Formação Espiritualidade
01/04/2021 Mauro Passos Edição 3935 “EM MINHA MEMÓRIA” – O SERVIÇO, A CEIA, A SAUDADE-ESPERANÇA
F/ Reprodução - Via M. Passos
"'Por favor, deixa o Outro Mundo em paz, o mistério está aqui.' (Mario Quintana)"

Mauro Passos

Em Jesus de Nazaré, o humano é o caminho para a entrada no mistério de Deus. Ele é a porta, pois colocou a vida do ser humano no centro. Sem preconceito e sem discriminação, acolheu, curou e se alegrou com as pessoas. O amor, na delicadeza de Jesus, teve a mediação do serviço e do acolhimento. Essa é a memória da celebração do “Lava-pés”, naquela quinta-feira. Um gesto que tem um significado grande. Transborda de sentidos – acolher o pobre, o pecador, o excluído. Ele sempre via nas pessoas que encontrava um sinal de esperança, uma promessa viva, um futuro diferente. Hoje, iria lavar os pés dos trabalhadores e trabalhadoras da saúde, pois esse grupo tem-se movido em ondas de solidariedade, com dignidade, competência e respeito, diante da epidemia que assola e mata pessoas. O lugar do encontro com Deus é no cotidiano da vida.
Naquela mesma tarde, Jesus repartiu o pão e o vinho com os apóstolos. Era um convite para nascer de novo. A celebração da ceia é a celebração da união de Deus com a humanidade. Eucaristia – comunhão do sagrado com o humano, da religião com a vida, da fé com a natureza, a cultura e a política. É a nossa união (comum-união) com tudo e com todos. O pão da Eucaristia – memória de Jesus – vai além do trigo e do vinho. É a memória da presença e esperança do Reino de paz, justiça e amor a ser construído. É a lembrança de que o Reino é luta e conquista, como disse: “Eu venci o mundo” (João, 16, 36). É um convite a “re-fazer” e atualizar a aliança marcada naquela ceia.
Na celebração de “Quinta-feira Santa”, o nosso olhar se volta para a saudade ou a esperança? Talvez o caminho seja acariciar a saudade para conquistar o futuro. Com criatividade, coragem e união, podemos extrair da vida sua riqueza. A memória de Jesus é a nossa referência, por isso, segui-lo é viver a aliança em dimensão de humanidade. É inserir-se na realidade. É renunciar a certezas que paralisam. É expor-se às circunstâncias com suas ameaças e promessas. É pôr valor de eternidade nos gestos pequenos. Tudo e todos somos relação, por isso, podemos ser a força da mudança – “a vida quer da gente coragem” (Guimarães Rosa). O serviço, a ceia e a saudade-esperança nos fazem irmãos.

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