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A tentação da Igreja Participação ativa Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as) Chamados para uma missão Comitê de Bacia investe em saneamento

A tentação da Igreja

Carlos Scheid

Uma rápida varredura na História da Igreja permite identificar a tentação permanente que ronda o “pessoal da Igreja” – expressão de Jacques Maritain – quando a missão parece difícil, as barreiras se multiplicam e a solução aparente est…

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Participação ativa

Um dos princípios orientadores da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II foi o da “participação ativa”, como lemos no número 14 da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium [SC]: “É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem à…

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Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as)

O EMM nos dá um presente, que é viver o FDS, um verdadeiro encontro consigo, com o outro e com Deus, que nos mostra o caminho para a conversão com mudanças de atitudes, a escuta com o coração e com a decisão de amar sempre. Isto tem sido um porto seg…

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Chamados para uma missão

João da Silva Resende, SDN*

 

“Eu te segurei pela mão, te formei e te destinei para unir meu povo e ser luz das nações. Para abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que moram nas trevas.” (Is 42,6-7.) Assim …

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Comitê de Bacia investe em saneamento

CBH-Manhuaçu conclui 16 Planos Municipais e agora acompanha sua implantação.

Passam-se os anos, trocam-se governos, novas políticas públicas são anunciadas e o saneamento básico segue um descalabro no Brasil. Embora seja um direito previsto na Const…

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Revista Catolica O Lutador 3870 Medo Do Papa Francisco

Medo do Papa Francisco?

Pe. José Antonio de Oliveira*

Na revista Ave Maria de junho/2015, o Pe. Luís Erlin, cmf, apresenta um tema que nos desperta a atenção. Ele registra uma pesquisa feita nos Estados Unidos sobre a aceitação do Papa Francisco naquele país. O resultado é, no mínimo, surpreendente.

Francisco um grande líder
De acordo com a pesquisa, aquelas pessoas que têm menos contato com a Igreja Católica, como ateus e pessoas de outras religiões, sobretudo não cristãs, “veem o Papa como um grande líder, alguém que merece respeito, e acreditam na benevolência de suas intenções”.
Os católicos não praticantes percebem um sinal de esperança e acreditam na possibilidade de mudanças mais profundas na Igreja. Muitas pessoas, inclusive, dizem que voltaram a frequentar a igreja e participar das celebrações. Os católicos ‘praticantes’ estão muito contentes com o Papa.
A gente sabe que uma parte do clero o vê com certa desconfiança. Isso é muito forte na Itália, sobretudo em Roma. Mas, de modo geral, em todos os países – e também nos Estados Unidos, visitado há pouco tempo pelo Papa Francisco, o clero “demonstra esperança” e está muito feliz com o jeito e o testemunho dele.

Seminaristas com medo
E aí vem a surpresa. “O setor em que o Papa Francisco mais incomoda, segundo a pesquisa, é justamente aquele em que menos se esperava: os seminários”. A maioria dos seminaristas dos Estados Unidos vê com desconfiança algumas atitudes e pronunciamentos do Papa. Isso se dá de modo especial em relação ao clericalismo, ao carreirismo, à veemência com que o Papa exorta “a não viverem o sacerdócio como um status social ou religioso”. Alguns seminaristas confessaram ter medo do futuro da Igreja. Estão preocupados com o futuro da função sacerdotal.
Embora a pesquisa tenha sido realizada em um país específico, penso que o resultado não difere muito de outras regiões do mundo. Inclusive do Brasil. Creio que, entre nós, a grande maioria não vê desse modo. Mas há um número significativo de seminaristas dentro desse perfil. E não é difícil explicar o porquê.
O ex-assessor da CNBB, no Setor de Ministérios, José Lisboa Moreira de Oliveira, que nos deixou uma vasta literatura sobre a Vocação, demonstrava uma séria preocupação com certos tipos de ‘propaganda’ vocacional. É comum se encontrar por aí inúmeros cartazes, folders, páginas na Internet de campanhas vocacionais, trazendo fotos de casas bonitas ou até luxuosas, quartos confortáveis, áreas de esporte, piscinas etc. Tudo para ‘atrair’ candidatos. Dizia ele: se alguém entra para um seminário ou casa de formação tendo como motivação esses atrativos, como esperar desse candidato o desejo de servir, a gratuidade, o ardor missionário? Será que aceitará trabalhar numa periferia, entre excluídos ou num país de missão? Terá a mística do serviço ao próximo, do lava-pés? Quase impossível!
Outro elemento que pesa bastante são os padres midiáticos. Pessoas que fazem sucesso na TV, no mercado da música, nas redes sociais. A própria mídia coloca esses padres como modelo e referência. Nunca aqueles que estão nas periferias, nas áreas de missão, nas paróquias mais simples. Muitos jovens procuram o presbiterado motivados por essa visibilidade, esse ‘sucesso’. Aí, entra fatalmente o carreirismo, o estrelismo, o uso da religião para se promover. Não é a busca de um Deus a quem quero servir, mas o servir-se de Deus e da fé unicamente para a realização pessoal.

Estética do luxo X serviço e missão
Há ainda a questão no neoconservadorismo. Não são poucos os que sonham com a volta de uma Igreja triunfalista, piramidal, clerical, marcada pela ostentação e pelo luxo. Tempos atrás, em nossos encontros de presbíteros, tanto em âmbito local como nacional, era marcante a presença das livrarias e editoras, com um vasto material de estudo e aprofundamento. Atualmente os livros são ofuscados por uma avalanche de paramentos coloridos, vestes caras e finas, objetos dourados, verdadeiras boutiques do ‘sagrado’. É o domínio da estética e do luxo sobre o serviço e a missão.
Embora a batina e o clergyman sejam vestes próprias para os clérigos, muitos seminaristas, antes mesmo da Teologia, já querem usá-los. E usam! Será mesmo o desejo de se identificar como um servidor do povo de Deus? Sinal de despojamento? Ou vaidade e desejo de status?
Tudo isso contrasta muito com o jeito de Jesus: pobre, simples, humilde, se misturando com pobres e pecadores. Usando a roupa que o povo usava. Desprezando qualquer tipo de grandeza e de poder. Fazendo da misericórdia e do serviço a sua identidade.
Esse é também o jeito de Francisco: “o verdadeiro poder é o serviço”. Isso agrada e faz bem a muitos. Mas também não deixa de incomodar a alguns…]

* Pároco de Cristiano Otoni e Queluzito,
Arquidiocese de Mariana, MG.
E-mail: zeantonioliveira@hotmail.com

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