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A tentação da Igreja Participação ativa Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as) Chamados para uma missão Comitê de Bacia investe em saneamento

A tentação da Igreja

Carlos Scheid

Uma rápida varredura na História da Igreja permite identificar a tentação permanente que ronda o “pessoal da Igreja” – expressão de Jacques Maritain – quando a missão parece difícil, as barreiras se multiplicam e a solução aparente est…

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Participação ativa

Um dos princípios orientadores da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II foi o da “participação ativa”, como lemos no número 14 da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium [SC]: “É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem à…

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Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as)

O EMM nos dá um presente, que é viver o FDS, um verdadeiro encontro consigo, com o outro e com Deus, que nos mostra o caminho para a conversão com mudanças de atitudes, a escuta com o coração e com a decisão de amar sempre. Isto tem sido um porto seg…

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Chamados para uma missão

João da Silva Resende, SDN*

 

“Eu te segurei pela mão, te formei e te destinei para unir meu povo e ser luz das nações. Para abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que moram nas trevas.” (Is 42,6-7.) Assim …

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Comitê de Bacia investe em saneamento

CBH-Manhuaçu conclui 16 Planos Municipais e agora acompanha sua implantação.

Passam-se os anos, trocam-se governos, novas políticas públicas são anunciadas e o saneamento básico segue um descalabro no Brasil. Embora seja um direito previsto na Const…

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Papa Suécia

Jubileu da reforma: O Papa na Suécia

Nos dias 31 de outubro e 1º de novembro de 2016, o Papa Francisco visitou a Suécia, país de mino­ria católica, em uma viagem de notável sentido ecumênico, classificada como «impossível» pelo pastor Martin Junge, secretário ge­ral da Federação Luterana Mundial. O gesto de aproximação realizado por Francisco foi motivado pelas come­morações dos 500 anos da Reforma protestante.

Também o pastor Heiner Bludau, Deão da Igreja evangélica luterana, afir­mou que tal viagem seria «impensável» há alguns anos. Ele classificou a pre­sença do Papa como um «gesto mui­to forte», capaz de contribuir para um clima de reconciliação.

As Igrejas protestantes têm cele­brado cada centenário da Reforma, ocorrida no início do Séc. XVI, mas é a primeira vez que tal comemoração se realiza de maneira conjunta com os católicos, dos quais os luteranos vêm­ se aproximando ha várias décadas.

Como lembrou Mons. Franco Bu­zzi, prefeito da Biblioteca Ambrosiana de Milão, e um dos fundadores dos es­tudos luteranos na Itália, «a grande no­vidade deste centenário é que se trata do primeiro a ser celebrado em tem­pos de ecumenismo».

Do conflito à comunhão
Em 31 de outubro de 2016, na Catedral de Lund, foi divulgada a “Declaração Conjunta” de católicos e luteranos, que manifestam sua ação de graças a Deus por cinquenta anos de constante e fru­tuoso diálogo ecumênico entre católi­cos e luteranos, que “ajudaram-nos a superar muitas diferenças e aprofun­daram a compreensão e confiança en­tre nós”. O texto ainda realça a mútua aproximação “através do serviço co­mum ao próximo – muitas vezes em situações de sofrimento e de perseguição. Graças ao diálogo e testemunho compartilhado, já não somos desco­nhecidos; antes, aprendemos que aqui­lo que nos une é maior do que aquilo que nos separa”.

A busca de unidade entre os cris­tãos de diferentes denominações fica evidente nestas palavras da Declara­ção Conjunta, que insistem na recon­ciliação e na exigência de conversão: “Ao mesmo tempo que estamos pro­fundamente gratos pelos dons espiri­tuais e teológicos recebidos através da Reforma, também confessamos e la­mentamos diante de Cristo que lute­ranos e católicos tenham ferido a uni­dade visível da Igreja. Diferenças teo­lógicas foram acompanhadas por pre­ conceitos e conflitos, e instrumenta­lizou-se a religião para fins políticos. A nossa fé comum em Jesus Cristo e o nosso Batismo exigem de nós uma con­versão diária, graças à qual repelimos as divergências e conflitos históricos que dificultam o ministério da recon­ciliação. Enquanto o passado não se pode modificar, aquilo que se recor­da e o modo como se recorda podem ser transformados”.

