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A tentação da Igreja Participação ativa Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as) Chamados para uma missão Comitê de Bacia investe em saneamento

A tentação da Igreja

Carlos Scheid

Uma rápida varredura na História da Igreja permite identificar a tentação permanente que ronda o “pessoal da Igreja” – expressão de Jacques Maritain – quando a missão parece difícil, as barreiras se multiplicam e a solução aparente est…

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Participação ativa

Um dos princípios orientadores da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II foi o da “participação ativa”, como lemos no número 14 da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium [SC]: “É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem à…

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Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as)

O EMM nos dá um presente, que é viver o FDS, um verdadeiro encontro consigo, com o outro e com Deus, que nos mostra o caminho para a conversão com mudanças de atitudes, a escuta com o coração e com a decisão de amar sempre. Isto tem sido um porto seg…

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Chamados para uma missão

João da Silva Resende, SDN*

 

“Eu te segurei pela mão, te formei e te destinei para unir meu povo e ser luz das nações. Para abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que moram nas trevas.” (Is 42,6-7.) Assim …

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Comitê de Bacia investe em saneamento

CBH-Manhuaçu conclui 16 Planos Municipais e agora acompanha sua implantação.

Passam-se os anos, trocam-se governos, novas políticas públicas são anunciadas e o saneamento básico segue um descalabro no Brasil. Embora seja um direito previsto na Const…

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Revista Catolica Olutador Junho 3889 Capa Materia

Itinerário para formar discípulos missionários

Tema central da 55a Assembleia Geral da CNBB (abril 2017)

Pe. Luiz Alves de Lima, sdb

 

O tema da Iniciação à Vida Cristã se coloca dentro da missão evangelizadora que perpassa hoje toda a Igreja, preocupada com o anúncio do Evangelho no mundo de hoje. Não é um tema novo, mas tão antigo quanto a Igreja. Foi retomado desde o Concílio Vaticano II [1962-1965] e, atualmente, é o desdobramento do Diretório Nacional de Catequese, do documento de Aparecida (uma Igreja em estado de missão) e sua Missão Continental e do “Estudo 97” da CNBB, Iniciação à Vida Cristã, e outros. A Iniciação Cristã voltou a ser considerada agora como tema central da 55ª Assembleia Geral da CNBB, em fins de abril e início de maio.

 

  1. Iniciação Cristã numa Igreja missionária

Por Iniciação Cristã se entende o processo pelo qual alguém é incorporado ao mistério de Cristo Jesus; não se reduz à catequese, entendida como ensino das verdades da fé, mas inclui toda a dimensão orante e celebrativo-litúrgica. O conjunto de ações celebrativas e rituais do processo de Iniciação encontra-se no livro litúrgico denominado Rito de Iniciação Cristã de Adultos RICA, que é o modelo de toda e qualquer iniciação. A catequese é um momento essencial da Iniciação, o mais longo e importante, e deve ser mantida.

Agora, porém, com essa dimensão catecumenal, ou seja, profundamente unida à oração, à leitura orante da Palavra de Deus, ritos e celebrações previstos no RICA. Teologicamente falando, a verdadeira iniciação se dá na celebração dos sacramentos do Batismo, Crisma e Eucaristia, chamados justamente, a partir do século XIX, de Sacramentos da Iniciação. Trata-se de uma iniciação que poderíamos chamar de sacramental, mas que deve ser precedida por essa preparação experiencial e existencial.

De fato, pela doutrina católica, uma vez realizado o sacramento com fé e com todos os requisitos canônico-litúrgicos, realiza-se o efeito salvífico significado pelo rito sacramental [ex opere operato]. A Igreja professa que todo batizado é verdadeiramente incorporado em Cristo Jesus e começa a fazer parte de seu Corpo Místico, do Povo de Deus, da Igreja. No entanto, a expressão iniciação à vida cristã passou a significar todo o processo pós-batismal percorrido para se chegar a esta profunda realidade da fé do ponto de vista experiencial e existencial. É a Iniciação Cristã que, uma vez realizada sacramentalmente no Batismo, faz com que a pessoa se conscientize, assuma e viva plenamente essa maravilhosa realidade da vida divina comunicada pelo mergulho (batismo) no mistério Pascal de Cristo Jesus (morte e ressurreição).

