Formação Juventude
28/10/2019 Frt. Dione Afonso, SDN Edição 3916 “Christus vivit” – Cristo vive e conta com os jovens
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"No caminho de volta “novas praças” vão surgindo no ambiente social e cada um desses lugares torna-se um ponto de encontro, de diversão e porque não, de evangelização? Nossos jovens hoje estão numa roda de conversa num trailer onde trocam experiências entre uma Coca-Cola e outra e uma rodada de pizza. "

“Christus vivit” – Cristo vive e conta com os jovens

Frt. Dione Afonso, SDN*

 

Após a celebração do Sínodo sobre a Juventude, a Cidade de Roma acolheu mais um Fórum Internacional da Juventude. Em seu discurso, o papa Francisco se alegra com a iniciativa de “reconhecer os jovens como os primeiros protagonistas de uma conversão pastoral”. “A Pastoral da Juventude, tal como estávamos habituados a realiza-la, sofreu o embate das mudanças sociais e culturais. Nas estruturas habituais, muitas vezes os jovens não encontram resposta para as suas inquietudes, necessidades, problemas e feridas. Embora nem sempre seja fácil abordar os jovens, estamos a crescer em dois aspectos: a consciência de que é toda a comunidade que os evangeliza e a urgência de que os jovens sejam mais protagonistas nas propostas pastorais” [CV, 202].

 

O caminho novo surge da escuta

Neste momento – se você acompanhou os artigos das edições de maio a agosto – os jovens de Emaús, após terem sido ouvidos e compreendidos, percebem que algo novo reacende no coração deles. Alguém os escutou, eles foram questionados, suas dúvidas encontraram o discernimento correto e, alguém pôs-se a caminhar com eles. Agora, o caminho de volta é um caminho novo, decidido, revigorado, porque alguém tomou a corajosa decisão de refazer o caminho com eles. Eis o perfil de um agente de pastoral: “à luz de Jesus, coloca-se a caminho de quem se encontra perdido e confuso!”

Uma pastoral hoje em nossas comunidades que atraia nossos jovens deve seguir essa inspiração do próprio Jesus. Necessitamos de uma pastoral que seja capaz de caminhar junto. É preciso escutar para nos aproximar, para discernir melhor e para acompanhar. Para refazer este caminho é “preciso assumir novos estilos e estratégias. Por exemplo, enquanto os adultos procuram ter tudo programado, com reuniões periódicas e horários fixos, hoje, nossos jovens buscam maior flexibilidade onde lhes seja permitido compartilhar a vida, festejar, cantar e ouvir testemunhos concretos de vida” [CV, 204].

 

Os jovens, os lugares, as linguagens

No caminho de volta “novas praças” vão surgindo no ambiente social e cada um desses lugares torna-se um ponto de encontro, de diversão e porque não, de evangelização? Nossos jovens hoje estão numa roda de conversa num trailer onde trocam experiências entre uma Coca-Cola e outra e uma rodada de pizza. Estão também na pracinha tímida do centro da cidade ou em frente a Igreja Matriz. Muitos não entraram para rezar, mas, será que não rezam ali as suas dores, as brigas com os pais? Estão nesses ambientes onde se sentem bem, e um agente de pastoral pode também, usando a linguagem certa, do universo deles, sentar-se ali, e, partilhar experiências concretas de vida. Nesse momento eles se encontram nesse caminho de volta. Precisam, diante da noite, encontrar a verdadeira Luz que ilumina os vossos caminhos e refazer, de um jeito novo, o percurso rumo a uma vida mais cheia de esperança na qual as dores não doam tanto.

O caminho não é outro, senão estimula-los. “Estimular para que se entusiasmem com a missão nos ambientes onde os jovens estão. O mais importante é que cada jovem ouse semear esse primeiro anúncio na terra fértil que é o coração doutro jovem” [CV, 210]. Claro que aí vem a questão da linguagem. Se o ambiente não é mais uma sala de reuniões, e sim uma praça no meio da cidade, a linguagem também deve ser diferente. “Deve-se privilegiar a linguagem da proximidade, do amor desinteressado, relacional e existencial que toca o coração, atinge a vida, desperta a esperança” [CV, 211].

O papa ainda fala de uma “gramática do amor”, e diz que nossos agentes de pastoral devem tirar das prioridades pastorais tais atitudes interesseiras com decisões prosélitas. O agente de pastoral deve se aproximar do jovem sem a intenção de coloca-lo sentado no banco da igreja. Precisamos de pessoas que sentem na calçada do lado do jovem com o único interesse de escutá-lo, compreender o caminho que ele fez até aqui. Percebam que, no fim do dia, quem faz o convite para aquele homem ficar são os dois jovens que caminhavam tristes. O convite para ficar um pouco mais, parte deles e não de nós. Hoje, nós estamos tão preocupados em trazer os jovens para a igreja que nos esquecemos de deixar que ele faça a sua experiência com Jesus.

 

Desafios pastorais

Estamos enfrentando também a onda da cultura do provisório: “esta é uma ilusão. Julgar que nada é definitivo é um engano e uma mentira. Muitas vezes ouvimos dizer que hoje o casamento está fora de moda. Na cultura do provisório, do relativo, muitos pregam que o importante é curtir o momento, que não vale a pena comprometer-se por toda a vida e fazer escolhas definitivas” [CV, 264]. É preciso revolucionar, amados jovens, mostrem que são capazes de grandes responsabilidades.

Outro desafio é o mundo do trabalho onde os jovens sofrem grandes formas de exclusão e marginalização: “o desemprego juvenil é o fator mais agravante, que, além de empobrecê-los, a falta de trabalho mata nos jovens a capacidade de sonhar” [CV, 270]. Nossas pastorais precisam se preocupar com ações de políticas públicas que gerem emprego e lazer para nossos jovens, “o trabalho para o jovem vai além da capacidade de ganhar dinheiro, mas é uma expressão da dignidade humana, é caminho de maturidade e integração social, é um estímulo constante para crescer em responsabilidade e criatividade, o protege contra o individualismo e comodismo” [CV, 271].

Nossas pastorais, nossos agentes, nossos líderes das comunidades precisam caminhar junto com os jovens. Parar para os escutar. E, da escuta, ajudar no discernimento e celebrar o caminho novo que cada um irá trilhar.

 

Para rezar e discutir em grupo:

Diante desses três desafios: a linguagem, o mundo do trabalho e a cultura do provisório, nossas comunidades têm apresentado novas perspectivas pastorais de aproximação e escuta dos jovens? O que mais podemos fazer?

 

* Graduando em Jornalismo pela PUC-Minas / dafonsohp@outlook.com

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