Roteiros Pastorais Homilética
17/02/2021 Dom Emanuel Messias de Oliveira Edição 3933 1º Domingo da Quaresma - 21/02/2021
F/ livejournal.com
"A Campanha da Fraternidade nos convida ao diálogo baseados no amor que vence o ódio e os muros de separação. Faça a diferença não alimentando controvérsias e polêmicas quer pessoalmente ou nas redes sociais. Somos chamados a testemunhar a paz com a nossa vida, com as nossas atitudes. Chamados a ser instrumentos de paz."

1º Domingo da Quaresma - 21/02/2021

 

Leituras: Gn 9,8-15; Sl 24[25]; 1Pd 3,18-22; Mc 1,12-15

Destaque: “Convertei-vos e crede no Evangelho.” (Mc 1,15)

 

  1. O sinal da Aliança. O mundo está saindo do caos do dilúvio destruidor (Gn 6-9). Deus como que começa uma nova Criação. Não haverá mais dilúvio. O dilúvio simboliza a humanidade sufocada pela violência e pelo mal. O que Deus quer é uma vida nova, uma nova forma de vida fundamentada na justiça e na solidariedade.

Deus faz aliança com toda a humanidade e toda a Criação, e promete que não haverá mais dilúvio, na manifestação do amor de Deus por todas as suas criaturas. A Criação volta para as mãos de Deus. Ele quer a vida de todos com harmonia e equilíbrio. O mal, a destruição, a morte não vêm de Deus. Eles têm outra origem. Quem é o responsável?

O arco-íris – símbolo da Aliança - sempre existiu desde as primeiras chuvas debaixo do sol. Deus, porém, o toma como símbolo da sua Aliança com a humanidade toda e toda a Criação. Sempre, após a chuva que irriga a terra, Deus mostra o sinal da sua aliança.

A terra é realmente, em relação aos outros planetas, um jardim de delícias, onde há exuberância de vida. O homem fez o arco para a guerra, Deus retoma o arco como símbolo de paz. O homem e a mulher são os responsáveis por conservar e melhorar a vida no planeta. Para isso, têm a cobertura do Deus da Aliança, do Deus da paz.

 

  1. Salvação para todos. Os cristãos da 1ª Carta de Pedro vivem momentos difíceis; migrantes vivendo como estrangeiros sem os direitos de cidadãos, pessoas simples, marginalizadas e perseguidas. O texto exorta ao sofrimento por causa da justiça, à imitação de Cristo, que sofreu sem ter pecado, para a salvação dos pecadores.

Para motivá-los, o texto diz que Jesus, o justo, morreu para remissão de nossos pecados, para nos conduzir a Deus. Desceu à mansão dos mortos e ressuscitou, assentou-se à direita de Deus, assumindo seu poder sobre toda criatura, como afirmamos no “Credo”.

As águas do dilúvio são símbolo do batismo que nos salva. Por meio da arca, oito se salvaram através da água. Nas águas do batismo, encontramos a salvação por meio do compromisso de uma vida nova através da morte e ressurreição de Jesus.

Os vv. 19 e 20 falam da pregação de Cristo aos espíritos em prisão, os que foram incrédulos enquanto Moisés construía a arca. A alusão a “espíritos em prisão” não indica anjos decaídos, mas os homens incrédulos do tempo do dilúvio. Deus foi paciente para com eles. Diante do castigo do dilúvio, eles devem ter-se arrependido, pedindo perdão e aceitando a morte como expiação de seus pecados.

O sacrifício de Cristo não exclui ninguém da possibilidade da salvação; por Ele todos chegam ao Pai, tanto os que viveram antes, quanto os que vivem e viverão depois dele. Há conversão e salvação para quem quiser. Compete a nós, cristãos, com o anúncio e o testemunho, mesmo no sofrimento, levar esta Boa Notícia da salvação a todos os povos.

 

  1. A boa nova. Após o batismo, Jesus age pela força do Espírito Santo, que o impeliu para o deserto, símbolo do povo de Israel, que não quer acolher Jesus, mas vai tentá-lo.

“Os 40 dias” no deserto vão recordar uma série de episódios na vida do povo de Deus. Representam antes de tudo uma geração, ou seja, a vida de Jesus no meio do povo de Israel. Também o povo de Deus passou 40 anos no deserto em meio às dificuldades, lutas e favores de Deus. Jesus refaz a caminhada do povo de Deus para reconduzi-lo à Terra Prometida. É a inauguração do novo e definitivo êxodo para uma vida de paz e fraternidade universais (convivência com os anjos).

“40 dias” recordam ainda o tempo do dilúvio. Depois do sofrimento e da morte, vai surgir uma humanidade nova, como nos ensina a vida de Noé. Moisés também passou “40 dias” no deserto do Sinai, preparando-se para receber a Aliança de Deus com o seu povo. Jesus igualmente se prepara para nos trazer a Nova Aliança no seu sangue. Também Elias refaz suas forças durante “40 dias” no monte Horeb, antes das radicais mudanças que ele implantou no Reino do Norte. E as tentações, quais são?

Satanás significa o adversário, ou seja, pessoas e sistemas que se opõem ao projeto de Jesus. Por aí, a gente pode imaginar que Jesus foi tentado a vida inteira pelo sistema opressor da época, seus líderes e até mesmo por Pedro (cf. Mc 8,32-33). A convivência com as feras lembra que Jesus veio refazer o paraíso perdido por Adão. Veio realizar a profecia de Is 11,1-9: a fraternidade universal. O serviço dos anjos indica que Jesus é sustentado em sua missão pelo seu próprio Deus e Pai.

Após a morte de João, Jesus anuncia que a espera da libertação chegou ao fim e o Reino de Deus está próximo. O Reino acontece nos atos libertadores de Jesus. Suas primeiras palavras no Evangelho de Marcos são: “Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho”. Este é o programa libertador de Jesus.

A proximidade do Reino para cada um de nós supõe arrependimento e fé na Boa Notícia que Jesus está trazendo em sua própria pessoa. Jesus é o Evangelho. Converter-se é aderir a ele e romper com a ideologia dominante, que faz famintos e marginalizados.

A Campanha da Fraternidade nos convida ao diálogo baseados no amor que vence o ódio e os muros de separação. Faça a diferença não alimentando controvérsias e polêmicas quer pessoalmente ou nas redes sociais. Somos chamados a testemunhar a paz com a nossa vida, com as nossas atitudes. Chamados a ser instrumentos de paz.

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