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A tentação da Igreja Participação ativa Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as) Chamados para uma missão Comitê de Bacia investe em saneamento

A tentação da Igreja

Carlos Scheid

Uma rápida varredura na História da Igreja permite identificar a tentação permanente que ronda o “pessoal da Igreja” – expressão de Jacques Maritain – quando a missão parece difícil, as barreiras se multiplicam e a solução aparente est…

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Participação ativa

Um dos princípios orientadores da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II foi o da “participação ativa”, como lemos no número 14 da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium [SC]: “É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem à…

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Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as)

O EMM nos dá um presente, que é viver o FDS, um verdadeiro encontro consigo, com o outro e com Deus, que nos mostra o caminho para a conversão com mudanças de atitudes, a escuta com o coração e com a decisão de amar sempre. Isto tem sido um porto seg…

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Chamados para uma missão

João da Silva Resende, SDN*

 

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Comitê de Bacia investe em saneamento

CBH-Manhuaçu conclui 16 Planos Municipais e agora acompanha sua implantação.

Passam-se os anos, trocam-se governos, novas políticas públicas são anunciadas e o saneamento básico segue um descalabro no Brasil. Embora seja um direito previsto na Const…

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Misericordiosos como o Pai

Pe. Vinícius Augusto Ribeiro Teixeira, C.M

 

Jesus Cristo, o Bom Pastor, “rosto da misericórdia do Pai” (MV 1), carrega em seus ombros o homem perdido (cf. Lc 15,1-7). Sustenta com vigor o que está enfraquecido, tocando-o com ternura em sua realidade de abandono e sofrimento. Doravante, ninguém poderá arrebatar de suas mãos aquele que o Pai lhe confiou (cf. Jo 10,28). Em seu mistério de incondicional amor, Cristo vai ao encontro do ser humano para tirá-lo da escuridão do pecado, da dor e da morte e, assim, conduzi-lo progressivamente à luz da graça, do perdão e da vida. “Com sua palavra, seus gestos e toda a sua pessoa, Jesus de Nazaré revela a misericórdia de Deus.” (MV 1.)

Como na antiga iconografia, também aqui, o formato da amêndoa recorda a interpenetração entre a natureza divina e a natureza humana, perfeitamente harmonizadas na pessoa do Filho Amado, “verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem”. (Jo 1,9.)

A alvura da veste de Jesus traduz a integridade de sua vida tecida pelos fios da bondade e da compaixão. Em sua humanidade, transparece a glória recebida do Pai, “como Filho Unigênito cheio de graça e verdade”. (Jo 1,13.)

Esta glória, irradiação do amor trinitário, resplandece sobre todos os que se deixam alcançar pela misericórdia que reluz no rosto de Cristo e se difunde em seus gestos e palavras. “Sua pessoa não é senão amor, um amor que se dá gratuitamente. Seu relacionamento com as pessoas que se abeiram dele manifesta algo de único e irrepetível. Os sinais que realiza, sobretudo para com os pecadores, as pessoas pobres, marginalizadas, doentes e atribuladas, decorrem sob o signo da misericórdia. Tudo nele fala de misericórdia. Nele, nada há que seja desprovido de compaixão.” (MV 8.)

Os pés e as mãos de Jesus trazem as marcas da paixão, simbolizando seu amor oblativo, sua entrega total, seguro penhor de nossa salvação. Expressão sublime e radical da misericórdia, “a cruz de Cristo é o juízo de Deus sobre todos nós e sobre o mundo, porque nos oferece a certeza do amor e da vida nova”. (MV 21.) A cor vermelha reforça esta ideia: existência feita oferta, corpo entregue e sangue derramado para a vida do mundo (cf. Jo 6,54). Como afirma o Papa Francisco, “na morte e ressurreição de Jesus Cristo, Deus torna evidente este seu amor que chega ao ponto de destruir o pecado dos homens”. (MV 22.) Em sua cruz, Cristo abre para nós os tesouros da misericórdia, fazendo a vida ressurgir de onde a morte viera e o perdão triunfar sobre toda culpa.

Os rostos dos dois personagens estão muito próximos: o velho homem parece espelhar-se no novo, encontrando nele sua vocação e seu destino, o caminho a seguir, a verdade que liberta, a vida que enche de alegria (cf. Jo 14,6). “Com o olhar fixo em Jesus e em seu rosto misericordioso, podemos individuar o amor da Santíssima Trindade.” (MV 8.) O azul que colore os círculos concêntricos exprime este anelo vital que habita o ser humano e o preenche com a nostalgia do infinito, a saudade do Céu, o anseio da plenitude. “Esta é a vontade de meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e nele crê, tenha a vida eterna.” (Jo 6,40.)

