0800 940 2377 - (31) 3490 3100 - (31) 3439 8000 assinaturas@olutador.org.br
A tentação da Igreja Participação ativa Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as) Chamados para uma missão Comitê de Bacia investe em saneamento

A tentação da Igreja

Carlos Scheid

Uma rápida varredura na História da Igreja permite identificar a tentação permanente que ronda o “pessoal da Igreja” – expressão de Jacques Maritain – quando a missão parece difícil, as barreiras se multiplicam e a solução aparente est…

Leia Mais

Participação ativa

Um dos princípios orientadores da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II foi o da “participação ativa”, como lemos no número 14 da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium [SC]: “É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem à…

Leia Mais

Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as)

O EMM nos dá um presente, que é viver o FDS, um verdadeiro encontro consigo, com o outro e com Deus, que nos mostra o caminho para a conversão com mudanças de atitudes, a escuta com o coração e com a decisão de amar sempre. Isto tem sido um porto seg…

Leia Mais

Chamados para uma missão

João da Silva Resende, SDN*

 

“Eu te segurei pela mão, te formei e te destinei para unir meu povo e ser luz das nações. Para abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que moram nas trevas.” (Is 42,6-7.) Assim …

Leia Mais

Comitê de Bacia investe em saneamento

CBH-Manhuaçu conclui 16 Planos Municipais e agora acompanha sua implantação.

Passam-se os anos, trocam-se governos, novas políticas públicas são anunciadas e o saneamento básico segue um descalabro no Brasil. Embora seja um direito previsto na Const…

Leia Mais
Revista Catolica O Lutador Lxxxvii Dezembro Natal E Consumo Do Sagrado Ao Comercio

Natal e consumo: do sagrado ao comércio

[ A simplicidade do presépio contrasta com a imagem de Natal. A bela tradição de troca de presentes no seio da família e entre amigos está ameaçada por certa mentalidade de consumo e corre o risco de perder sua autenticidade.

Entre os romanos, que dominavam a Palestina no tempo em que ocorreu o primeiro Natal, cultuava-se o deus Mercúrio, associado a Hermes, divindade grega. Mercúrio era o deus da compra e venda, do lucro e do comércio. Seu nome tem a raiz da palavra latina merx [mercadoria], de onde vieram mercador, comércio e… marketing! Se um patrício romano visitasse nosso Natal, haveria de crer que seu deus estava em plena atividade, ocupando o espaço antes consagrado ao Menino de Belém, mais conhecido como Jesus de Nazaré.
Os estudiosos da sociedade humana – entre eles Solange Bied-Charreton – há tempos vêm registrando a perda do sagrado na civilização ocidental: mosteiros transformados em hotel, templos adaptados para casas noturnas, igrejas mudadas em centros de cultura. É exatamente o caso do Natal, ou melhor, da Natividade de nosso Senhor Jesus Cristo.
Na tentativa desesperada de ocupar o vazio deixado pelo sagrado que se foi, quilômetros de guirlandas e bolas coloridas são estendidos nas ruas e avenidas para marcar o Natal dos pagãos. Ao lado de alguns abraços e mensagens de ternura, encontros de família e gestos de solidariedade, impera por toda parte o comércio mais furioso e devorador. Natal é a hora de vender!

Perus, rocamboles e escargots
Na Internet, o site “Planetoscope” informa dados impressionantes sobre a escalada do consumo na época do Natal. No mês de dezembro, na França, são devorados 41 perus por minuto, o que dá a espantosa cota de 2,47 milhões de perus na mesa natalina. A cada segundo, na França, são consumidos 10 kg de escargots, cerca de 15.000 toneladas do gastrópode por ano, no valor de 100 milhões de euros, e de modo especial nas comemorações de Natal.
Prato indispensável no Natal do Canadá e da França, mas também na Bélgica, Líbano e Vietnã, é a “bûche de Noel”, uma espécie de rocambole em forma de acha de lenha, que é “acesa” com uma vela no alto. Somente na França, o mercado das “bûches” representa mais de 10 milhões de litros. 76% das vendas acontecem nas três últimas semanas de dezembro.
Certos setores do comércio (chocolate, bebidas destiladas, brinquedos…) são completamente dependentes da Natal e Ano Novo. É nestas festas que a Amazon realiza 70% de suas vendas.
Ironicamente, o mesmo site acusa o impacto ecológico do Natal: a distribuição de encomendas pelo Papai Noel produz 0,545 kg de CO2 por segundo, dando ao planeta o amargo presente de17,2 toneladas de carbono/ano, correspondentes ao percurso de 149 milhões de quilômetros para a distribuição dos pacotes. Assim, o verde dos pinheiros de plástico era inteiramente enganador…

Um Natal sem alma
No dia 22 de dezembro de 2002, ao final do Angelus semanal, na basílica de São Pedro, em Roma, o Papa João Paulo II denunciava o excessivo consumo que tomou conta do Natal: “A simplicidade do presépio contrasta com a imagem de Natal, que é muitas vezes apresentada de maneira insistente pelos publicitários. A bela tradição de troca de presentes no seio da família e entre amigos está ameaçada por certa mentalidade de consumo e corre o risco de perder sua autenticidade”.
O Papa, lembrava, na ocasião, que “as condições indispensáveis” para preparar um Natal espiritual “são antes de tudo o recolhimento e a oração. E depois a aspiração de aceitar a vontade de Deus, qualquer que seja a maneira em que ela se manifestar”.

A festa da matéria
Como observa Solange Bied-Charreton, o Natal tornou-se a grande celebração da matéria, da riqueza e dos gastos. “Paradoxo assustador para quem se lembrasse do menino deitado na manjedoura de um estábulo, aquele presépio que ninguém mais quer, em nome de uma laicidade que deixa o campo livre para o nada espiritual, para a religião do ter.”
Para preencher o vazio insuportável, a corrida ao shopping, as gôndolas de chocolate industrial, os espumantes de terceira categoria, papais-noéis com barba de algodão e pinheirinhos chineses com forros sintéticos. E aquela tristeza indescritível que a grande maioria experimenta em todo fim de ano, lembrando tudo aquilo que poderia ter sido. Mas não foi…
Fim de festa. Barriga cheia, alma vazia. A quantidade não valeu a qualidade. A nova religião não salva ninguém, dizem os sociólogos. (ACS) ]

Texto publicado na revista Católica O Lutador – Revista Impressa em Dezembro de 2015, Ano LXXXVII

Deixe uma resposta