Destaques Igreja Hoje
19/04/2019 Ramon da Silva Teixeira Edição 3912 1º Encontro Música e Espiritualidade da Caminhada
Ramon da Silva Teixeira
Ramon da Silva Teixeira
"Compreendemos que as músicas têm papel fundamental: animar o povo de Deus e dar forças para seguir adiante, fiel ao projeto de Jesus."

Ramon da Silva Teixeira*

Já parou para refletir sobre as músicas que você escuta e canta durante as celebrações ou missas, nos grupos de reflexão ou em outros espaços? Pois bem, nos dias 30 e 31 de março foi o que aconteceu o 1º Encontro de Músicas e Espiritualidade na Caminhada, realizado em Manhumirim-MG, no Colégio Santa Teresinha. O evento foi organizado por um grupo de leigos e leigas de Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), com apoio das Irmãs Sacramentinas de Nossa Senhora.

Reuniu aproximadamente 60 pessoas de diversas paróquias (das Dioceses de Caratinga e Itabira/Cel. Fabriciano e da Arquidiocese de Mariana). Eram Agentes de Pastorais e movimentos religiosos e sociais: PAB - Pastoral Afro-Brasileira; PJ - Pastoral da Juventude; PJR - Pastoral da Juventude Rural; CPT - Comissão Pastoral da Terra, FOMENE - Fórum Mineiro de Entidades Negras; EFA - Escolas Família Agrícola; Sindicatos de Agricultores e Agricultoras Familiares; etc. Estiveram também presentes integrantes de grupos culturais de devoção a Santos Reis e Nossa Senhora do Rosário: Folia de Reis do Boné -Araponga/MG; Grupo Folia de Reis Baltazar - Luisburgo/MG e Alto Jequitibá/MG; e a Banda de Congo José Lúcio Rocha - Comunidade quilombola do Córrego do Meio - Paula Cândido/MG. Somou-se a essas corporações o Grupo Afro Ganga Zumba, de Ponte Nova/MG.

 

Música, alegria e reflexão

Com a bíblia nas mãos, violões, tambores, pandeiros, sanfonas, chocalhos, maracás... o encontro foi marcado por um espírito de alegria, reflexão e muitas emoções. Sob a assessoria de Frei Gilvander (assessor bíblico-teológico do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos - CEBI/MG; da Comissão Pastoral da Terra (CPT/MG) e das CEBs), compreendemos que as músicas têm papel fundamental: animar o povo de Deus e dar forças para seguir adiante, fiel ao projeto de Jesus.

As Escrituras Sagradas do Antigo e Novo Testamento são permeadas por cânticos. Na dinâmica de cantar e rezar a vida, fazer memória e fortalecer a luta em defesa da vida e da esperança, o Encontro se propôs a alimentar uma Espiritualidade Libertadora que provoca uma “Igreja em saída”. Tomando como ponto de partida a experiência vivenciada pelos discípulos de Emaús, tivemos a oportunidade de fazer uma análise de conjuntura eclesial, refletindo o nosso papel profético no mundo. O que se canta por aí? O que se entende por música sagrada e profana? As músicas que se canta, cantam a libertação do povo de Deus? De que lado elas estão? Que histórias contam? São músicas que iluminam nosso caminho de fé? Dão força e esperanças para as lutas diárias? São músicas que fazem refletir a realidade ou nos afastam dela?

Segundo Frei Gilvander, além de saborear a beleza da melodia, é preciso prestar atenção nas letras cantadas. Não há neutralidade, muito menos nas músicas. É necessário que se busque permanentemente as histórias, os contextos e as situações concretas de onde brotam as canções religiosas e populares.

 

 

Atividades variadas

Os trabalhos de grupos realizados deram vida ao encontro, fortalecendo a mística na grande plenária. Enquanto uns refletiram sobre as músicas escolhidas para o cancioneiro, outros refletiram sobre o cenário pedagógico do encontro; outros sobre o varal de imagens e frases; outros, sobre a imagem do painel de boas-vindas e, outros, ainda sobre o tipo de alimentação que permeou o encontro. Sobre esse último ponto, vale ressaltar, que toda a alimentação oferecida nos dois dias foi agroecológica e trazida pelos participantes, em sua maioria, agricultoras e agricultores familiares.

No sábado à noite aconteceu um momento ímpar para o encontro: a noite cultural. Aberta à comunidade, os presentes puderam celebrar com muita alegria o que fizeram até aquele momento. Apresentações dos grupos de folia, de congada e do Ganga Zumba; “dança do pilão”, cantigas de roda e cirandas e ainda, a entrega pública da dissertação de mestrado de Guilherme M. Conte aos mestres Tião Farinhada e Antônio Boi, alvo de estudo do trabalho de pesquisa. Destaque especial para a participação das crianças. Com os olhinhos brilhando, dançaram e se divertiram com os adultos sem ter pressa de dormir.

No domingo, o dia foi marcado por uma missa inculturada, momento que conectou todas e todos ao Mistério Eucarístico. A canção “Se calarem a voz dos profetas” (Zé Vicente) ecoou, emocionou e reforçou o compromisso com um “novo jeito de ser Igreja”. No momento da eucaristia, como canta padre Zezinho, “Por um pedaço de pão e um pouquinho de vinho/ Deus se tornou refeição e se fez o caminho”.

Muitos e muitas se emocionaram e deram seus testemunhos de fé e vida. O Encontro foi concluído com dois encaminhamentos. Primeiro, que esse trabalho de resgate das músicas que alimentam a caminhada, continue sendo feito nas nossas comunidades, considerando também a reflexão. Segundo, que esse encontro ampliado aconteça novamente no ano que vem, em outra paróquia.

Para aqueles e aquelas que tiveram presentes fica na memória a pergunta feita por Jesus: “O que é que vocês andam conversando pelo caminho?” (Lc 24, 17). O que vocês andam conversando e cantando pelo caminho?

 * Mestrando em Antropologia pela UF Viçosa. Colaboraram com a escrita Maria Eliane Pereira e Sebastião Estevão, conhecido como “Farinhada”.

 

F/ José Weber

Compartilhe este artigo:
Nome:
E-mail:
E-mail do amigo:
DEIXE UM COMENTÁRIO
TAGS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS