na prepotência, no atribuir a si o direito de decidir sobre o bem e o mal. “Sereis como deuses”, diz a serpente. Adão quer ocupar o lugar de Deus; quer ser juiz em causa própria. Ele é solidário com o mal.

Jesus, o novo Adão, recria o homem novo para a vida. Jesus, solidário com a humanidade, trouxe com sua morte de cruz a possibilidade de salvação para todos. A graça que Deus nos dá em Jesus Cristo é muito maior que o pecado gerado por Adão. Nossa opção não pode ser por Adão, mas por Jesus Cristo.

 

  1. Nossa decisão. Jesus revelou para seus discípulos o mistério do Reino. Os discípulos devem ser mensageiros da verdade e para isso devem corajosamente enfrentar os donos da mentira, que não suportando a verdade, certamente reagirão com perseguição e violência. A lâmpada do discípulo-missionário não pode ficar escondida debaixo do alqueire, do banco, inventando uma religião intimista, de sacristia. O discípulo-missionário tem que estar no meio do mundo, pois Jesus disse: "Vós sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo". O verdadeiro discípulo-missionário não deve ter medo do confronto.

Os discípulos-missionários devem o temor-obediência a Deus, e não aos homens. Os homens podem fazer mal ao corpo, mas só Deus "pode arruinar a alma e o corpo no inferno". Podemos perguntar por quem optar? Pelo velho homem-Adão, ou pelo novo homem-Deus, Jesus Cristo? A quem devemos obediência? Em quem devemos depositar nossa confiança? Quem não teme a morte física, por causa do Evangelho, ganha a vida.

Jesus mostra como Deus cuida de coisas insignificantes, como pardais e o cabelo de nossas cabeças. Ora, se Deus cuida de coisas insignificantes, muito mais cuidado ele terá com seus discípulos-missionários. Veja que frase confortadora: "Não tenham medo! Vocês valem mais do que muitos pardais".

Causa preocupação a frase anterior. "No entanto nenhum deles cai no chão sem o consentimento do Pai". Quer dizer que o Pai pode consentir que um discípulo-missionário chegue ao martírio por causa do Evangelho? É claro que pode, ele não consentiu na morte do seu próprio Filho? Só que, como o Pai não deixou seu Filho na morte, mas o ressuscitou, assim dará vida a seu discípulo-missionário.

Você pode optar por Cristo, enfrentando perseguição e até mesmo a morte, ou renegá-lo; ser a favor dele ou contra ele. Mas, atenção! Decidir como o velho Adão, como juiz de si mesmo, leva à ruína. Sua decisão deve ser a partir da Boa Nova de Jesus Cristo.

 

Leituras da semana

dia 22: 2Rs 17,5-8.13-15a.18; Sl 59[60],3.4-5.11-12a.12b-13; Mt 7,1-5

dia 23: 2Rs 19,9b-11.14-21.31-35a.36; Sl 47[48],2-3a.3b-4.10-11; Mt 7,6.12-14

dia 24: Is 49,1-6; Sl 138[139],1-3.13-14ab.14c-15; At 13,22-26; Lc 1,57-66.80

dia 25: 2Rs 24,8-17; Sl 78[79],1-2.3-5.8-9; Sl 78[79],1-2.3-5.8-9; Mt 7,21-29

dia 26: 2Rs 25,1-12; Sl 136[137],1-2.3.4-5.6; Mt 8,1-4

dia 27: Lm 2,2,10-14.18-19; Sl 73[74],1-2.3-4.5-7.20-21; Mt 8,5-17

 

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