Roteiros Pastorais Homilética
13/02/2020 Dom Emanuel Messias de Oliveira Edição 3920 1º Domingo da Quaresma – 1º/03/2020 “Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele prestarás culto.” (Mt 4,10b)
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"A vitória de Jesus sobre a injustiça, o mal e o antirreino"

1º Domingo da Quaresma – 1º/03/2020

“Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele prestarás culto.” (Mt 4,10b)

Leituras: Gn 2,7-9; 3,1-7; Sl 50[51]; Rm 5,12.17-19; Mt 4,1-11

 

  1. Tentação e queda. Em Gn 2,7-9, o homem criado por Deus e colocado num jardim de delícias, onde não faltava nada. No centro do pomar, está a árvore da vida. Simboliza o mistério de Deus. O que mais o ser humano precisa? Esta é a vida planejada por Deus para todos nós. Eis o paraíso da vida. Não desobedecer à Lei de Deus, ou seja, não querer decidir por si mesmo o que é bem e o que é mal. Isto está simbolizado pela árvore do conhecimento do bem e do mal, que, também, está no centro do jardim. Esta árvore simboliza o mistério do homem. Em Gn 3,1-7, temos a explicação simbólica da origem do mal. No centro, a pretensão de ser como Deus (v. 5), usurpando o lugar do Deus verdadeiro, para tornar-se autossuficiente, isto é, um falso deus. O projeto de Deus é vida e liberdade para todos. O contraprojeto humano é liberdade e vida só para si mesmo.

Seduzidos pela cobiça de se tornarem como deuses, conhecedores do bem e do mal, o homem e a mulher cedem à tentação e comem do fruto proibido. Consequências: percebem a sua nudez. Despiram-se da graça, escondem-se de Deus, deparam-se com o medo. A partir desta sua autossuficiência e ganância, sobrevém ao homem e à mulher toda a sorte de desgraças.

 

  1. A graça foi maior. Paulo faz a contraposição entre "duas figuras, dois reinos e duas consequências". São duas figuras: Adão e Cristo. Adão representa o início e a personificação da humanidade, imersa no reino do pecado e a caminho da morte. Cada um de nós traz Adão na sua carne, autossuficiência e ganância estão latentes em nós.

Jesus Cristo representa “o novo Adão como início e personificação da humanidade, introduzida no reino da graça, e caminhando para a vida”. Paulo contrapõe Adão e Cristo, “para mostrar a supremacia de Cristo e o Reino da Graça sobre Adão e o reino do pecado”. Se através de um só homem reina a morte, por causa da falta de um só, com mais razão, reinarão, na vida, aqueles que recebem a abundância da graça e do dom da justiça, por meio de um só: Jesus Cristo. Com a desobediência e busca de autossuficiência, Adão trouxe consigo o reino do pecado e da morte. Em Adão, todos pecaram e caminham para a condenação e a morte. Já com sua obediência, justiça e graça, Cristo restaurou a humanidade decaída: "onde foi grande o pecado, foi bem maior a graça".

 

  1. Tentação e vitória. O deserto lembra a caminhada do povo de Deus e a formação de uma sociedade alternativa, através da solidariedade e partilha do poder e dos bens.

Os 40 dias de jejum lembram Moisés na montanha (cf. Ex 24,28), em completo jejum, para receber as tábuas da aliança, para a nova sociedade. Lembra, ainda, os 40 anos dos hebreus no deserto, com as tentações de voltar ao Egito. Jesus propõe novos caminhos para realizar a justiça do Reino.

A primeira tentação consistia em realizar a justiça do Reino, mediante a abundância (vv. 1-4). O demônio quer que as coisas aconteçam através do milagre, da mágica. Mas, Jesus se recusa a ser o Messias da abundância: "Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”. (cf. Dt 8,3.) Sua palavra propõe liberdade e vida através da solidariedade e partilha.

A segunda era realizar a justiça do Reino mediante o prestígio (vv. 5-7). O demônio convida Jesus a precipitar-se da parte mais alta do Templo, e alude à Escritura, que diz que os anjos o acudiriam. Ele quer manipular Deus a seu favor.

Jesus é tentado a abusar do poder de Deus, para dar uma demonstração pública de prestígio. Jesus responde com a Bíblia na mão. “A Escritura também diz: ‘Não tentes o Senhor, teu Deus’”.

A terceira seria realizar a justiça do Reino, mediante o poder. O demônio é insistente. De um monte muito alto, mostra-lhe todos os reinos do mundo e suas riquezas: "Eu te darei tudo isso, se te ajoelhares diante de mim, para me adorar".

A ousadia do demônio leva à inversão mais radical. Mas, Jesus se recusa a ser o Messias do poder. Quem exerce o poder oprime e explora. De novo, Jesus responde com a Bíblia na mão. “Vai-te embora, Satanás, porque a Escritura diz: ‘Adorarás ao Senhor, teu Deus, e somente a Ele servirás’”.

O Evangelho sintetizou as tentações da vida de Jesus, colocando-as simbolicamente, no início do seu ministério, para mostrar, antecipadamente, a vitória de Jesus sobre a injustiça, o mal e o antirreino. A injustiça de nossa sociedade é fruto do acúmulo de bens, da busca de prestígio e da concentração do poder.

 

Leituras da semana

dia 2: Lv 19,1-2.11-18; Sl 18[19],8.9.10.15; Mt 25,31-46

dia 3: Is 55,10-11; Sl 33[34],4-5.6-7.16-17.18-19; Mt 6,7-15

dia 4: Jn 3,1-10; Sl 50[51],3-4.12-13.18-19; Lc 11,29-32

dia 5: Est 4,17n.r.aa-bb.gg-hh; Sl 137[138],1-2a.2bc-3.7c-8; Mt 7,7-12

dia 6: Ez 18,21-28; Sl 129[130],1-2.3-4.5-6.7-8; Mt 5,20-26

dia 7: Dt 26,16-19; Sl 118[119],1-2.4-5.7-8; Mt 5,43-48

 

 

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