Roteiros Pastorais Palavra de Vida
11/01/2020 Antônio Carlos Santini Edição 10/01/2020 – Vai mostrar-te! (Lc 5,12-16)

PALAVRA DE VIDA

10/01/2020 – Vai mostrar-te! (Lc 5,12-16)

            No tempo de Cristo – hoje, não mais? – o leproso era duramente estigmatizado. Moléstia grave, deformante, sem remédio, levava a sociedade a excluir o doente, separando os pais dos filhos sem piedade. De certo modo, o leproso sofria um processo de ocultação: empurrado para fora da cidade, vivendo em lugares afastados, nas encruzilhadas, o rosto coberto pelo capuz.

            Agora, vem Jesus, o libertador, e diz ao leproso: “Vai mostrar-te!” Vale dizer: chegou ao fim o teu tempo de ocultamento, o tempo de não-pessoa... Curado, voltas a ter um rosto, um olhar.

            São Lucas – também ele dedicado à medicina - nos mostra a figura de Jesus como o médico dos corpos e das almas. Nesta passagem, ele não se limita a regenerar o tecido material degenerado pelo mal, mas reintegra a pessoa do doente ao convívio social. E faz questão de enviá-lo aos homens do Templo, para dar aos religiosos a oportunidade de intuírem que havia chegado o tempo do Messias.

            O “maldito de Deus” – apelido impiedoso que a época atribuía aos leprosos -, obrigado a gritar: “Impuro! Impuro!” quando alguém se aproximava, ousa aproximar-se de Jesus, caindo por terra a seus pés. Sem medo de ser apedrejado, o cadáver ambulante vê no Rabi última esperança.

Este impulso do desespero confiante jamais fracassa diante de Deus. Quando o Senhor percebe que já não temos outro recurso, sua compaixão o move a uma resposta de amor. Por trás das chagas infectas, o divino Médico enxerga o homem primeiro, o Adão inicial, com a perfeição que lhe dera o Criador. Para Deus, curar é regenerar...

O intocável sabe onde tocar em Jesus: “Se queres... podes...” Trata-se de um ato de fé. Ele sabe que Jesus “pode”; basta agora que ele “queira”. A resposta de Jesus logo confirma o seu poder.

A rejeição social sofrida pelo doente ia muito além do medo do contágio ou do nojo perante as chagas deformantes: a doença brotara do pecado, pensavam os “puros”. No fundo, reagiam diante do leproso intuindo que também eles estavam sujeitos ao mesmo “castigo”, pois todos são pecadores. Daí, a necessidade de manter à distância aquele que sugere o meu possível abismo.

            Mas existe um médico. Existe uma cura. A vida nova é possível...

Orai sem cessar: “Ele tomou sobre si as nossas enfermidades...” (Is 53,4)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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