 

  1. Desafios para transmissão da fé pela família

O complexo processo que, desde o século II, prevaleceu na Igreja para iniciar os novos membros nos mistérios da fé, recebeu o nome de Catecumenato: era um conjunto de pregação (primeiro anúncio, querigma), práticas litúrgico-rituais, ensino, exercício de vida cristã e acompanhamento pessoal, que levavam à verdadeira conversão ao Evangelho e à incorporação na Igreja. Com a chegada da Cristandade (séc. V, VI…), desapareceu esse processo complexo do catecumenato, ficando de pé, até hoje, o momento do “ensino-instrução” com o nome de catequese, e em geral dirigida às crianças.

De fato, a comunidade cristã e a própria sociedade (ou civilização cristã) exerciam o papel de catecumenato social. A primeira experiência fundante da fé vinha da família e até da própria sociedade, chamada cristã. A preocupação da catequese ficava reduzida à instrução doutrinal: e essa foi a herança que recebemos da cristandade.

Hoje, com raras exceções, nosso povo não possui uma experiência de fé transmitida pela família, e muito menos pela sociedade. Não vivemos mais a cristandade. É necessário um trabalho missionário, de primeiro anúncio, de evangelização no sentido mais estrito da palavra: anunciar Jesus Cristo. A catequese, tal qual a recebemos e conhecemos como atividade de ensino e transmissão da fé, por mais que tenha sido renovada, não consegue realizar sozinha a iniciação cristã. Os frutos e as estatísticas aí estão… E, infelizmente, continuamos a batizar, crismar, distribuir a Eucaristia abundantemente… sem uma verdadeira iniciação.

Iniciar é introduzir, mergulhar. Batismo é mergulho e participação no mistério de Cristo morto e ressuscitado! Batizamos, sim, com muito esforço de renovação da Pastoral do Batismo e dos outros sacramentos da iniciação: Eucarística e Crisma!… Mas, podemos perguntar: essa gigantesca ação pastoral-litúrgico-catequética, esses gestos sacramentais piedosamente celebrados e recebidos são realmente a transmissão e celebração de um mergulho vital no mistério de Jesus, de um encontro e compromisso pessoal com Ele e sua Igreja? Ou continuamos a insistir numa pastoral sacramental que permanece gerando uma multidão de batizados não evangelizados?

Ninguém duvida de que o batismo, celebrado e recebido com fé, é uma real iniciação ontológica e sacramental ao Mistério de Cristo. Mas, do ponto de vista existencial e experiencial, nada acontecerá se não houver para esses batizados um autêntico processo de Iniciação à Vida Cristã.

 

  1. Catequese a serviço da Iniciação à Vida Cristã

O “Documento de Aparecida”, com muita audácia, nos convida a “abandonar as ultrapassadas estruturas que já não favoreçam a transmissão da fé” e a uma “conversão pastoral e renovação missionária…” (nº 375; cf. 172-173; 11, 450…). Ora, esse foi o tema principal da Assembleia dos Bispos do Brasil, que acaba de se realizar: nossos pastores querem assumir com seriedade, eficiência e eficácia os complexos e difíceis processos da Iniciação Cristã, a serviço da qual está a catequese, em vista do Batismo, Crisma e Eucaristia.

Estamos diante de uma mudança de época: não se trata só de aperfeiçoar a catequese de adultos, jovens e crianças… mas de questionar todo o processo de transmissão e educação na fé que estamos vivendo nestes tempos de grandes desafios, e ao mesmo tempo de grandes oportunidades. A oportunidade é justamente colocar em prática o catecumenato ou a dimensão catecumenal da catequese.

Isso significa que aquilo que hoje tradicionalmente denominamos “catequese”, deve ser conduzido conforme os processos de iniciação. Eles são muito mais exigentes e comprometedores que a tradicional catequese, mas atingem muito mais o objetivo de formar realmente discípulos missionários. Então, o objetivo da catequese não é apenas “preparar para os sacramentos” que, infelizmente, em nossa realidade, tornam-se frequentemente “sacramentos de finalização”, ou seja, são os últimos contatos que muitas vezes jovens e crianças têm com a Igreja (a crisma muitas vezes se degenera em “sacramento do adeus”!).

Estamos acostumados a falar de iniciação cristã ou do RICA – livro litúrgico que traça o percurso para se chegar ao Batismo – somente tratando-se de adultos não batizados. Hoje já não é assim. O exigente e eficaz processo iniciático hoje é proposto também para batizados (já iniciados sacramentalmente, mas em fase de crescimento), e mesmo para quem já fez a Primeira Comunhão Eucarística e foi confirmado, mas não foi suficientemente evangelizado e iniciado na fé. A iniciação cristã, assim, é um caminho para a evangelização, para formar discípulos missionários.

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