Quando Cristo expirou na cruz, entregando o Espírito, absorvemos seu sopro de vida e passamos a respirar os ares de uma vida reconciliada pela misericórdia do Pai, a única capaz de transfigurar o velho Adão em nova criatura (cf. 2Cor 5,17). Com efeito, a misericórdia é “a força que tudo vence, enche o coração de amor e consola com o perdão”. (MV 9.) A tonalidade da roupa do homem, entre verde e dourada, reporta-nos a esta esperança derradeira, ao processo de redenção que acompanha a travessia da vida, até que desponte a fulgurante aurora da feliz ressurreição. Então, não haverá mais noite, porque a misericórdia do Senhor Deus brilhará sobre nós por toda a eternidade (cf. Ap 22,5). “O homem, não só na história, mas também pela eternidade, estará sempre sob o olhar misericordioso do Pai.” (MV 7.)

Cristo dirige para o homem um olhar de misericórdia, capaz de penetrar seu coração e iluminar sua consciência, suscitando arrependimento sincero, desejo de mudança, empenho de conversão. “Haverá mais alegria no céu por um só pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não precisam de arrependimento.” (Lc 15,7.) Um olhar que revela confiança no ser humano, abrindo-lhe novas possibilidades e dando-lhe condições de refazer o caminho da existência pela via do amor, sem o qual tudo o mais perderia sua consistência e beleza (cf. 1Cor 13,1-13).

Este foi também o olhar compassivo que Jesus de Nazaré dirigiu a inúmeras pessoas, como atestam os evangelhos: à multidão dos cansados e abatidos, famintos de Deus, de sentido e de pão, aos quais acolhe, sacia, conforta, cura e fortalece (cf. Mt 9,35-37; Mc 6,30-44); à viúva de Naim, comovendo-se em face de suas lágrimas e restituindo-lhe sua única riqueza, a vida de seu filho (cf. Lc 7,11-17); a Zaqueu, fazendo-se hóspede de um pecador e despertando-o para a justiça, o despojamento e a partilha (cf. Lc 19,1-10); a Pedro depois da negação, levando-o a uma autêntica contrição, a fim de purificá-lo e torná-lo capaz de uma caridade íntegra e generosa (cf. Lc 22,54-62); à mulher pecadora, libertando-a dos juízos mesquinhos, revigorando-a pelo perdão e impelindo-a a uma nova vida (cf. Jo 8,1-11). “Em todas as circunstâncias, o que movia Jesus era apenas a misericórdia, com a qual lia no coração de seus interlocutores e dava resposta às necessidades mais autênticas que tinham.” (MV 8.)

O homem, por sua vez, olha para Cristo. Em seu rosto, revela-se “a misericórdia que, desde sempre, o Pai estende sobre nós”. (MV 25.) Em Cristo, novo Adão, o homem vê sua própria imagem, encontra seu referencial de humanidade, a inspiração de seu agir, o modelo de sua vida. Vindo ao nosso encontro, revestido de nossa fragilidade, Cristo nos mostra a dignidade que nos foi dada e a plenitude a que somos chamados, como participantes de sua filiação divina (cf. Gl 3,26).

Os dois olhares se confundem. Tornam-se, na verdade, um mesmo olhar. Quem se reconhece contemplado, amado, perdoado por Cristo adquire seu olhar, seu modo de ver, sentir, interpretar e agir. Intui que “somos chamados a viver de misericórdia, porque, primeiro, foi usada misericórdia para conosco”. (MV 9.) Contempla Jesus Cristo pela fé, e, em sua luz, contempla, de maneira surpreendentemente nova, a Deus, aos outros, a si mesmo e ao mundo. Aprende a ver a Deus como Pai, com o olhar da gratidão, da confiança e da disponibilidade. Aprende a ver o ser humano como irmão, com o olhar da compaixão e da solidariedade. Aprende a ver a si mesmo de forma renovada, com o olhar da humildade e da coragem. Aprende a ver o mundo como Casa Comum, com o olhar da reverência e do cuidado.

Em síntese, todos os que se descobrem tocados pela misericórdia de Jesus, aprendem a ser “misericordiosos como o Pai” (Lc 6,36), dispondo-se a oferecer aos outros o que primeiro recebeu do Senhor, fazendo de sua vida um abrigo de paz e uma aragem de consolação, no ardor da caridade e na paciência do perdão. “De graça, recebestes; de graça, deveis dar.” (Mt 10,8.) Lembra-nos, a propósito, o Papa Francisco: “Jesus declara que a misericórdia não é apenas o agir do Pai, mas torna-se o critério para individuar quem são seus verdadeiros filhos […]. Tal como ama o Pai, assim também amam os filhos. Tal como Ele é misericordioso, assim somos chamados também nós a ser misericordiosos uns para com os outros”. (MV 9.)