A oração comum é um passo essen­cial neste caminho em busca da unida­de. O texto prossegue: “Rezamos pela cura das nossas feridas e das lembranças que turvam a nossa visão uns dos ou­tros. Rejeitamos categoricamente todo o ódio e violência, passados e presen­tes, especialmente os implementados em nome da religião. Hoje, escutamos o mandamento de Deus para se pôr de parte todo o conflito. Reconhece­mos que fomos libertos pela graça para nos dirigirmos para a comunhão a que Deus nos chama sem cessar”.

Compromisso por um testemunho comum
Em entrevista concedida à revista “La Civiltà Cattolica”, no mês de outubro, o Papa Francisco justificava sua viagem à Suécia: “Quando nós nos dis­tanciamos, fechamo-nos em nós mes­mos e nos tornamos mônadas, inca­pazes de nos encontrar. Nós nos dei­xamos tomar pelos medos. Precisamos aprender a nos superar para en­contrar os outros”.

O texto da Declaração Conjunta aponta para uma unidade a ser busca­da através da missão comum de evan­gelizar, que tem um de seus maiores obstáculos exatamente nas divisões en­tre cristãos: “Enquanto superamos os episódios da nossa história que gravam sobre nós, compro­metemo-nos a tes­temunhar juntos a graça misericor­diosa de Deus, que se tornou visível em Cristo crucificado e ressuscita­do. Cientes de que o modo como nos relacionamos en­tre nós incide sobre o nosso testemu­nho do Evangelho, comprometemo­-nos a crescer ain­da mais na comu­nhão radicada no Batismo, procuran­do remover os obs­táculos ainda exis­tentes que nos im­pedem de alcançar a unidade plena. Cristo quer que se­jamos um só, para que o mundo possa acreditar (cf. Jo 17,21).” Um sério entrave no caminho ecu­mênico relaciona-se à participação de católicos e protestantes na mesma Eu­caristia. A Declaração não o esconde: “Muitos membros das nossas comuni­dades anseiam por receber a Eucaris­tia em uma única Mesa como expres­são concreta da unidade plena. Temos experiência da dor de quantos parti­lham toda a sua vida, mas não podem partilhar a presença redentora de Deus na Mesa Eucarística. Reconhecemos a nossa responsabilidade pastoral co­mum de dar resposta à sede e fome es­pirituais que o nosso povo tem de ser um só em Cristo. Desejamos ardentemente que esta ferida no Corpo de Cristo seja curada. Este é o objetivo dos nossos esforços ecuménicos, que de­sejamos levar por diante inclusive re­novando o nosso empenho no diálo­go teológico”.

A Declaração se encerra com uma oração, pois os dois lados sabem que só o Espírito Santo pode superar as barreiras edificadas durante séculos: “Rezamos a Deus para que católicos e luteranos saibam testemunhar jun­ tos o Evangelho de Jesus Cristo, con­vidando a humanidade a ouvir e receber a boa notícia da ação redentora de Deus. Pedimos a Deus inspiração, ânimo e força para podermos conti­nuar juntos no serviço, defendendo a dignidade e os direitos humanos, especialmente dos pobres, trabalhando pela justiça e rejeitando todas as formas de violência. Deus chama-nos a estar perto de todos aqueles que an­seiam por dignidade, justiça, paz e re­conciliação. Hoje, de modo particular, levantamos as nossas vozes para pe­ dir o fim da violência e do extremis­mo que ferem tantos países e comu­nidades, e inumeráveis irmãos e ir­mãs em Cristo. Exortamos luteranos e católicos a trabalharem juntos para acolher quem é estrangeiro, prestar auxílio a quantos são forçados a fugir por causa da guerra e da perseguição, e defender os direitos dos refugiados e de quantos procuram asilo”.

É notável como os grandes desa­fios atuais para a humanidade – po­breza, ameaças ambientais, guerras etc. – tornem-se exatamente boas mo­tivações para a unidade dos cristãos: “Hoje mais do que nunca, damo-nos conta de que o nosso serviço comum no mundo deve estender-se à criação inteira, que sofre a exploração e os efei­tos duma ganância insaciável. Reco­nhecemos o direito que têm as gera­ções futuras de gozar do mundo, obra de Deus, em todo o seu potencial e beleza. Rezamos por uma mudança dos corações e das mentes que leve a um cuidado amoroso e responsável da Criação”. (ACS)

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