Roteiros Pastorais Palavra de Vida
12/09/2019 Antônio Carlos Santini Edição 12/09/2019 – Amai os vossos inimigos! (Lc 6,27-38)

PALAVRA DE VIDA

12/09/2019 – Amai os vossos inimigos! (Lc 6,27-38)

                Atenção: isto é para cristãos. Para quem aceitou a Boa Nova. Só para quem acolheu a salvação que nos veio da morte e ressurreição de Jesus Cristo. De outra forma, como aceitar o imperativo de amar a quem me odeia?

                E o Mestre que nos passa esta lição é exatamente o mesmo que, cravado na cruz, zombado e cuspido, faz uma última oração antes de morrer: - “Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem!” (Lc 23,34) Um cristão como Estêvão, o primeiro mártir, repetirá a mesma prece ao ser apedrejado por causa de sua fé: “Senhor, não os condenes por este pecado!” (At 7,60)

                Claro, se ainda não encontramos Jesus em nossa estrada, se levamos em conta apenas nossos próprios interesses, dos quais cuidamos ciosamente, não há nada a perdoar em nossos relacionamentos. Se necessário, voltaremos ao Talião: olho por olho, dente por dente...

                André Louf faz o comentário: “Para o cristão, em cada relação existe algo mais a partilhar: um Amor que pode transparecer, uma gratuidade que se apressa a isso, como um acréscimo, uma mais-valia. O cristão entreviu o Amor de Deus, acreditou nesse Amor, abandonou-se a esse Amor. Ele sabe o que significa misericórdia, e que foi renovado por ela, re-criado no mais profundo de seu ser. Ele era pecador, em situação de definitiva insolvência diante de Deus, mas subitamente, antes mesmo de se dar conta disso, encontrou-se nos braços da misericórdia; as entranhas de misericórdia da ternura de Deus o envolveram”.

                É esta experiência – de Saulo de Tarso, de Agostinho de Hipona, de Inácio de Loyola – que FAZ o cristão. Eu era devedor, minha dívida foi cancelada. Eu era réu, minha pena foi anulada. Eu estava votado à morte eterna, o sangue de Jesus injetou em mim a vida que não passa.

                “Diante de tal gratuidade – prossegue o monge André Louf – diante de tal excesso de amor, ele não ousou acreditar em seus próprios olhos. Agora ele pode, ele deve confessar diante de todos que Deus é bom, que seu Amor é eterno, tanto para os bons quanto para os maus.”

                É neste cenário que faz sentido o mandamento de Jesus: amai os vossos inimigos! Afinal, eu era o inimigo de Deus, e ele me perdoou. O sangue de Cristo correu por causa de meus crimes. Eu era o criminoso, ele foi a vítima inocente. Agora, perdoado (e devedor!), com que direito iria eu cobrar, acusar e condenar quem se faz meu inimigo? Meu perdão se torna uma exigência...

Orai sem cessar: “Nós amamos porque Deus nos amou primeiro...” (1Jo 4,19)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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