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A tentação da Igreja Participação ativa Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as) Chamados para uma missão Comitê de Bacia investe em saneamento

A tentação da Igreja

Carlos Scheid

Uma rápida varredura na História da Igreja permite identificar a tentação permanente que ronda o “pessoal da Igreja” – expressão de Jacques Maritain – quando a missão parece difícil, as barreiras se multiplicam e a solução aparente est…

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Participação ativa

Um dos princípios orientadores da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II foi o da “participação ativa”, como lemos no número 14 da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium [SC]: “É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem à…

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Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as)

O EMM nos dá um presente, que é viver o FDS, um verdadeiro encontro consigo, com o outro e com Deus, que nos mostra o caminho para a conversão com mudanças de atitudes, a escuta com o coração e com a decisão de amar sempre. Isto tem sido um porto seg…

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Chamados para uma missão

João da Silva Resende, SDN*

 

“Eu te segurei pela mão, te formei e te destinei para unir meu povo e ser luz das nações. Para abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que moram nas trevas.” (Is 42,6-7.) Assim …

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Comitê de Bacia investe em saneamento

CBH-Manhuaçu conclui 16 Planos Municipais e agora acompanha sua implantação.

Passam-se os anos, trocam-se governos, novas políticas públicas são anunciadas e o saneamento básico segue um descalabro no Brasil. Embora seja um direito previsto na Const…

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Guerras climáticas, a nova ameaça

As mudanças climáticas não criam

apenas novos motivos para conflitos violentos, mas também

novas formas de guerra, ressalta o  psicossociólogo Harald Weizer

 NO SEU LIVRO Climate Wars [Guerras Climáticas], o jornalista Gwynne Dyer descreve um mundo onde o aquecimento se acelera e onde os refugiados, esfomeados pela seca, perseguidos pelo aumento do nível dos oceanos, tentam chegar ao hemisfério Norte. Enquanto isso, os últimos países autossuficientes em alimentos, os de latitudes mais altas, devem defender-se, inclusive a golpes de armas nucleares, contra vizinhos cada vez mais agressivos do Sul da Europa e das margens do Mediterrâneo, transformados em desertos.

Face ao que certos cientistas denominam uma “perturbação climática de origem humana”, a geoengenharia – ou seja, a intervenção deliberada para reduzir o aquecimento do planeta – tenta assumir o controle do clima. Ela consiste em um conjunto de técnicas para remover parte dos excedentes de carbono da atmosfera (remoção de dióxido de carbono) e regular as radiações solares (gestão de radiação solar), o risco de uma maior desestabilização das sociedades e ecossistemas.

A pulverização de enxofre, por exemplo, supõe que a camada comum na atmosfera é de espessura suficiente para ter um efeito ótico de obstrução da radiação solar e, desse modo, refrescar o planeta.

Mas a observação de erupções vulcânicas leva os climatologistas a constatar que, se as partículas de enxofre concorrem para resfriar a atmosfera, elas também induzem secas regionais e podem reduzir a eficiência de painéis solares, levar à degradação da camada de ozônio e enfraquecer o ciclo hidrológico global.

Existem hoje tantas pessoas

deslocadas no mundo

em razão da degradação

ambiental como pessoas

deslocadas pela guerra

e pela violência

“Além disso, sem acordos internacionais que definam como e em que proporções usar a geoengenharia, as técnicas de gestão de radiação solar representam um risco geopolítico. Como o custo desta tecnologia alcança dezenas de bilhões de dólares por ano, ela poderia ser assumida por atores não-estatais ou pequenos Estados agindo em seu nome. Isso contribuiria para os conflitos mundiais ou regionais”, adverte o último relatório do IPCC.

As mudanças climáticas não criam apenas novos motivos para conflitos violentos, mas também novas formas de guerra, ressalta o psicossociólogo Harald Weizer. A violência extrema desses conflitos excede o quadro das teorias clássicas e “instaura espaços de ação para os quais nenhum quadro referencial é fornecido pelas experiências vividas no mundo, marcado pela paz, do hemisfério ocidental pós-segunda guerra mundial”.

Combates assimétricos entre populações e senhores de guerra a serviço de grandes grupos privados ampliam os mercados da violência, galvanizados pelo aquecimento climático. O caos de Darfur, no Sudão, que perdura desde 1987, é emblemático dessa dinâmica autodestrutiva agravada pela fragilidade dos Estados.

No norte da Nigéria, a degradação das terras perturbou o modo de vida agrícola e de pastoreio e interfere com as rotas migratórias. Várias centenas de aldeias foram abandonadas e as migrações que resultaram disso contribuíram para desestabilizar a região, preparando o terreno para o movimento islâmico Boko Haram.

O último informe do IPCC define a noção de “risco composto” [compound risk], que designa a convergência de múltiplos impactos numa dada área geográfica: “Como a temperatura média do globo pode aumentar de 2 a 4°C até 2050, em relação às médias do ano 2000, há um risco, mantendo-se todas as coisas iguais, de importantes mudanças nos padrões de violência interpessoal, conflitos entre grupos e instabilidade social no futuro”.

O pesquisador Marshall B. Burke, da Universidade de Berkeley, na Califórnia, e seus coautores anteciparam um crescimento de conflitos armados, em 54%, de agora até 2030. Seu estudo propõe a primeira avaliação global dos impactos potenciais das mudanças climáticas sobre as guerras na África Sub-Saariana. Ele ilumina a ligação entre guerra civil, altas da temperatura e queda das chuvas, ao extrapolar as projeções médias de emissão de gases de efeito estufa do IPCC para estas regiões entre 2020 e 2039.

O afluxo de refugiados às portas da ilha de prosperidade que é a Europa poderia continuar a aumentar no decorrer do século 21. “Existem hoje tantas pessoas deslocadas no mundo em razão da degradação ambiental como pessoas deslocadas pela guerra e pela violência”, estima o cientista político Francis Gemenne. Esses migrantes fogem de guerras que acontecem longe do Ocidente, o qual, a despeito de sua responsabilidade histórica pelo aquecimento global, resiste em reconhecer um status: “Refutar o termo de “refugiado climático” significa refutar a ideia de que as mudanças climáticas são uma forma de perseguição contra os mais vulneráveis.”

Estas são vítimas de um processo de transformação da Terra que está muito além delas. (Tradução: Inês Castilho)]

Fonte: Outras Palavras

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