 

A inspiração subjacente a este ícone reporta-nos àquela antiga homilia no grande Sábado Santo, encontrada no Ofício das Leituras, que narra “a descida do Senhor à mansão dos mortos”. Vejamos alguns trechos:

“O Senhor vai, antes de tudo, à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Faz questão de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da morte […]. O Senhor entrou onde eles estavam, levando em suas mãos a arma da cruz vitoriosa. Quando Adão, nosso primeiro pai, o viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito e cheio de admiração: ‘O meu Senhor está no meio de nós’.

E Cristo respondeu a Adão: ‘E com teu espírito’. E, tomando-o pela mão, disse: ‘Acorda, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará […]. Levanta-te, saiamos daqui; tu em mim e eu em ti, somos uma só e indivisível pessoa. Por ti, eu, o teu Deus, me tornei teu filho; por ti, eu, o Senhor, tomei tua condição de escravo. Por ti, eu, que habito no mais alto dos céus, desci à terra e fui até mesmo sepultado debaixo da terra; por ti, feito homem, tornei-me como alguém sem apoio, abandonado entre os mortos […]. Vê, em meu rosto, os escarros que por ti recebi, para restituir-te o sopro da vida original. Vê, em minha face, as bofetadas que levei para restaurar, conforme à minha imagem, tua beleza corrompida”.

 

Para meditar

1]. Coloque-se no lugar do homem que o Bom Pastor carrega em seus ombros. Sinta-se acolhido em sua debilidade, consolado em suas aflições e fortalecido em seu propósito de conversão. Contemple no rosto de Jesus a mais bela expressão da misericórdia do Pai, amparando sua vida, perdoando suas faltas, encorajando suas buscas, alegrando seu coração. Medite sobre Lc 15,1-7.

2]. Jesus fixa seu olhar de obediência no Pai que o revigora em sua missão. Pousa seu olhar de compaixão sobre os pobres, doentes, pecadores e infelizes. O amor que o Filho recebe do Pai, ele o comunica em seus gestos e palavras de verdade, bondade e perdão. Medite sobre os olhares de Jesus (Mc 6,30-44; Mt 9,35-37; Lc 7,11-17; Jo 8,1-11). Peça a graça de um olhar semelhante ao de Cristo, olhar de confiança no Pai e de misericórdia para com os irmãos e a Criação inteira.

 

 

O logotipo do Jubileu Extraordinário da Misericórdia foi criado pelo Pe. Marko Ivan Rupnik, jesuíta esloveno, artista especializado em mosaicos e teólogo empenhado no diálogo entre fé e cultura. Suas obras, caracterizadas por um estilo original, de grande densidade simbólica, adornam santuários de projeção internacional, como, por exemplo, a Basílica do Rosário (Lourdes), a nova Igreja da Santíssima Trindade (Fátima) e a Capela Redemptoris Mater (Vaticano). No Brasil, o primeiro grande trabalho de M. Rupnik foi o esplendoroso mosaico da abside da Catedral Santa Maria, Mãe de Deus, da diocese de Castanhal, PA, inaugurado em 2014.

 

Oração oficial do Jubileu da Misericórdia

Senhor Jesus Cristo, vós que nos ensinastes

a ser misericordiosos como o Pai celeste,
e nos dissestes que quem vos vê, vê a Ele.
Mostrai-nos vosso rosto e seremos salvos.
Vosso olhar amoroso libertou Zaqueu

e Mateus da escravidão do dinheiro,
a adúltera e Madalena de colocar a felicidade apenas numa criatura, fez Pedro chorar depois da traição e assegurou

o Paraíso ao ladrão arrependido.
Fazei que cada um de nós considere

como dirigidas a si mesmo as palavras

que dissestes à mulher samaritana:
‘Se tu conhecesses o dom de Deus!’

 

Vós sois o rosto visível do Pai invisível,
do Deus que manifesta sua onipotência

sobretudo com o perdão e a misericórdia:
fazei que a Igreja seja no mundo o rosto visível de vós,

seu Senhor, ressuscitado e na glória.
Vós quisestes que vossos ministros fossem também eles revestidos de fraqueza,
para sentirem justa compaixão por aqueles que estão na ignorância e no erro:
fazei que todos os que se aproximarem de cada um deles

se sintam esperados, amados e perdoados por Deus.

 

Enviai vosso Espírito e consagrai-nos

a todos com sua unção
para que o Jubileu da Misericórdia seja

um ano de graça do Senhor
e vossa Igreja possa,

com renovado entusiasmo,

levar aos pobres a alegre mensagem,
proclamar aos cativos e oprimidos

a libertação e aos cegos restaurar a vista.

 

Nós vo-lo pedimos por intercessão

de Maria, Mãe de Misericórdia,
a vós que viveis e reinais com o Pai e o Espírito Santo,

pelos séculos dos séculos. Amém.]

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